HÍBRIDOS: COMPOSTOS ONDE O "ENTRE" SE FAZ

(fotografia, andre nunes, santos 2007)

Híbridos: compostos onde o “entre” se faz.
(andré nunes)


Híbrido.[Do. Lat. ibrida, híbrida ou hybrida, 'filho de pais de diferentes países
ou de condições diversas', evidentemente com o grego hybris,
'destempero', 'excesso', possivelmente com o francês hybride.]
Adj.1. Biol. Originário do cruzamento de espécies diferentes.
2.Fig. Em que há mistura de espécies diferentes.
3.E.ling. Diz-se de vocabulário composto de elementos de línguas diversas.


Durante as aulas do curso de especialização lato-sensu Práxis Artísticas e Terapêuticas – Interface da Arte e da Saúde- Departamento de Terapia Ocupacional da Fundação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o termo INTERFACE, presente em sua nomeação, ganhou notoriedade passível de investigação.
Interface, termo utilizado nas linguagens voltadas às áreas das ciências da informática, refere-se a relação estabelecida entre o usuário da máquina ou sistema, os ícones apresentados no suporte-tela da máquina e as necessidades de informação advindas dos usuários desse sistema.
Idéias soltas perpassavam os pensamentos. Pensar interface enquanto uma ligação/relação amigável entre os dois campos de conhecimento (Arte e Saúde); pensar interface enquanto um objeto-ponte sobre o qual a conexão entre os dois elementos, ou discursos, pudesse ser construída; pensar interface enquanto um território, uma forma-conteúdo 1 de trocas informacionais. Pensares múltiplos que surgiram.
Numa primeira aproximação, traz o Novo Dicionário Aurélio – Século XXI (2000), algo que pôde agregar essas idéias iniciais, eis que surge um esboço de definição: interface seria uma região fronteiriça onde diferentes sistemas e áreas do conhecimento dispõem-se a estarem dialogando na tentativa de compor dispositivos lógicos e/ou físicos que visam, além da troca de informações, a construção de adaptações para que a atividade prática ou ação (práxis) possa ser exercida e ampliada.
No transcorrer do curso a questão referente a interface foi sendo potencializada com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos por artistas como Lígia Clark, Hélio Oiticica, Arthur Bispo do Rosário; e ainda nas concepções da Dra. Nise da Silveira, do Dr. Osório César, dos franceses Felix Guatarri e Gilles Deleuze; e nos Estudos Culturais feitos em ciências como a Geografia, a Antropologia, a Filosofia e a História.
Em cada uma dessas personalidades e áreas disciplinares foi possível obter alguma informação pertinente ao tema. Como que estardalhadas em ruídos, a multiplicidade de informações apresentadas acabou por se configurar enquanto uma rede de referenciais, tornando-se pertinente aquilo que JONHSON ( 2000) caracteriza enquanto Campo dos Estudos Culturais.
Segundo esse autor, os Estudos Culturais formam uma rede que exerce influências sobre diversas áreas do conhecimento. Suas principais características estão na abertura e versatilidade teórica, no espírito reflexivo e na importância dada à crítica. A crítica apontada como o conjunto de procedimentos pelos quais outras tradições são abordadas tanto pelo que elas podem contribuir, quanto pelo que elas podem inibir, apropriando-se dos elementos úteis das diversas áreas do conhecimento. Os Estudos culturais seriam um processo de produzir conhecimento útil; sendo que qualquer tentativa de codificá-los pode, ainda segundo o autor, paralisar suas ações.
Ao se aprofundar em diversas disciplinas JONHSON (2000), pontua que o campo dos Estudos Culturais não tem como constituição uma nova disciplina, mas é resultado da insatisfação com algumas das disciplinas e seus próprios limites. Sendo assim, um campo de produção de saber onde diversas disciplinas se interseccionam no estudo de aspectos da sociedade contemporânea.
A reflexão sobre os processos ocasionados pela interferência dos conhecimentos advindos das áreas da saúde e da arte foi ampliada e aprofundada durante o curso. Assim, foi possível constatar que dentro do território de investigação da terapia ocupacional, a busca por referenciais de áreas afins também apresentava-se, e apresenta-se até hoje, enquanto um constituinte da formação de seus conhecimentos.
Habitar essa região de fronteira entre disciplinas , exercitando a crítica proposta pelos estudos culturais, e ao mesmo tempo aproximando-se da idéia de disciplina mais fluida (RORTY citado por LIMA)2 gerou um questionamento referente aos tensos limites que separam prática e teoria, conhecimento técnico e subjetividade, produção artística e produção trabalhista, práxis clínicas e práxis artísticas.
Ao adentrar esse território, região fronteiriça entre conhecimentos, a possibilidade de diálogos visando troca de informações gerou um encontro com a diversidade, com a diferença, o que implicou num encontro de identidades, fundadas na alteridade, ou seja, no encontro de identidades distintas.
A interface produzia, então, encontros de Identidades distintas. Interface enquanto campo potencializador de identidades. Para definição do termo identidade, ficamos com a sugestão do antropólogo Lévis-Strauss, que assim diz:
“ a identidade é uma espécie de lugar virtual, o qual nos é indispensável para nos referirmos e explicarmos um certo número de coisas, mas que não possui, na verdade, uma existência real.”
( LEVIS STRAUSS citado por ORTIZ, 2000.p.79).


