PEDRA-TEMPO parte 0


..................., estou procurando, estou procurando, estou procurando uma terceira pedra que pode me por novamente no eixo e procuro nas pedras em seus antigos seixos aquilo que nunca antes tive mas achava que tinha e a pedra me dava apoio a pedra e seus eixos apoiavam isso que os dias trazem para mim
ás vezes eu sentia que essa terceira pedra que hoje me escapou e eu nem sei aonde iniciar essa procura ás vezes eu sentia que essa terceira pedra já era minha mas não e hoje percebi que essa terceira pedra já era minha mas não e hoje percebi que nunca tive essa firmeza de pedra
agora tenho que me arrumar com o que ainda sobrou da saudade da pedra pois mesmo sem nunca tê-la tido era como se fizesse parte de meu solo subterrâneo e parte do que ainda havia por vir
e escavando as palavras que agora jorram sem muito saber cavouquei-as num terreno antes pensado apenas árido
que no princípio dos tempos não era árido e verdejava esperanças – o bicho verde – que se alimentava de um fabuloso capim rasteiro desses que se espalham como farpas ou como pragas nos campos de pastagem do viver de gordos gados
as palavras que agora suprem a falta da terceira pedra talvez não consigam repor o que nunca antes foi meu e elas não repõem nada nunca elas apenas contentam o buraco que a pedra deixou
de iguarias bestas que sempre me vi suprindo aos contentamentos foscos dos dias atravessados pela pedra que achava ser minha onde risadas eram dadas e conversas trocadas mesmo que a sensação de não entendimento fosse tida mas somente hoje quando caiu sobre meus pensamentos a falta que senti da pedra é que entendi que conversas gastas são trocadas em muitos cantos de recantos conhecidos e quando deparei que estava na gastura de sentir falta de pedra e sentir a conversa gasta de desejar pedra amoladora de prosa antes que havia percebi que a pedra que amolava as facas cortantes era instrumento de entender: agora
nas ruas andava e perambulava muito querendo ter visão de pedra mas tudo estava tampado tampado de objetos outros que não a pedra que eu queria e nem achava nas topadas que dava e não tinha meio de caminho e eu queria achar essa pedra no meio do caminho porém ela não estava para ser encontrada
um sumidouro coletivo de pedras que enfim me perguntava se teriam todas escapado hoje onde antes a via pedra havia de pedras era estrada porosa e todas não estavam mais lá
levantei como quem desperta de um sono abismal e não traz na carne nem resvalo de cicatriz ou ferida de arranhado qualquer e me limpei como quem se limpa de limbo e acorda e se vê repleto do grosso mingau amarelo vazado dos olhos numa espécie purulenta de lembranças que alimentaram-se do meu sono que sonhava querer pedra e acordava e via o mingau vazado nos cantos dos olhos e ainda não era suficiente para saciar a fome de querer que a pedra fosse mesmo era parte de mim
barranco abaixo não rolara e tinha visto que a pedra havia de estar por perto pois uma pedra não escapa como escapam as pessoas contudo mesmo sem achá-la tenho hoje que iniciar a arrumação do que sobrou do antes pedra que queria muito
com os pés no chão como quem pisa em pedra acordei de sobressalto sentindo a carne sola resvalando no chão concreto que antes era casa mas que hoje não havia nome para dar ás pedras postas na parede revestidora do teto que cobria esse corpo despertado
e logo que assim feito abri-me a caminhar por entre os seres objetos que circundavam plantados na pedra do solo revestida de camadas cirúrgicas de asfalto recém implantadas fui ter com os meus uma qualidade de entrave outra e sabia sentir a falta da pedra e sabia que aquilo seria absorto por demais aos outros e me calando ressoei bons dias que antes eram melhores mas a falta sempre incomoda e a pedra era hoje falta
dos cafés que tomei em matinal despertar do corpo aquele foi por demais sem pedra pedra era o que necessitava e o dia iniciara sem rumo e sem eixo e eram nem mesmo as horas que os magros ponteiros do relógio mostravam aos olhos era tudo sem sentido
era tudo sem rumo e rumando a rua após limpar a carne das sujeiras vistas nos sonhos eu queria mesmo era ter certeza de encontrar no meio do caminho ela mas sabia ser isso tudo ledo engano pois a pedra não seria mais encontrada e o bicho verde pousado na janela esperançava em alegrias friccionadas como lascas dela a fazer fogos paleolíticos ao céu era meu todo desejo de tê-la novamente
dos miolos sobrantes do antes pão amanhecido preenchi o corpo esvaziado pelas saudades com sobras de migalhas que banhavam-se nos respingos de cafés derrubados pela mesa onde recantos de margarina ensebavam a faca desamolada do que ontem ontem mesmo ainda estava afiançado na ilusória certeza de tê-la comigo
sentir o agora era mais do que isso era algo que passa logo e ela há tempos já habitava aqui e nem sabia-se cá e eu com meus pedreiros pensares sabia que era pouco o que havia tido e visto pois ela já tinha estado antes e havia por demais razão não querer mais se mostrar... com tato que ainda me sobrava procurei contato outro para aguentar essa espécie de não
não e agora queria mesmo era saber que outras eram minhas vontades e vontades haviam de se ter várias mas a pedra que era uma falta de pedra que como já foi dito certamente e era isso já experiência acumulada em minha vida era pedra quem traria a amolação dessa conversa toda que passo agora a demolir
somente percebi que outras formas haviam e nem sempre era perfeito o agora não era nada disso mais era antes que resvalava no então e era quase que adentrava os caramujos dela e eu estava obsecado estava a procura e sabia que nem saindo dessa pedra que recobria meu cômodo lar eu haveria de trazê-la de volta ao meu encontro
vaguei por tempos atrás de issos que fizessem com que eu acalmasse e nada nem a cama nem a nata nem a navalha eram codificantes disso que atormentava meus devaneios de saudade
eu queria um fim grosseiro para essa tentativa de encontro que não se acabava nunca pois nunca havia existido mas como já foi dito o benedito já disse antes que o dito se foi e a pedra não

Comentários

Linda Graal disse…
Que maravilha essa terceira pedra...os descaminhos, as palavras que preenchem o buraco desta que se procura!

a pedra não...o pedra-tempo sim total!!!

amplexos!

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