-EM-RE-DES-CONS-TRU-IR



Santos, 01 de novembro de 2007.
Quando me deparei que estava girando com a maquinoativação pelo tempo desmedido do cotidiano, e que essa surgia para mim como uma espécie de lupa com a qual poderia observar aquilo que todo terapeuta repara nas pessoas eu logo me pus a questionar que raios estava eu fazendo com tudo isso que ia aos poucos sendo articulado e construído ao mesmo tempo em que se auto-desarticulava e re-des-cons-tru-ia. Pois veja bem, visitante, tamanha era meu desassossego que somente esse tempo todo depois, quase um mês sem escrever nada diretamente relativo a máquina foi que consegui sentar-me em frente a esse terminal e desalojar todo um linguajar de ideários que venho apresentar aqui . Trata-se de idéias em fase de construção, e não é uma construção qualquer, mas sim um jeito de re-des-cons-tru-ir essa parafernálica engenhoca. EREIGNIS VAO VER...um acontecimento só em Ser e tempo ocorrem, assim, simultaneamente e a essa conjunção, Heidegger dá nome de Ereignis, acontecimento. Se o ser fica muito mais claro para nós como verbo do que como substantivo, da mesma forma, o acontecimento é, de fato, antes um acontecer do que um evento (cabendo-lhe melhor a forma “Ereignen”). Isso porque Acontecimento é um termo que não se confunde com o uso trivial da palavra: um fato, por exemplo, a unificação da Comunidade Econômica Européia, que é visto como um “acontecimento”. Mas não se trata disso aqui, esses acontecimentos triviais são acontecimentos do ser (que dizer, a partir do ente), “entitativos”, portanto vinculados a uma metafísica. O existente, contudo, diz Trotignon, ele mesmo não tem história, ele torna-se destino dela e desta forma abre-se ao ser [temporalidade = acontecimento, acesso à abertura ontológica na assunção do destino do existente]. A história chega, diz ele, tem lugar no mundo na medida em que o existente compreende-se a si mesmo como desafio de seu próprio destino. Portanto, Ereignis jamais é, jamais se dá, ele simplesmente acontece-apropria (er-eignet-sich), dissolve-se no “ser enquanto acontecimento”. O pensamento, diz Heidegger, insere-se no Ereignis para dizê-lo a partir dele e em direção a ele (idem, p. 271). (2)
Eu te apresento, visitante, tudo isso aqui como uma espécie de texto, verás que aquilo que apresento aqui é algo extremamente caótico. Sabe de uma coisa, estou me dando essa liberdade, é isso mesmo, a liberdade de poder botar na língua a palavra que bem entender e que essa seja ouvida por seus olhos com um certo estranho contentamento, porque de tão estranha, a palavra estranha sempre é estranhamente estranhável, A tônica do estranhamento, que se dissimulou pelas estéticas modernas, ditou o aparecimento de novas poéticas que pudessem fundamentar uma arte nova, que tange os limites da representação. A decomposição e mesmo a destruição da língua surgem como características do estilo. Na verdade, elas passam a constituir um estilo em si. Este, que parece ser um deslocamento de práticas literárias, é também um deslocamento das práticas de sentido. A partir do estabelecimento de diferentes graus de estranhamento, surge dentro da língua uma nova língua, estrangeira e ao mesmo tempo sem ser estrangeira, que traz à luz potências sintáticas que tensionam a metáfora como possibilidade de apreensão do real. Podemos dizer que esta tensão se estabelece em dois níveis: Primeiro, jogando as palavras no seu significado extremo, para além do sentido que compreenderíamos como lógico ou pressuposto; segundo, quando este extremo passa a designar não apenas um conteúdo metafórico, mas uma instância paradoxal, que apenas poderia ser descrita como um delírio dentro da obra,(1) um texto repleto de neologismos, coisas semi-absurdas, porque o absurdo é muito perto disso que vivemos e nos acontece, eu , eu posso te chamar de absurdo? É que visitante beira um desconhecimento desacontecido que para esse texto aqui não mais regula muito, sabe como é...devir da palavra em fragmentação, devir de experimentação. Assim, eis como a metáfora é tensionada até o paradoxo. Cessa o sistema de semelhança, institui-se o Rizoma.
