PARANGO-LAR


Romero com Parangolé diante do WTC, 1972, Helio Oiticica/Projeto HO.



" O passado é ainda presente na memória, assim como o futuro, sempre começando a se realizar. É o tempo do momento (Kairos), o tempo dos acontecimentos, o tempo eventual... O acontecimento.
O acontecimento não é o ter-lugar: é o incomensurável do chegar a todo e qualquer ter-lugar, o incomensurável do espaçamento, da reprodução, do chegar a todo espaço disposto no presente de uma apresentação,(...) O acontecimento será a apresentação como gesto ou como moção, até como emoção, e como ex-posição fractal: a apresentação como fragmentação.
Acontecimento: incidente, ocorrência; parte de programa. os acontecimentos na arquitetura podem conter certos usos, funções particulares ou atividades isoladas. abrangem os momentos de paixão e tam,bém da morte. Os acontecimentos têm sua própria independência e sua própria lógica. Raramente são a consequência de seu contexto ou de circunstâncias à sua volta...
O acontecimento é mais que uma ocorrência/fato: o acontecimento tem uma "sobrevida". Sobrevive, continua a estar presente. O acontecimento e o presente estão sempre ligados, mas o tempo é pensado fora da continuidade histórica, a historicidade...
a desordem é necessária porque a força do Fragmento está precisamente em suas potencialidades anárquicas que provocam tensões. Podemos estão considerar a confusão como provisória e a ordem fragmentária como ordem em construção, em transição, intermediária, em transformação contínua. O fragmento é força daquilo cuja natureza não conhecemos, daquilo que não oferece garantia de atualização. O fragmento semeia a dúvida. Ele pode ser um pedaço, uma etapa ou um todo, inclusive, o contrário de si mesmo. O acaso se instala...
"Se conhecer é construir e se construir... Agora entendo como pudeste hesitar entre o construir e o conhecer- - - é reunir elementos de maneira lógica e rigorosa para que se mantenham de pé, pode-se dizer que, em arquitetura, o acaso não tem lugar, e que a própria arquitetura representa o anti-caso?"
A arquitetura tem grandes dificuldades em enfrentar os riscos do acaso, do aleatório, do arbitrário, do fragmentário...
duas atitudes geralmente aceitas no que concerne ao Fragmento: a pejorativa e a superestimada. No primeiro caso, o Fragmento é maléfico e indesejável:
O que diz efetivamente o crítico amargo da desordem fragmentária? Que o fragmento é parte indevidamente despregada de um todo, do qual sinaliza o lamentável desaparecimento, e aliado ao furor dos homens à sua ignorância, nada mais é que fenda, fissura mortífera, que introduz a dissonância na harmonia inicial. Por isso, é preciso recolocá-lo em seu lugar, como uma peça de quebra-cabeça que deve entrar a qualquer custo no desenho geral.
No segundo caso, ele é ao contrário, a perfeição em si mesma, a forma privilegiada do infinitivo, do único e da totalidade:
O fragmento é essa explosão, fechada nela mesma e indivisível, a única resposta a dar ao universo infinitivo. Forma perfeita, na sua rotunda brevidade, ele iguala, nos limites que são os nossos, a instabilidade da presença do todo...
semelhante a uma pequena obra de arte, um fragmento deve ser totalmente destacado do mundo em sua volta e fechado nele mesmo como um ouriço..."
jACQUES, rioarte, 2001

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