GORAN- HAI-KAI

(fotografia, andre nunes, 2007)


Pelos metros, pelos trilhos, no buraco do metrô paulista. Eu e ele tomamos rumo até saltar na Liberdade. Ele um homem que teve a vida parada, por um atropelo imaginado em conta. Eu um homem de vida veloz, por outra de atravessar as ações de humanidades. Entre o ato de estar parado e o ato de poder atravessar, foi aí, nesse possível, que nosso encontro se deu. Nesse átimo, nesse instante, onde um no outro refletem uma diferença existente no convívio relacional. Ao subirmos as escadas , que não eram salto, mas ascensão, uma feira com Estrelas atravessou-nos o exitir claro do céu azul sóbrio. Um festival, repleto de cores, repleto de nomes, grafias, imagens, dobraduras, lanternas, papéis e ex-votos (que em japonês deve ter outro nome) onde seus antepassados escrevem pedidos e os penduram em bambus. Na noite do Encontro com as Estrelas, esses bambus são queimados, elevando aos céus os pedidos consumados. Disse a ele: o que desejas? Branco-PAZ, foi seu pedido. E no pedaço de papel pôs os nomes da família. Todos, a quem tanto ama, e com quem deseja viver em Paz. Não fossem as crises, e quem não as tem? Ele certamente teria uma vida melhor. Mas elas se instalam em rompantes, chegam assim sem dar avisos, atropelam sua vida dando a ele conteúdos tantos para poder imaginar. E imagina tantas coisas, coisas graves, coisas toscas, que não é de admirar que possa estar atropelando quem quer que seja. Mas eu e ele, naquela manhã, nos demos conta de que viver tem dessas coisas. Ele em meio a multidão dizia não gostar de estar passando por entre tantos corpos. Disse a ele, “não é por isso, me segue que eu abro caminho”. E me pus a ir traçando com passadas cuidadosas todo o atravessamento. Fui na frente percebendo que ao seguir-me parte de sua paralisia ficava para trás. Ele andou e logo disse, “ Ali, HAI-KAI”. Uma lojinha instalada nos fundos de uma galeria, de tudo um pouco tinha, de canções a origamis, um pouco de tudo, um quase resumo, melhor Hai-kai, impossível. As vezes é assim , a vida é tão intensa que o possível nesses instantes, é nos darmos conta de que um Hai-Kai pode, pode muito ao ser assim tão pequeno. Um micro poema, na macro poética. Não sei se aqui a grafia estará certa, mas de erros também é feita a vida. Deixo aqui nessa textura uma brevidade Hai-kai que ele nesse encontro me ensinou:



Manhã de sol na Liberdade
queria mesmo o Branco da Paz
nesse dia, almocei arroz-Goran .

Comentários

Postagens mais visitadas