CLÍNICA DILUÍDA?



Ok, por tempos estive distante da máquina visto que estava preso em compromissos outros da esfera do trabalho e esse, por exigirem de mim forças tantas fizeram com que eu me afastasse da maquinoativação por um tempo. O fato é que ela não deixou de ser pensada num dia sequer, tamanho carinho alimento por essa idéia e vejo hoje que esse carinho opera na lógica de um cuidado. Como se eu estivesse dando a isso aqui, visitante a amplitude daquilo que denominam, na contemporaneidade, “clínica ampliada”. você já ouviu falar dessa tal “clínica”? Pois bem, há pouco me especializei enquanto facilitador em educação permanente em saúde pela ESNP-FIOCRUZ e num dos livros a idéia de clínica ampliada está explanada de uma maneira bastante sucinta porém com uma clareza relevante. Agora passo a você, visitante, as idéias-palavras escritas no livro amarelo: UNIDADE DE APRENDIZAGEM TRABALHO E RELAÇÕES NA PRODUÇÃO DO CUIDADO, referentes ao termo CLÍNICA AMPLIADA.
Lá encontramos a seguinte definição de CAMPOS(1996):
“ uma clínica que inclua além da doença, a pessoa e seu contexto e se responsabilize tanto com a cura e a reabilitação quanto com a prevenção e a proteção individual e coletiva. Uma clínica que consiga compreender de forma ampliada o processo de adoecimento e sofrimento do usuário e elaborar projetos terapêuticos singulares com ações que visem intervir nas diversas dimensões relacionadas ao adoecimento e ao sofrimento. Enfim, uma clínica com compromisso com a produção de saúde , de vida... ressalta a importância de projetos terapêuticos terem como referência a construção de autonomia do usuário, ou seja, contribuir para aumentar a sua capacidade de enfrentar os problemas de saúde a partir de condições concretas de vida, de instruir novos modos de vida, de ser protagonista na produção da saúde e de si. Isso significa possibilitar o conhecimento sobre o processo de saúde-doença-restabelecimento, dialogar com os saberes, os valores e desejos do usuário na construção dos cuidados da saúde.” (p.61).
Pois é, acho interessante esse conceito de clínica ampliada porque ele vem a tona enquanto tentativa de se estruturar uma ação em saúde contra hegemônica, ou seja, ele opera na tentativa de instrumentalização ideológica dos profissionais para que novas práticas de construção de práticas outras possam ser efetuadas.
Contudo visitante, fiquei a pensar se essa máquina aqui ia ao encontro dessa idéia ampliada e pensei que talvez o que a maquinoativação se proponha a fazer está para “além dessa ampliação”. Penso que nessa sociedade de transição na qual estamos vivendo, onde os pensamentos modernos e os pensamentos pós moderno enfrentam-se a cada ação estabelecida, EU ( que na pós modernidade deixará de existir enquanto idéia centrada de sujeito... mas isso é outro papo... voltemos) comecei a analisar essa atividade de escrita e nisso percebi que ela continha uma potência forte de afetação, percebi que isso estava para além da tal clínica ampliada, mas de uma certa forma era também feita com um cuidado ímpar, comecei a perceber as pequenas ações onde me via fazendo e pensando, e isso aproximava-se de estar presente, estar de corpo presente nas coisas que fazia, e isso que te escrevo agora, pode parecer um tanto quanto caótico e incompreensível, mas deixe que eu termine e chegue a idéia que quero te passar, visitante... pois bem, fui percebendo que quando nos realizamos uma ação no mundo ela de qualquer forma que seja feita é feita com cuidado, as vezes o cuidado está desapercebido as vezes remete ao tal descuido, as vezes é super cuidado tal qual uma superproteção na forma de cuidado, mas enfim de 8 a 80 na lógica do cuidado, SEMPRE, DISSE SEMPRE HÁ CUIDADO. E a maquinoativação talvez, e tenho que tomar cuidado com essa palavra talvez, visto que anteriormente te disse que TALVEZ É QUASE, E QUASE É APROXIMADAMENTE, mas enfim TALVEZ A MAQUINAOTIVAÇÃO SEJA UMA MÁQUINA DE PROCESSAMENTO SÍNTÉTICO- PORQUE SEU CHAMARIZ É FEITO EM PALAVRAS SÍNTESE- mas retomemos, TALVEZ A MAQUINOATIVAÇÃO SEJA UMA MÁQUINA DE PROCESSAMENTO SINTÉTICO DE CLÍNICA DILUÍDA.
Clínica diluída? Sim, fico a pensar que todas a ações terapêuticas, e principalmente as da terapia ocupacional onde a questão das atividades-ações-ocupações estão fortemente presentes, tem por objetivo final a possibilidade de criar nas pessoas outras potências de fazer, seja mais consciente, seja com menor sofrimentos, enfim... e em cada fazer, em cada phenômeno do fazer há um quê de cuidado, um quê clínico, entendo esse clínico enquanto cuidado frente a vida, frente a si e aos outros. T alvez essa aproximação, essa diluição da clínica, seja mais evidente nas atividades ARTÍSTICAS...., no campo da ARTE... enfim, visitante, aos poucos retomo um jeito mais próprio de te passar essas idéias, por enquanto ficamos por aqui...



