O QUE VC QUER-PARTE 6


Parte 6
Ao ser bom para os outros eu não ganho nada. Um resto de consideração, é isso que eu ganho. E estou farto disso. Eu tenho mais o que fazer da minha vida. Então digo que se alguém pisar em mim, ou empatar minha vida, ou pro o dedo nas minhas feridas da existência, pode ler o que está escrito aqui; eu vou me vingar.
Eu não sei bem porque, mas eu sou assim. Esse sou eu. Eu alimento esse ódio no bolor de mim, na parte mais escondida, no lado mais sujo que cada um tem em si. E uma hora esse ódio vem. Daí eu lanço ele na cara de quem me feriu. É assim que eu sei viver, simples. E isso não me faz pior ou melhor que ninguém. É só isso. Eu não sei viver no raso dos sentimentos e emoções. Pra mim a vida é profunda, é subterrânea em nós mesmos. E essa porra de caderno é uma espécie de local de minha alma onde se encontram algumas verdades. E uma delas é a de que eu te odeio. Não consigo mais te amar, nem te admirar, nem ter vontade de você, e acho que nem mais saudade eu tenho. Mas está difícil deixar claro isso pra mim e pra você.
Porque eu aparento ser meio indeciso quase sempre. Mas veja bem, isso aqui que está escrito é literatura barata. Literatura guardada em gaveta há anos. Literatura corroída por gente barata. Literatura de gente barata. E apesar de ser literatura é real e concreto, porque faz parte daquele mundo de sensação e sentimentos que eu carrego junto a mim. Te peço que você vá embora, que saia de perto. Que eu já te perdi faz tempo, e esse é o último dia dos anos em que vivemos juntos. Não tem mais cabimento, mesmo porque odeio fantasmas. E você se tornou mais um deles em minha vida. Fantasmas que levam a vida cotidiana junto comigo. Fantasmas que me acompanham nos momentos bons e nos momentos em que eu precisar, mesmo que não saibam viver e fazer nada ou não consigam reagir. Por isso sei reconhecer fantasmas, vivem assim, nesse estado de morte-vida, como se fossem zumbis, como se fossem morto-vivo.
Está vendo, foi eu te mandar embora que eles retornaram. Eu sei o que é que eles querem. Eu sei o que é ser morto-vivo. É estar na vida não estando, é fazer a maior força possível para não aparecer, é só fazer algumas aparições no meio das situações, é acreditar que ainda se vive e que se deseja morrer, é acreditar que se está morto mas que se deseja a vida. Está aí como vampirismo é estado morto-vivo. E isso pra mim é coisa do passado. Eu cansei de ser morto-vivo, eu aceito a existência deles, eu respeito o ponto de vista deles, mas não quero ser um deles, nem que estejam a meu lado. Então, moribunda, vá se embora, e é pra sempre.

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