APROXIMADAMENTE... QUASE


Buenas, buenas visitante. Ontem o que te postei ficou muito distante do que vinha te mostrando até então? Eu penso que não. Sabe porque, a técnica é uma forma de pensar, de compreender a relação da matéria com os processos, a técnica é um recurso? O que eu sei, é que essa palavra, recurso, é utilizada constantemente na clínica para descrever meios que aplicamos para chegar a um fim, meios para resolver problemas. A técnica é da ordem dos procedimentos... é o que consigo te dizer por enquanto. E para complicar mais ainda te pergunto: A Atividade é um recurso? É um procedimento da técnica? Existe Atividade terapêutica?Visitante, para mim não existe Atividade terapêutica. Mas vamos cair fora dessa discussão, eu vou cair fora, porque esse é terreno complexo para minhas idéias de então, e eu não estou a fim de adentrar nesse momento nessa onda, mas para frente retomaremos, ok?
O que tenho para te mostrar, é um conhecimento compartilhado pelo Coletivo de Estudos Terapia Ocupacional como Produção de Vida , de Botucatu-SP, organizado pela terapeuta ocupacional Mariângela Quarentei.
Para nós, Atividade é uma questão de DEVIR sempre inacabado, sempre em vias de fazer-se e que extravasa qualquer matéria viável ou vivida. É um processo continuo, uma passagem de vida que atravessa o vivível e o vivido. Atividade é um agenciamento coletivo de enunciação, é inseparável do DEVIR. É vida em exercício de potência. DEVIR é processo, é encadeamento um ao outro em linguagem particular, é inacabado, extravasa a matéria
Todo desvio é um devir mortal, sem modelo, sem forma, sem linearidade. A doença é um desvio, é uma ruptura do processo, é uma interrupção. Interrompe o desejo. O desejo é desejo de produzir vontade de potência.




“ AO DESEJO NÃO FALTA NADA” ( Deleuze).





NA ATIVIDADE VOCÊ SE TORNA OUTRO AO OUTRO. Atividade é uma “espécie” de ENCONTRO.
E nessa atividade, visitante, nessa aqui de você acessando o maquinomovel, lendo essas palavras, a gente estabelece um ENCONTRO. Daí nós, do Coletivo te perguntamos: PARA ONDE AS COISAS VÃO QUANDO NÃO SE ATRIBUI VALOR?
Passo então a dar textura, a tornar texto, um encontro realizado em Botucatu em 2005, na tentativa de mostrar o APROXIMADAMENTE, presente na fórmula da maquinoativação. Como? Sim, a maquinoativação, é um processo. Como? Como nunca se falou sobre processo? Nunca ninguém falou que desejo não era falta? Ao mesmo tempo que te mostro a maquinoativação, te mostro também como o Coletivo de Estudos T.O como produção de vida, opera na composição de saberes.
Isso aqui, visitante, mais uma vez te digo, é um processo. Processo de Encontro, um aproximadamente. São zonas de comunidade, de comunicabilidade. Apaixonamentos, contatos com zonas de diferença, projeção de projeto de felicidade. Processo de olhar o outro a partir do coletivo mais do que o individual.
Quarentei nos aproximou de Espinosa, promoveu esse primeiro encontro com esse filósofo. Para Espinosa o filósofo é um polidor de lentes que é através de onde as pessoas podem enxergar. Um dia ele sofreu uma tentativa de assassinato, estava vestindo um casaco. E ele, ele nunca mais tirou o casaco de perto que era para manter viva a idéia do que as idéias das pessoas podem provocar. Estava com aquele casaco que era para ele não esquecer do acontecido.





VOCÊ SABE O QUE REALMENTE EXISTE?





Para Espinosa, são os CORPOS, não, não... as únicas coisas que existem são OS ENCONTROS DOS CORPOS. A única coisa que existe é ENCONTRO DE CORPOS? É dizer que entidades individuadas não existem. Tudo que existe é CORPO e ENCONTRO.
O que é CORPO para Espinosa? Na real, existente, é o que acontece entre os corpos. É só isso que existe. E o tempo todo é isso. O QUE É CORPO? Parede, cor da parede, uma lembrança, uma má idéia, um olhar, um sentimento... tudo é CORPO.
TODO CORPO É UM INFINITO DE CORPOS.
MORTE É QUANDO NÃO HÁ ENCONTRO.
ANGÚSTIA DA MORTE É DO QUE NÃO VAI CONSEGUIR, DA IMPOSSIBILIDADE DO ENCONTRO.
Um CORPO é um infinito de corpos e de individualidades. Cada corpo se desdobra ao infinito, CADA CORPO SE DESDOBRA AO INFINITO= ESSA É UMA DAS FONTES DA IDÉIA DE PROCESSO EM DELEUZE E GUATTARI.
Para Espinosa, CORPO É POTÊNCIA, CORPO PODE, POTÊNCIA DE AFETAÇÃO. Essa Potência de afetação é potência de afetar e de ser afetado.





FORÇA TAMBÉM É UMA AÇÃO NO ESTAR COM O OUTRO.





Tratar é um corpo. O tratamento é um outro corpo. O que existe é o encontro dos corpos ou os corpos que encontro. existência, vivo, vivente, extremamente encarnado. Existência é vivo/vida.
O que existe?
São corpos.
Não.
É o encontro dos corpos.
O que acontece? O ACONTECIMENTO.
No encontro da T.O com a Arte, o que existe? O que exite é o encontro, mas o que acontece é o desdobramento ao infinito.Potência como desdobramento, ao infinito...





“DESEJO É DESDOBRAR-SE AO INFINITO” ( Deleuze)

No encontro os corpos são potência de afetação, que se dá através de duas grandezas:



  • AFETAR E SER AFETADO

  • VELOCIDADE: ACELERAÇÃO OU RETARDAMENTO


O que acontece entre eles é a potência de efetuação da afetação entre si.
Os corpos compõe ou decompõe.
Dos corpos nem dos encontros não é possível saber nada. Mas sim do EFEITO dos encontros nos corpos. Não se sabe NADA APRIORI, NENHUM SABER É GARANTIDO.
O QUE PODE UM CORPO? Eu não sei. Só posso saber NO ENCONTRO.
No encontro os corpos efetuam suas potências. A cada encontro serão efetuadas e solicitadas. Eu não sei o que vai acontecer.



UM ACONTECIMENTO É UM CORPO



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Para mim a atividade é a matáfora do terapeuta

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