PROTO-EXEMPLO DO INDIZÍVEL:
maquinoativação= (ph= homem em atividade plástico-expressiva) p1-phorma= desenho em tela branca e preta, caneta piloto...)- p2- poesis- pintura, desnho ou vídeo-performance? - p3 pathos- alegria/prazer (ouça como ele respira e cantarola!!!) - p4 praxis- riscar,documentar, estabelecer contato estético com materialidade, verbos conjugados quais foram a seu ver?????) / divisão -RR-rede relacional - rede internética... o vazio está no que isto produziu em vc, o devir em vc...


até
andré

Comentários

Rose666 disse…
Caro amigo que bom que retornou a postar!!
Gosto deste espaço virtual, aonde podemos dialogar fora da conturbação caótica do nosso cotidiano.
Permita que eu devaneie um pouco em cima da idéia de clínica ampliada, e clínica diluída.
Uso o termo “devaneio” ao “filosofar” , porque o primeiro pertence ao campo do êxtase existencial , estado dimensional da vivencia corporal e mental, o maithurna da criação. O segundo encontra-se aprisionado dentro dos ditames das esferas da realidade cientifica / racional.
De volta ao objetivo desta postagem , com toda certeza te conhecer e trabalhar contigo foi uma dádiva ! Têm o dom de ancorar e reorganização as ações e os pensamentos, desta forma as ações técnicas e teóricas ganham do processo formativo , ganhando grownding e corporalidade.
Essa “essa energia de terra” foi fundamental , pois deu chão, ancorou a minha pratica profissional enquanto psicóloga . Já que minhas ações e idéias assemelham-se a energia da água e do metal (ar) , essa fluidez possibilitou a diluição da identidade técnica e teórica e desta forma penetrar e vivenciar o encontro com o grave sofrimento psíquico. E neste encontro humano e desencarnado das mascaras que revestem os perfis e posturas das pseudo-s neutralidades psicoterapeuticas . Contudo toda fluidez necessita do campo terra para se corporificar e germinar , senão suas ações tornam-se um devir estéril e mutável, perdendo-se nas chamas de eternas “ re-ciações”.
Veja bem , tantos devaneios para te dizer que um elemento fundamental na clínica diluída é a postura do profissional , a capacidade de deluir-se no campo relacional com o outro , focando sempre as ações nas dimensões do existir e do devir do outro. Concebo que a diluição deva caber não só no campo das artes, bem como das psicoterapias , da terapia ocupacional, do serviço social, da enfermagem , da psiquiatria , dos serviços gerais e administrativos. Ela nasce da concepção e da coragem de estar em pele e osso dentro da ação de cuidar do sofrimento de seres humanos , respeitando suas formas de existir .
Peço desculpas aos seus leitores por essa forma um tanto mundano e doida de falar , inundando o texto de afetos, intimidades e sentimentos . Após esses longos dez anos de construção dentro desta eterna mutação relacional , não consigo escrever de forma acadêmica , não consigo formular idéias em que minha intimidade não esteja presente.
Espero que meus devaneios contribuam na construção da Maquinotivação de forma positiva , refiro-me a energia que se dilui e expande-se provocando sempre mutações e levando a outros devires.

Beijos
Namastê
Rose Montanari

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