OFICINA

(fotografia, andre nunes, santos, 2007)


Mas eis que o suposto leitor, antes mesmo de iniciar essa leitura, nos questiona numa espécie de conversação:
_ Oficina?
É, caro leitor, oficina Lugar de ofícios. Dessas que cotidianamente vemos num passeio pelos arredores da cidade. Instaladas em garagens de casas, em pontos comerciais de pequeno porte ou em algumas portas de estabelecimentos onde o espaço de circulação dos cidadãos se dá, são nelas, nas oficinas, que sempre algum ofício é passível e possível de ser desenvolvido.
De costuras, sapatos, marcenarias, mecânicas, culinárias, brinquedos, músicas, teatros, fotografias, leituras, tapeçarias, bordados, crochês, tricôs, pinturas, estamparias, papéis artesanais, artesanatos, velas, sabonetes, gravuras, escritas, colagens, imagens... Produções da produção humana.
No interior delas cotidianamente há uma invenção de ofícios. Ofícios esses desempenhados pelo trabalho humano. Trabalho realizado a partir de uma dobra estabelecida através da troca possível entre uma demanda externa e uma potência interna do indivíduo, ou vice versa. Ação desencadeada pelo desdobramento do trabalhador em contato com seus instrumentos de feitio, seus saberes experimentados e acumulados no decorrer do tempo e do espaço no qual o mesmo se envolve com a ação de trabalhar, transformar a matéria, exercer seu poder de agir.
Poder este estabelecido através das relações entre seus contemporâneos. Poder contratual de mostrar que é pela ação que grande parte dos acontecimentos humanos apresentam-se ao mundo coletivo. Poder de se configurar enquanto sujeito da história e não mero objeto adaptativo.
Afinal, compartilhamos da afirmação de PAULO FREIRE, quando um dia assim escreveu:
“Minha presença no mundo não é de quem a ele se adapta, mas de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história”.
Pois que essa seja também nossa primeira marca a ser talhada em nossas matrizes subjetivas. Marcadas em algum momento do processo da vida no corpo/existência por exclusões, e que daí viu surgir impressões horríveis, repletas de sofrimento e solidão.
Que então as novas marcas sejam feitas pela via do ofício de gravar madeira. Xilogravar. Tendo a xilogravura como pretexto da possibilidade peculiar de expressão do lugar de sujeito da história da vida de cada um de nós.
Então, arregacemos as mangas e: _ “MÃOS À OBRA!”.

Comentários

Postagens mais visitadas