destino

O destino é sonho
aspiro querer de liberdade
a água viva transbordante de espuma
enche meus pulmões de cafeína
raiva, desejo, perdão se confundem nessa manhã
por mais que ascenda no cotidiano
o espinho da dúvida inflamada me faz lembrar
o vivente nesse instante sou eu
na solidão da máquina lavando roupas
desejo limpeza de minha veste
parte profunda dessa existência
na solidão das teclas da máquina de escrita
desejo experimentar minha língua
parte insolente de minha subjetividade
na solidão da geladeira enferrujada
desejo refrigerar minhas angústias
parte craterosa de minha decomposição
O destino é meta
aspirante de objetivos
a água viva empacotada em ferro e brasa
enche meu pulmões de nicotina
medo,desprezo,leveza se confundem nessa tarde
se estou, estive, estarei, não estar
por mais que assente meu cotidiano
a lasca da dúvida inflamante me faz crer
o vivendo – nesse instante sou eu
na inutilidade da televisão desligada
desejo descanso para meus pensamentos
parte engenhosa de minha configuração
na inutilidade do ferro velho de passar roupas
desejo as rugas de minha temporalidade
parte insustentável de minha execução
na inutilidade do computador quebrado
desejo silenciar meus dedos
parte agente de minha própria fabricação.
O destino é ilusão
aspirina das dores
encho meus pulmões de fluoxetina
a água viva transformada em desenho
agito, delírio, sossego se confundem nessa noite
se é, se não, se sim, talvez não sei
o ferrolho da dúvida enferrujada me faz sentir
o vivido nesse instante sou eu
no desapego do gás queimando no fogão
desejo requentar minhas palavras
parte inacabada de minha elocubração
no desapego da solidão do sapato que se gasta
desejo caminhar meu labirinto
parte ignorada de minha trilhação
no desapego da paixão que esfriou
desejo então me despedir
parte limitada de minha limitação.

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