MEDUSA

(fotografia, andre nunes, 2007)

Se ela passa devagar, a passos largos. Talvez saiba que reparo o movimento. A figura que assinala atrás dos olhos, tem um cheiro de orgulho fino intenso. Foi no encontro entre o mesmo e o alheio, que romperam seus mais alvos devaneios. Como ela se entregava aos abraços, criptografada era sua trama. Sobre a casca de amarelo tempo acorde, rebentava suas crias e atravessos. Um traço um medo, uma letra um rochedo, um copo uma lupa, seu corpo minha garupa. Não trazia entre as mãos réstias ou flores, tinha sim a resma branca e uma resenha. Que orava nos estofos de prumagem, quando a verbo era em todo só doença. Muito fez e só tão pouco aproveitou-se. A fulana que figura no espelho. Penteava seus cabelos de cobalto. E sorria sempre em meio aos arremedos. Mas contudo, todavia, entretanto, essa estória pede um pouco de receio. A fulana enfim figura enfim fomento, descobriu-se um devir em criatura. Calaram-se em meio ao desafino, tornaram-se a pedra do caminho. Deu-se nome, vestes, roupas e soslaios. A Medusa descobriu-se e era esfinge. A discórdia ordenava suas cobras, que no seu cabelo todo se embolava. Eram filhas de seus pensamentos loucos. Quando um dia quis brigar com a beleza. Fez a deusa de Minerva seu destino. Transformando a mulher em criatura. Das madeixas que eram lindas e serventes, deu-lhe as formas de horrendas e vis serpentes.

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