SOB CONTROLE

(fotografia, andre nunes, 2007)

Não te amarres, não te prendas a essas impressões auto-referentes. O Mundo te arranca pelas vias enclausuradas do dentro. Desde a morte da História, não há mais sujeitos, apenas restos. Não te apresses a achar sentidos tolos no percorrer das linhas aqui postas a outros deleites. Guarde dentro de seu fel, insosso e úmido, as certezas que os nomes ditos te atravessam tal qual balas. São perdidas as razões as quais transpõe, toda essa nervura desgarrada. Desgarro-soltura do limbo estado de sua perturbada crueldade. Ah, visitante, te aviso por entre meios , de todos os medos que tens dessa língua pavorosa a qual fazes uso nesse instante. Te revelo os relevos das sordidezas mais escrotas que carrego e guardo a sete chaves nessa terra ocupada de vileza sempre rasteira. Você, não só serve-se de meus segredos e cuidados como também desfaz-se ao menor toque do fonema maquinado. Desvirtuar-se... é nas reentrâncias que esse movimento des-territorializante opera. E sendo rasteiro, como um escorpião, não ataca por prazer. O veneno dilatado é pura defesa, contra esse controle total. Te mata por dentro e você nem percebe. Mas há outros que compadecem disso que brota ainda de ti. São tolos bem aja visto. E te assopro nos ouvidos essas frases que dispões ás crianças tolas que buscam em ti espécie de conforto. Vai-te à Rua, Vai, e o que seja sombrio te carregue por saber. Hei de ditar, no fundo de tudo, que a pior guerra existente é essa que travas consigo mesmo. O Mundo é sua salvação, não há porque estar morto. E hei de depois matar-te novamente, para que o novo venha dentro de ti. Porque, visitante, nenhum controle controla totalmente.

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