Observada do ponto de vista do rizoma deleuzeano, a experimentação literária pode ser caracterizada como “linhas de fuga”, descentralizações em diversas direções. Nas palavras do próprio Deleuze em um dos ensaios de Crítica e clínica: “Escrever é um caso de devir, … É um processo, ou seja, uma passagem de Vida que atravessa o vivível e o
vivido” (DELEUZE, 1997, p.11). Daí a necessidade de levar a metáfora ao seu ponto máximo de tensão, o devir não é encontrar uma fórmula, mas poder exprimir os imprevistos, instaurar zonas de vizinhanças com não importa o quê, desde que se criem meios literários para tal.(1)
todo ele desarticulado e a idéia de amizade anda as vezes como isso, desarticulada dos valores que nos ligam aos demais que estão ao nosso redor, mas opero nessa fase interfásica aparentemente inoperante, repara que aqui vem essa escrita que queria ter dito, é uma ideia escrita quase maquínica-automática, quase como uma idéia e brinde ao Dadá, ao Dali, ao de lá. E eu, absurdo, te apresento isso que uma vez ouvi da boca de uma mulher ordeira, é um trate-texto. Um trate-texto deleuziano sem ser, um resvalo de lispectoração das vias aéreas a serem comunicadas num susto-deliróide, eu me aventuro na terra sem paragem que é a terra escrita. Essa terra sem nome definitivo para um nada que seja verdejante e corpo-carne. Nas palavras de Deleuze: “quando o delírio recai no estado clínico, as palavras em nada mais desembocam, já não se ouve nem se vê coisa alguma através delas, exceto uma noite que perdeu sua história, suas cores e seus cantos. A literatura é uma saúde. (1)
Com o perdão da palavra licença eu agora te direi disso tudo que tem acontecido e que somente nessas cargas descarregadas posso te dizer. Eu vinha assim no mundo de antes mesmo dele aparecer assim, que esse buraco cavado de ausência tem a ver com seu jeito de levar treco-sina assim que fosse, um pedaço de algo que fosse pra tornar a vida um pouco mais suportável, ah, isso era seu destino meta pontuar ou não a frase tamanha é, a reviravolta dada... questão livre de multa, eu ia te dizer de como foi que o desassossego surgiu em meio a luz estralada do flash que surgiu em meio-dia na hora inteira, mas não me contive ao saber que fora excluído do processo, era isso mesmo, todas as pessoas que carrego foram abruptamente desconectadas do processo por um falta daquilo que o imortal da academia definiu como o “delicado essencial” mas que eu gosto mesmo de lembra a ordem de Calvino para esse novo milênio, foi leveza o que faltou. Mas não é de se estranhar que falte leveza tamanho ardiloso corpo toneleiro de pesares e discrenças. Mas isso é algo do passado, e foi e é e será sempre memorável, por mais que sua vida se apresente farta, sempre faltará esse restolho que perdeste, e para sempre aprenderás que mesquinhez e avareza foram os pathos responsáveis por isso que aconteceu. Os objetos iam surgindo em mira do olho de ver e cada qual tinha um tanto do reencantamento necessário, eu caminhava pelas ruas da cidade e vinha a pensar, haverá coisa mais humana que as cidades? Haverá conjunção maior de materialidade e atividade humana que a junção de matérias diferentes para construção de seus recantos protegidos? E que cada materialidade ali disposta numa intersecção diversa veio da mão-conhecimento de um outro de outro e de outro ... mostra-se hoje semi-destruido, mas pelas vias da cidade, ao deslocar o corpo pela mesma há uma verdadeira conversa estabelecida por esses cantos ruídos, uma beleza ímpar, e eu a me questionar: HAVERÁ BELEZA NO RESÍDUO? Por hora tinha em mente apenas admirar os cantos que fotografava... depois pus a pensar que aquilo tinha fortemente a ver com a desclassificação do coletivo da disputa por um lugar extra-muros, e que mesmo desconectados permanecíamos acontecendo-vivos... tudo metaforava o contexto, era difícil não se misturar ao resto de toda materialidade apresentada, mas que a medida que ia capturando com a lente aquilo-resíduo, eu ia percebendo que cartografava um meio de caminho onde as pedras foram postas por Pedros e outros tantos de nomes variados uma rede articulada de desconhecidos... taí, dei de cara com o resto de palavra que surgiu no resíduo trilhado. O que me acontece e aconteceu foi feito a partir de
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