HÁ 2 ANOS ATRÁS...



O incrível globo da morte.
Imagine, um enorme globo de aço, cor grafite escuro, sendo iluminado por dois pontos de luz, daqueles que iluminam o corpo de quem caminha por ruas desertas.
Essa luz vinda de cima do globo gerava uma sombra gigantesca ao redor dele, e parece que o globo+sua sombra preenchiam um tamanho considerável do pátio da galeria vermelho de arte. O globo, globo mesmo, ficava “fechado”. Não teve quem não se siderasse ao redor da enorme estrutura de aço.
Aos poucos passados minutos das quase 21 horas do dia 06/07/2005, latitude e altitude próximo a Consolação, nas coordenadas urbanas do bairro de Higienópolis (cidade rica e limpa) de São Paulo, dois motoqueiros adentram o espaço alargado pela somatória (globo+sua sombra+pessoas em expectativa) aos comandos de câmbio chris, e acelerando as motos em um barulho ensurdecedor percorrem o redor do globo e em meio a tudo isso como que querendo entrar na estrutura de aço, ficam rodando numa espécie de relação provocador-provocado, mas não havia porta aberta. As pessoas iam ficando cada vez mais na expectativa do que iria acontecer, aguardando, aguardando, aguardando, numa captura feita na aceleração provocada no simples ato de esperar aquilo que elas imaginavam que iria ocorrer, Um Espetáculo.
Daí, do lugar esbeiçado da expectativa de cada um , coordenadas se deram a outros dois integrantes da equipe do globo. Escalar o mesmo e começar o desmonte. As pessoas ficaram desconcertadas, o sentimento de espera dos mesmos foi também sendo desmontado, não houve espetáculo algum. A performance do globo da morte desconstruiu parte da idéia do que havia acontecido na galeria naquela noite, onde as pessoas assistiam cenas e ao final aplaudiam, como quem decide o tempo do fim daquilo num aplauso acolhedor mas aquilo, o globo, o que era?.
A performance gerou um clima de terror, era como se a gente estivesse mostrando que o globo , a morte e o terror estavam postas para fora, estavam no meio de nós... no trânsito das cidades, nas atemorizações dos transeuntes urbanos, nas figuras dos moto-boys-cachorro-louco-mundo-cão-em movimento de pressa e pressão do tempo rápido do é pra ontem esse serviço, e nos assaltos de espaço de esse transito não anda mais...enfim...
Foi lindo mesmo cruzar pelos caminhos de Cigano e seus rebentos ligados pela chave { Diego, Madeira, André, Elizeu } de rodar motores motos singulares na órbita dentro do globo que merece respeito único por mexer no mais temido tema da espécie racional humana. De simplicidade par, de capacidade de se entregar de corpo presente a tarefa de rodar o globo dentro de outro globo maior. Mostrando aos que desejam assistir, coragem, confiança, companheirismo e espírito de grupo. Pois montar a estrutura que é “cenário” e instrumento de trabalho, exige deles : força, conhecimento, disposição, desenvoltura, vontade e paixão pelo que se faz.
No outro dia em que a gente voltou lá para assistir uma palestra, teve gente que disse, que sentiu dificuldade de dormir por conta da inquietação que a performance criou, que se angustiou, que ficou com raiva, que não entendeu, que se frustrou, que gostou por demais.
Performance tem dessas também, geração de paranóia nas pessoas, dilatação do tempo e das emoções, descaracterização do espaço e dos objetos usados, “LIVE ART”- Retóricas .
Mas o que mais me surpreendeu foi que algumas horas depois dois atentados terroristas chocaram o globo terrestre, bombas explodiram dentro de meios de transporte. O que é LIVE ART ?

Comentários

Postagens mais visitadas