LUGAR-NÃO LUGAR: ONDE ESTÁ WALLY?


Wally está aí. → .
Wally habitou durante a última década do século XX o imaginário de várias pessoas através de seus livros ilustrados onde o mesmo encontrava-se “perdido” em cenas. Wally é um personagem/desenho que encontrava-se sempre misturado a uma multidão e sua potência de contato encontrava-se no fato de estar escondido/envolvido entre dezenas de outros personagens, objetos, imagens-desenhos.
Wally nos propunha percorrermos com o olhar as páginas nas quais encontrava-se. Devido o excesso de informações pictóricas a procura pelo mesmo levantava no buscador a vontade de encontro. Vontade essa potencializada pela ação lúdica proposta.
Wally era pois esse personagem que em meio a cena mostrada, espécie de desenho/fotografia de um acontecimento coletivo estava sempre fazendo algo. Wally encontrava-se imerso em algum instante de seu continuum de atividades. Ao virarmos a página lá nos deparávamos com ele perdido em outro instante.
Wally sempre estava ocupando um lugar. Mas tomando sua obra como algo dá-se a impressão que ele habita um não-lugar dentro dos vários lugares que ocupa.
Wally é pois habitante do “entre” lugares. Do entre estar num lugar e num não –lugar. Wally ocupa a fronteira, Wally é um corpo-desenho entre tantos. Wally está sempre de passagem na história/cena.
Povoa épocas distintas, traz consigo mochila, cajado e bússola, é a imagem de um viajante.
Wally está de passagem, e aparentemente está perdido de quem o procura. Pois a pergunta á qual nos propõe é “ Onde estou?” “ onde estará Wally agora?”
Wally é sinônimo de entretenimento, ou seja, de movimento de entreter – que nada mais quer dizer que “ estar entre”, “ter entre”.
Entrelinhas do que quero dizer, pois o que quero dizer dessa aparente pueril parafernália discursiva de Wally? Dessa lenda-história-mito contemporânea é: quando a terapia ocupacional se propôs a explorar o campo da arte, através de uma interface práxica, encontrou nesse vasto campo elementos viabilizadores de potencias de produção dentro de seu discurso. Ao mesmo tempo em que se perdeu em parte. Mais uma vez a dívida dúvida: quem somos nós?
Terapeutas plásticos e artistas ocupacionais são seres monstruosamente nômades.

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