OCUPAÇÃO LIMITE


Um limite posto entre clínica , arte e vida. Essa é, visitante, a principal ocupação-desafio desse exercício esquizo, desafio de construirmos máquinas desejantes, máquinas de guerrilhas para edificação de novas formas de se referir as terapias ocupacionais existentes nas novas práticas desenvolvidas por profissionais dessa área de fronteira, fronteira limite. Tomando por base o termo ANÁLIDE DE ATIVIDADE, o autor do livro “ Corpo e Arte em Terapia Ocupacional” Marcus Vinícius de Almeida, propõe que nós pensemos modos de agenciamentos para a construção e constituição de nossos conhecimentos.
Pois bem, como já te disse, anteriormente, o termo “máquina” mostrou-se um “lugar” possível de investigação e ocupação. Sobre elas iniciei minhas pesquisas e levantamentos bibliográficos e muita, muita imaginação e reflexão.
Ajuntando em partes os discursos realizados, acabei potencializando os mesmos pelo pensamento de Guatarri em seu livro “Caosmose, um novo paradigma estético”, e assim inventar uma fórmula que consiste numa possibilidade de escrita matemática que traduz em plano meu pensamento aproximado de uma realidade.
A fórmula é:
onde cada um desses elementos destina-se a traduzir um pensamento complexo e inquietante, condizente a questões presentes na contemporaneidade, contemporaneidade na qual todos estamos imersos.
M@ = maquinoativação
é um derivado da análise de atividades e ao mesmo tempo a tradução de uma engrenagem complexa na qual é possível estabelecer um discurso sobre um modo de se fazer -pensar-saber uma terapia ocupacional .É verdade que assim que me debrucei sobre esse estudo, percebi que isso estava muito além do que os conhecimentos de T.O tem me mostrado ultimamente. Mas peço permissão a você, visitante, para continuar, paraque essa inventividade maquínica possa ser demonstrada, visto que é sobre ela que minha aproximação dos acontecimentos tem se tentado fazer, afinal, “ o maquinismo é objeto de fascinação, as vezes de delírios” (Guatarri, Caosmose, pg.45)
Antes que passemos a demostração da maquinoativação, gostaria de dividir contigo duas reflexões que serão importantes nos suplementos presentes na máquina. Guatarri pontua que " embora seja comum tratar a máquina como um subconjunto da técnica, penso que há muito tempo que é a problemática das técnicas que está na dependência das questões colocadas pelas máquinas e não o inverso. A máquina tornar-se-ia prévia á técnica, ao invés de ser expressão desta' ( Guatarri, Caosmose, pg. 45)
Pois bem quanto a técnica-techne, passemos a Heidegger que atribui a techne uma missão de ''desvelamento da verdade” que ”vai buscar ao verdadeiro através do exato”. Ou ainda como pontua CRAIA, 2006, “ A técnica como forma contemporânea de pensar a coisa, mas sem considerar a própria coisa como instância acabada. Isto implica que aquilo que se formata nas velocidades quase infinitas da contemporaneidade, os entes e indivíduos que, a partir da ontogênese, se singularizam, não sofrem de “irrealidade” ou de inexatidão. Pelo contrário, a coisa, o individuo, se sente tranqüilo no meio da técnica, porque as forças e velocidades desta nada acrescentam ao seu modo íntimo de ser. A técnica, como chancela de nossos dias só imprimiu uma certa velocidade ao processo de atualização. Assim, manteve o virtual, mas o aproveito melhor. A técnica atualiza mais vetores de virtualidade, não melhor, mas diferente.
Esta característica central que surge da coisa, agora assumida como individuo que atualiza algumas faces de realidade virtual, nos coloca perante a grande questão da produção. A técnica produz, e produção aqui não deve ser pensada segundo os moldes da categoria moderna de produção. Contrariamente, produção quer dizer atualização e dramatização...Produzir não implica dar forma acabada, mas capturar blocos de virtualidade atualizá-los e combiná-los com outros blocos atualizados. Não é outro o sentido de agenciamento de máquinas. Criar máquinas quer dizer, não fazer coisas engenhos, sejam estes mecânicos ou semióticos, mas agenciar formas atualizadas entre elas. Assim, aquilo que se dramatiza a partir da realidade virtual, pré-individual e intensiva, se combina com outros indivíduos, entendidos como multiplicidade, também atualizados que mantém uma face voltada ao virtual. Neste sentido, Arnauld Villani diz, falando em termos gerais da filosofia deleuziana: “(...) é uma metafísica das ‘multiplicidades e das singularidades’, que permite a emergência do novo e requer, entre outras coisas, uma univocidade do Ser, (...)” (Alliez, 2000, p.39) (Negrito nosso.)” ( CRAIA, 2003, p.276)


Textos base:


ALMEIDA, M.V. " Arte e Corpo em Terapia Ocupacional, ENELIVROS, RJ, 2006.

CRAIA, E.C.P, GILLES DELEUZE E A QUESTÃO DA TÉCNICA, tese-Doutorado apresentada ao Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas-SP, 2003


GUATARRI, F. CAOSMOSE: UM NOVO PARADIGMA ESTÉTICO, Ed. 34

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