O terapeuta plástico e/ou o artista ocupacional3


“Mas foi nesse lugar, no tempo dito, que meus
destinos forma fechados. Será que tem um ponto
certo, dele a gente não podendo mais voltar para
trás? Travessia de minha vida... o vento é verde. Aí
no intervalo, o senhor pega o silêncio põe no colo.
Eu sou donde eu nasci. Sou de outros lugares.”
(Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa)


Ampliando o questionamento relativo a esse território a ser explorado, um “território interfácico-interfásico” pode-se perceber que a questão que se formava estava ligada a investigação de um conjunto de possíveis características reconhecíveis, ou que passariam a ser conhecidas, conforme o processo de produção de conhecimento se desse.
Perguntar-se , que características teriam as pessoas que se relacionam nessa fronteira da interface da arte e da saúde , serviu como delimitador de um tema presente dentro desse território. A dúvida estava diretamente referida a identidade dos profissionais que articulam suas práticas e teorias nesse campo de composição duplo. Ao se voltar ao território da terapêutica, aparentemente mais familiar devido a nossa formação acadêmica, percebeu-se que a identidade do profissional de terapia ocupacional, para além de estar ou não em crise, sofre como todos os outros profissionais de outros campos de conhecimento os ruídos das questões advindas da sociedade contemporânea.
Desde que surgiu no cenário nacional na primeira metade do século XX, com o trabalho desenvolvido pela Dra. Nise da Silveira e pelo Dr Osório César (ambos médicos psiquiatras), e suas investigações nas áreas da psicologia analítica, mitologia, terapêutica ocupacional, arte e atividades artísticas, já havia um movimento de proposição de diálogos entre as práxis artísticas e as práxis terapêuticas.
A profissão cresceu e foi possível que novos pólos de investigação pudessem vir a dar conta de questões por ela vivenciada. Como pontua LIMA (1997), a profissão é fruto do processo de fragmentação do saber, onde teoria e prática se separam, cada vez mais na área da saúde. Esse processo de maior eficácia das práticas leva a especialização, para que cada campo específico venha, além de se fortalecer, diferenciar-se dos outros campos.
Contudo, ainda segundo LIMA (1997), grande parte dos contemporâneos terapeutas ocupacionais brasileiros fazem justamente o caminho contrário, buscando respostas a impasses vividos na prática em diversos campos de saber. A especialização torna-se múltipla, mestrados e doutorados são feitos e defendidos em outras áreas de conhecimento.
Definir a “identidade profissional do terapeuta ocupacional” após esse encontro na interface arte-saúde, deixou de ser uma questão relevante. Pensadores da contemporaneidade vem apontando em seus discursos questões relativas a fragmentação e fragilidade dos sujeitos e dos saberes. Assim como campos de conhecimentos que acabam por se unir na tentativa de juntos comporem e investigarem questões pertinentes ás suas áreas, como exemplo a físico-química, a micro-engenharia e a psico-sociologia; a terapia ocupacional também buscou interlocutores para juntos investigarem impasses vivenciados em seu campo de saber e atuação.
O vasto território da ARTE, foi um deles. Transitar de um conhecimento a outro passou a ser uma viagem. Mas o que é realmente uma viagem? Além de ser um deslocamento de áreas, de espaços, de culturas?
“ Ela (a viagem) e´sempre passagem por algum lugar e sua duração se prolonga entre a hora da partida e o momento de regresso... a viagem se aproxima dos ritos de passagem. Ela implica a separação do individuo de seu meio familiar, depois, uma prolongada estadia on the road, para enfim reintegrá-lo em sua própria casa, em sua terra de origem... A passagem pressupõe, portanto, a idéia de fronteira, de limite.” ( Ortiz,2000.p.30-31).4
Como pontua CASTRO (2001), o limite entre os campos da arte e da saúde propiciam um reconhecimento das proposições artísticas contemporâneas e um aprofundamento em questões que emergem de diálogos transdisciplinares.
Por fazerem das atividades artísticas conhecimento/objeto estruturador de: organização de seu trabalho, dispositivos configuradores de relações humanas mais saudáveis, potencializador de expressões de subjetividades, construtores de linguagens e inclusão social, ampliadores de concepções éticas e estéticas; dentre tantas outras finalidades e objetivos, tanto os profissionais da área da saúde, quanto das áreas artísticas acabam exercendo suas profissões numa área onde a articulação de práticas e teorias se dá num campo de composição duplo, misto.
E dentro dessa região de misturas eis que surge uma espécie outra de “mistura de dúvida, ansiedade e insegurança”, a de saber que qualidades identitárias habitam esse território de conhecimentos respaldador de um discurso estruturador dessa identidade. Ou seja, a preocupação(pré-ocupação?) fica em tentar esboçar essa identidade profissional que circunda campos distintos de conhecimentos e que somente assim, quando percorre essas distinções, consegue se estruturar enquanto identidade.
Há vezes que se dá – o não saber em que área de saber que se respalda o tal discurso definidor do trabalho profissional desempenhado. É desse lugar, do não saber, que se quer poder discursar. Tomar conhecimento de como algumas pessoas lidam com isso, sempre foi uma curiosidade que se configurou, ao menos para nós. Afinal, quem somos eles?
Foi no livro “Pedagogia dos monstros: prazeres e perigos da confusão de fronteiras”, organizado por SILVA (2000), que um esboço dessa qualidade de identidade a qual se procurava configurou-se com alguma nitidez. O autor , em seu ensaio introdutório, aponta caminhos teóricos feitos por pensadores contemporâneos ( entre estes: Freud, Lacan, Derrida, Foucault, Deleuze e Guatarri) na tentativa de elucidação da desconstrução da teoria do sujeito cartesiano, enquanto ser centrado.
Investigando figuras histórico-culturais que habitam esse território da dúvida, se existem ou não, e que somente assim podem estar presentes na cultura, SILVA (2000) organizou e aprofundou seus questionamentos. Nas figuras de monstros, ciborgues e híbridos, entre outras, foram postas e analisadas ideações de aparatos culturais utilizados na formação da subjetividade humana, seus conhecimentos e saberes e sobretudo seus limites identitários.


