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Visitante, a toda Força, ponto de atuação, a confluência de pensamentos/corpos/massas engendra-se através da configuração de campos, fluxos e máquinas que incitam e impulsionam a produção de movimentos de ativação de outras Forças. Operando assim numa retroalimentação continua, como aquela Lei afirmada por Issac Newton alguns séculos atrás, onde o mesmo dizia que “Para cada ação há uma reação.”. Ou seja, conforme exista uma ação, ou melhor, um modo de ação, um modo outro de reação se estabelece. Isso acaba se repetindo numa multiplicidade de vezes, cada qual com um que de diferença, e alimentando um contínuo fluxo no qual e do qual a vida humana conflui em múltiplas vertentes. Pois bem, essa é a primeira vez que te mostro mais diretamente essa idéia presente na nomeação desse blog, o maquinomovel. Ele foi pensando como um lugar no mundo para que toda essa invenção que está sendo feita por nós, pois quando você me visita está de certa forma compondo essa idéia junto comigo, para que toda essa invenção pudesse ocupar, de algum modo, outra dimensão que não apenas meus devaneios. O maquinomovel é um componente de uma máquina maior, uma máquina que traz o nome de maquino-ativação. Hoje, a gente vai ficar com alguns pensamentos que rodeiam essas idéias da máquina e seus núcleos-desdobramentos.
“ Esse núcleo autopoiético da máquina é o que faz com que ela escape à estrutura, diferenciando-a e dando-lhe seu valor. A estrutura implica ciclos de retroações, põe em jogo um conceito de totalização que ela domina a partir de si mesma. É habitada por inputs e outputs que tendem a faze-la funcionar segundo um princípio de eterno retorno. A estrutura é assombrada por um desejo de eternidade. A máquina , ao contrário, é atormentada por um desejo de abolição. Sua emergência é acompanhada pela pane, pela catástrofe, pela morte que a ameaçam. Ela possui uma dimensão suplementar: a de uma alteridade que ela desenvolve sob diferentes formas. Essa alteridade afasta-a da estrutura, orientada a principio de homeomorfia. A diferença promovida pela autopoiese maquínica é fundada sobre o desequilíbrio, a prospecção de Universos virtuais longe do equilíbrio. E não se trata de uma ruptura de equilíbrio formal, mas de uma radical reconversão ontológica. A máquina depende sempre de elementos exteriores para poder existir como tal. Implica uma complementariedade não apenas com o homem que a fabrica, a faz funcionar ou a destrói, mas ela própria está em uma relação de alteridade com outras máquinas, atuais ou virtuais, enunciação “não-humana”, diagrama proto-subjetivo”.(Caosmose p.49-50)
Um proto-corpo? Um proto-copo. Um próton no copo de corpo, um próton do corpo no copo? Não, dois corpos não OCUPAM o mesmo espaço, como nos diz a 2a. Lei newtoniana.
E dá-se que a ação dos corpos, nos corpos, entre os corpos, conferem a esses uma dinâmica, um movimento. Retilíneo? Uniforme? Cíclico? Multifatorial? São jeitos e tentativas de se fazer uma forma outra de se pensar e discursar sobre esse fluxo contínuo de afetamentos e afetações entre os corpos. Modos de se operar discursos. Máquinas abstratas de discursos. Por máquinas, entendemos aquilo que Deleuze e Guatarri ousam enunciar em suas definições conceituais, que apontam sempre para questões controversas.
“ Embora seja comum tratar a máquina como um subconjunto da técnica, penso há muito tempo que é a problemática das técnicas que está na dependência das questões colocadas pelas máquinas e não o inverso. A máquina tornar-se-ia prévia à técnica ao invés de ser expressão dela” (Caosmose, p.45)
Como afirma Deleuze, "as máquinas não explicam nada, é preciso analisar os agenciamentos coletivos dos quais elas são apenas uma parte".Deleuze, Gilles. Conversações.
As máquinas, tanto a maquinomovel quanto a maquinoativação, aqui em parte apresentadas a você, visitante, foram pensadas primeiramente como uma lupa, ou uma lente, que pudessem expiar as ações humanas a partir de um recorte breve no fluxo continuo de atividades do qual a vida humana é feita. Máquinas enquanto agenciadores de bricolagens, agenciadores de esferas humanas nas atividades e ações. Mas a que forma de vida humana nos referimos?
A vida relacional entre interior e exterior do sujeito-dobra, vida num processo de subjetivação, vida durante, desenvolver-construção de processos-produções-produtos-processos-produções-produtos-processos...as máquinas operam linkando textos e textualidades como se fossem numa continua produção de produções, num continuo produtor de hipertextos. Ao mesmo tempo que linkam, visitante, as máquinas observam os territórios do desejo, seus relevos, relevam e revelam mapeamentos, cartografias singulares de trilhas ainda não trilhadas por estarem afiançadas- alinhavadas ao Devir.
“ Toda análise da esquizo-ocupação deve observar territórios, paisagens. É na rede do fazer que a atividade se abre e ganha sentidos múltiplos. Para isso é preciso sempre avaliar a atividade, o fazer, os conceitos da terapia ocupacional, outras instituições que atravessam este processo ? inclusive o próprio terapeuta ocupacional. Esta instabilidade não é um habitat exclusivo da terapia ocupacional. Percebemos que nesta insuportabilidade de passagem pelo caos, os saberes, as profissões, inclusive a terapia ocupacional, muitas vezes se rendem aos modelos formatados pelos saberes hegemônicos, criando metodologias que beiram a uma espécie de ‘fundamentalismo científico’. Queremos afirmar que há aqui uma tensão para a terapia ocupacional: estar em exercício constante de análise, estar produzindo metodologias singulares, inventando trilhas ainda não trilhadas como exercício da esquizo-ocupação é potencializar uma terapia ocupacional crítica e ética. Tal atividade poderá sugerir? para nosso pavor? que a terapia ocupacional é um saber desqualificado, não sistematizado, classificado como precário de fundamentos teóricos. É um confronto gigantesco a que não podemos mais nos furtar. É um exercício de militância, de criação de novas possibilidades no mundo. Identificamos ser necessária a criação de estratégias para, no confronto entre as distintas instituições que nos atravessam, sobrevivermos às batalhas criando novas formas de existência. Diante do que colocamos, reafirmamos a faceta política para o que propomos como esquizo-ocupação.”
http://www.crefito3.com.br/revista/usp/a2004v15n01/pdf/p11-16.pdf
textos-base:


COSTA M. C.; ALMEIDA, M. V. M. Esquizo-ocupação: uma ferramenta de análise da instituição
Terapia Ocupacional. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 15, n. 1, p. 11-6, jan./abr., 2004.
Deleuze, Gilles. Conversações. Tradução Peter Pál Pelbart. Rio de Janeiro: ed. 34, 1992:
GUATARRI, F. Caosmose, Ed.34, São Paulo, 1998

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