ANDANDO POR VÁRIAS CALÇADAS


ANDANDO POR VÁRIAS CALÇADAS


(andré nunes)



Ilustração 1: "Construção de mapas em grande escala". performance realizada juntamente a Christiana Moraes - Ocupação Prestes Maia, 2003

É tempo outro, de novas informações que adentram o sistema de formação de conhecimentos em Terapia Ocupacional. Envoltos estávamos no cuidado das ações daqueles a quem destinamos grande parte de nossos saberes e interesses. Assim como procurando parcerias teóricas com as quais ousávamos compor discursos que viabilizassem nossas práticas. Porém, eis que a ordem de nosso conhecimento parte-se pelas vias de um questionamento dos paradigmas que estruturam nossas práxis. Eis que nova lei se configura através de um enunciado que dá a nós, terapeutas plásticos e artistas ocupacionais a legitimidade de fazer da análise de atividades um termo fundador desse tempo novo, desse tempo outro, desse amplo território, de nossa breve história dentro da epistemologia.
A questão do cruzamento de fronteiras do saber ganha novamente destaque nesse momento de minha vida. Retomo minha questão relativa a descoberta de espaços decorrentes da aproximação com gamas diversas de informações advindas de vários campos do conhecimento humano. Nesse período, durante esse estendido ciclo de estudos sobre a “terapia ocupacional enquanto produção de vida”,volto a pensar sobre o território ocupado pela ação terapêutica. Que lugar é esse? Meu interesse ganha novamente força e passa a um movimento de investigação relativo ao espaço “preenchido”, ou a ser preenchido, pela descoberta de lócus outros de existência e ressonância do que é possível capturar (ou seria melhor dizer, capitanear? cartografar?) nosso discurso.
Quanto mais inserido no território da Arte, cada vez mais tenho me afastado do discurso puramente clínico, (e isso foi um dos principais motivos que me fizeram recorrer a esse ciclo de estudos), por ter cada vez mais certeza, e por vezes mais dúvidas de que a Terapia Ocupacional está inserida e implicada com os processos “páticos” (libidinosos,libertinos) e cada vez menos com os processos patológicos (relativos ao ramo da medicina que se ocupa da natureza e das modificações estruturais e/ou funcionais produzidas por doenças no organismo) das pessoas.
Frente ao retorno do movimento de investigação, retomo parte do discurso já produzido em outros períodos de minha trajetória, na tentativa de a partir deles reorganizar algumas idéias e ampliar um melhor discurso possível. Esse trabalho é árduo e, sei da possível superficialidade das descobertas. Mas, o fato de ser tido como superficial não me aflige, visto que essa é uma das condições da existência humana nessa época na qual todos dividimos nossos: tempo/espaço; real/virtual; lugar/não lugar.
Objetivamente tenho por interesse 4 pontos de estudo, relativos a:
  1. identidade do “terapeuta” que cruza as fronteiras e dialoga com diversas áreas do conhecimentos humano.( híbridos)
  2. investigação dos espaços ocupados pela ação terapêutica
  3. concepções de uso do termo clínica, e quem sabe seu esgarçamento e diluição
  4. encontro no campo da Arte de conhecimentos que identificam ações vividas no campo da saúde, contudo o discurso deixa de ser científico e ganha a potência poética do artístico

Não procuro estancar meus interesses em seções herméticas de explanação. Sou adepto da polifonia, pois vejo nessa a possibilidade de integração de várias vozes que co-existem. Como um dia escreveu Guatarri (1998):
“Não existe totalização personológica dos diferentes componentes de Expressão, totalização fechada em si mesma dos Universos de referência, nem nas ciências, nas artes e tampouco na sociedade. Há aglomeração de fatores heterogênicos de subjetivação. Os segmentos maquínicos remetem a uma mecanosfera destotalizada, desterritorializada, a um jogo infinito de interface...” ( GUATARRI,Caosmose, p.43).

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