“mas se ciborgues, tal como a engenharia genética, expõem a artificialidade da subjetividade humana de forma concreta e material, há uma outra criatura que expõe, agora no terreno propriamente cultural, a ansiedade que o ser humano tem relativamente ao caráter artificial de sua subjetividade: o monstro da tradição, da literatura e do cinema. No fundo, a questão da subjetividade diz respeito, sobretudo, ao cruzamento de fronteiras entre o humano e o não-humano, entre cultura e natureza, entre diferentes tipos de subjetividade. O monstro, 'pura cultura', como diz Cohen,... expressa nossa preocupação com a diferença, a alteridade e a limiaridade. A 'existência' dos monstros é a demonstração de que a subjetividade não é, nunca, aquele lugar seguro e estável que a 'teoria do sujeito' nos levou a crer. As 'pegadas' do monstro não são a prova de que o monstro existe, mas de que o 'sujeito' não existe.” ( SILVA,2000p.19)


Se na análise de SILVA(2000) os ciborgues, os monstros e os híbridos, são colocados nessa relação polifônica-fronteiriça (subjetiva / geográfica / cultural, etc) com a limiaridade, alteridade e diferença, e assim demonstram que a subjetividade humana não é esse lugar estanque no qual se firma a cultura ( entre elas a dos discursos acadêmicos), há de se convir que em seu suposto oposto- o sujeito humano – ressoe algo dessa demonstração.
Nesse ressoar que surge a noção do híbrido. Os híbridos são compostos originários de cruzamento de diferentes origens e, fundamentalmente, não são nem de uma ordem de origem nem de outra, são eles mistos, exemplares de diferenças. Os híbridos recebem informação de áreas e culturas por eles experimentadas e vivenciadas. São compostos pela pluralidade. Habitam o cruzamento de referências culturais, colocando suspeita a qualquer teorização absolutista.
A medida que se distancia do conhecimento relativo a terapêutica- saúde e adentra-se o território Arte, o estranhamento dos discursos de ambos perde parte de sua estranheza. E ao se estar no “entre”, no meio de ambas, no categórico-convidativo-imperativo do verbo, se isso é possível (?), vislumbrar lugares outros a serem explorados. Saúde passa a ser vista como um permanente processo de reflexão, criação e recriação da qualidade de vida, da inserção no mundo e do que advir. A arte passou a ocupar o lugar da exceção: a não regra, local onde se amplia potências do sentir, do fazer, do pensar e também do que advir.
' ... dimensão intrínseca a toda forma de produção e atividade humana: transformar a natureza em que se vive, criar a própria existência, criar-se a si mesmo. Mas ainda, arte como paradigma dos processos do universo e do todo vivo: somos figuras esculpidas no tempo, centrados no Devir.” ( GUATARRI citado por LIMA , 1997, p.100).


conclusão...ou... eis que pipoca a canjica do miolo.


