QUALICÁPSULAS



Saudações visitante, tenho sentido cada vez mais necessidade de escrever, de colocar as idéias em ordem através da escrita. Cada vez que posto algo nesse blog, parece que um certo alívio se instala. Porque a medida que me desprendo de toda essa parafernália que guardo por anos em meu computador, um movimento realmente novo surge e passo a dar vazão a um discurso que aparentemente soa caótico, mas que tem uma unidade qualquer. Revendo o já publicado fui percebendo que isso aqui está parecendo um caderno de campo de um antropólogo, um diário de bordo, um livro de artista que guarda aquilo que se cria e aquilo que a vida trouxe por tanto tempo. E tenho que admitir, é necessária certa dose de coragem para se expor assim, digo coragem em dois sentidos. Coragem no sentido de agir com coração; e coragem no sentido de mostrar que conhecimento é algo que nunca está pronto, não se fecha. Diria que escrever e publicar tem haver com um processo de educação permanente, tem a ver com se tornar facilitador nas ações de saúde. Um desencademaneto de produções. Eu fiquei agora aqui pensando que isso parece-se com a clinica cotidiana, seriam esses trate-textos? Muitas vezes quando se entra em um atendimento e dirije-se um pedaço de papel em branco ao paciente na tentativa de junto compor algo, isso soa como um desafio. É um ato desafiador. Postar naquele suporte algo novo, algo que desvela a relação. O mesmo se apresenta aqui. Um desafio diário, publicar alguma coisa que preste, no sentido de ter presteza, alguma coisa que possa produzir um sentido, qualquer que seja. Isso aqui está me ajudando, e muito, num dos maiores desafios instalados na terapia ocupacional,por exemplo. O desafio de escrever e mostrar aos demais aquilo que isoladamente muitas vezes escrevemos e produzimos. Mostrar isso a você, visitante, tem sido uma atividade prazerosa. Fiquei imaginando que tantas críticas há dentro da profissão, onde outros profissionais reclamam dizendo que os T.Os escrevem pouco, produzem pouco. Se tornassemos os blogs um suporte para isso, que tipo de revolução teríamos? Instalar uma produção que não necessariamente é acadêmica mas que está muito mais próxima da postura profissional da clínica onde em muito estamos com, estamos juntos, estamos ao lado e não do outro lado da mesa daqueles a quem prestamos cuidados. Escrever e mostrar, mostrar assim mesmo, desse jeito aqui... é que muita gente já me disse: você devia fazer um mestrado. Então, tomei a liberdade de agora aqui declarar o porque não tenho essa pretensão. Fazer um mestrado para que? Para ser professor? Não gosto de dar aula, nunca gostei. E as experiências que tive acompanhando alunos foram, com perdão da sinceridade, uma merda muito grande. O que ali percebi e cada vez mais acredito é que: estagiários são treinados para destruir todo e qualquer conhecimento prático, todo e qualquer conhecimento instalado na prática. Não gosto de estagiários. Quase todos que estiveram juntos comigo , tinham uma prepotência que impedia qualquer tentativa de composição em conjunto, talvez pela suposta grandiosidade da universidade em que aprenderam alienadamente a criticar. Salvo raras exceções. E então pensei nisso muito, e tomei a decisão: para que alimentar esses porcos? Estou fora disso. Outra questão, acho a universidade um meio muito engessado, de uma rigidez desnecessária. Para que? Tô fora, eles, visitante, estão ilhados, parecem peixes engessados em tamanhas restrições que qualquer movimento que instale algo mais libertário, logo é desfeito. Poderes visitantes, poderes. E também tem aquele movimento de sedução constante, parecem vampiros sedentos de novidades, sempre se vêem as voltas com quem está no batente produzindo no cotidiano experiências e experimentos . Eu que sei como isso se dá, não é atoa que digo isso aqui, é o único meio que consegui de colocar essa crítica sobre um processo que atualmente se dá em um dos locais em que trabalho. Lá a gente vem sofrendo um "processo de qualificação", e o duro é ter de aguentar gente totalmente despreparada com a prática realizando isso. Dureza! Fiquei pensando, em tempos internéticos, para que vou me enfiar numa universidade? Se aqui as trocas também são possíveis. É, visitante, vou fechar esse mês chutando o balde. Meu compromisso é com qualidade de vida, e não com as QUALICÁPSULAS quaisquer.

Comentários

Rose666 disse…
LINDO!!!! LINDO!!! LINDO!!!
E QUE AS NOSSAS SERPENTES CEREBRAIS
SE MANIFESTEM EM PALAVRAS E AÇÕES E ROMPENDO ASSIM NOSSAS CRISTALIZAÇÕES E ASSIM NÃO SEJAMOS MAIS ESTATUAS EM EXPOSIÇÃO DO QUE REPRESENTARIA AS VERDADEIRAS AÇÕES - VIVIDAS.
O VERBO É CRIADOR!!! E RECRIADOR
O VERBO É MANTRA - MANTRA É ENERGIA EM AÇÃO - CARREGA NO SOM O DESEJO QUE VIRA TRANSFORMAÇÃO - E NA AÇÃO A CONCRETIZAÇÃO
NAMASTÊ ANDRÉ
ROSELI

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