Faz gosto, por fim, deixar aqui impressas mais questões e considerações levantadas no decorrer desse processo de investigação, para que o compartilhar seja estabelecido através da divisão de mais perguntas do que respostas. O que a terapêutica busca quando percebe que necessita se aproximar da arte? O que viu nesse campo que a instiga? O que é preciso para que se proponham estarem coligadas em suas práxis? Nos territórios que fixam seus pressupostos, há continência áquilo que se faz, tanto no trabalho artístico quanto no clínico? É possível haver uma clínica que prescinda do patológico para existir? Uma clínica que se desvincule do discurso patológico enquanto estruturador de seus saberes? Por último uma questão relativa a 'identidade híbrida', formada no fomento de uma identidade sem identidade: estando tão próximas,e ás vezes sendo difícil distinguí-las, existe a real ansiedade de se saber discursar sobre o que está se fazendo ou essa ansiedade tem a ver com poder?
Por fim, é interessante notar que acabou-se por tocar regiões pouco exploradas. Ampliou-se fronteiras, o que veio a partir do advento de novas práticas e questões, e assim transformam-se o modo como se assistem e se cuidam as pessoas, o modo como se interfere em suas produções no mundo e, o modo como se inserem na cultura. Se o que é feito é Arte, Técnica, ou Tecnologia, não será esse texto que irá definir. Cabe ao leitor dessas monstruosas páginas usar de sua crítica e espírito reflexivo para escolher o caminho a ser seguido. Esse aqui é periférico, borderline, e tem nos híbridos uma esperança de identificação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CASTRO, E. D. Atividades Artísticas e Terapia Ocupacional : construção de linguagens e inclusão social.2001, Tese (doutorado em Ciências) – Escola de Comunicação e Artes da universidade de São Paulo,327p. São Paulo, 2001.
ESCOSTEGUY,A.C.: O que é, afinal, Estudos Culturais?Belo Horizonte, Ed. Autêntica, p.133-164 Minas Gerais,MG 2000.
FERREIRA, A.B.de H.: Novo Dicionário Aurélio – Século XXI Rio de janeiro, Ed Nova Fronteira, 1999.
JONHSON,R.:O que é, afinal, Estudos Culturais? Belo Horizonte, Ed. Autêntica, p.07-132 ,2000.
LIMA,E.A.:Terapia Ocupacional: um território de fronteiras. In: Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo. v.8.n.2.3.p.98-101, maio/dez. 1997. São Paulo, 1997.
NUNES, André. Pêlos pelos fora da ordem. Interface (Botucatu)., Botucatu, v. 10, n. 19,2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832006000100020&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 22 Abr 2007. Pré-publicação.
ORTIZ,R. Um outro território, ensaios sobre a globalização. São Paulo, Ed. Olho d'água. 206p., 2000
ROSA,J,G.: Grande Sertão Veredas. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 36a. ed., 538p, 1986
SANTOS,M; A Natureza do espaço – técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo, Ed. Hucitec, 3a. ed., 308p. 1999.
SILVA,T,T. : Pedagogia dos Monstros: prazeres e perigos da confusão de fronteiras, Belo Horizonte, Ed Autêntica, 2000.
1“ A idéia de forma-conteúdo une o processo e o resultado, a função e a forma, o passado e o futuro, o objeto e o sujeito, o natural e o social. Essa idéia também supõe o tratamento analítico do espaço como um conjunto inseparável de sistema de objetos e sistemas de ações.” ( Santos, 1999.p. 83)
2“... o termo disciplina não deveria se referir a divisão de matérias que têm interfaces com outras, mas deveria ser utilizado para denotar comunidades cujos limites são tão fluidos quanto os interesses de seus membros. Estas comunidades não teriam outro fim mais elevado que seu próprio desenvolvimento, o desenvolvimento de seus membros e o compromisso ético com o conjunto do corpo social.” ( LIMA, 1997. p.100)
3 NUNES, André. Pêlos pelos fora da ordem. Interface (Botucatu).,Botucatu, v. 10, n. 19, 2006. Disponível em: . vide acima
Acesso em: 22 Abr 2007 Pré-publicação.
4Segundo ORTIZ (2000), toda viagem é um deslocamento no espaço; entretanto não se trata de um espaço qualquer. Ele possui uma peculiaridade: sua descontinuidade. Cada sítio, cada cultura, constitui um território particular. O viajante é um intermediário; ele coloca em comunicação lugares que se encontram separados pela distância e pelos hábitos culturais. Nada os interliga a não ser o movimento da viagem, realizado por uma motivação alheia a sua própria lógica. Diante da descontinuidade dos lugares, o viajante se comporta como alguém que aproxima unidades heterogêneas: seu intinerário interliga pontos desconexos.

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