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(fotografia, andré nunes, Barcelona, 2007)

MÁQUINAS RADICAIS CONTRA O TECNO-IMPÉRIO. DA UTOPIA AO NETWORK

por Matteo Pasquinelli


Deleuze e Guattari tiraram a máquina para fora da fábrica; agora, cabe a nós tirá-la para fora da rede e imaginar uma geração pós-internet.......................................................


Cada um de nós é uma máquina do real, cada um de nós é uma máquina construtiva.

-- Toni Negri

As máquinas técnicas funcionam, evidentemente, com a condição de não serem estragadas. As máquinas desejantes, ao contrário, não cessam de se estragar funcionando; só funcionam quando estragadas. A arte utiliza com freqüência esta propriedade, criando verdadeiros fantasmas de grupo que curto-circuitam a produção social com uma produção desejante, e introduzem uma função de estrago na reprodução das máquinas técnicas. -- Gilles Deluze, Felix Guattari, L'anti-EdipoO que é o compartilhamento dos conhecimentos? Como funciona a economia da consciência? Onde está o general intellect no trabalho?

...O trabalho cognitivo produz máquinas, máquinas de todo tipo, não só software: máquinas eletrônicas, máquinas narrativas, máquinas publicitárias, máquinas midiáticas, máquinas de interpretação, máquinas psíquicas, máquinas sociais, máquinas de libido. No século XIX, a definição de máquina indicava um dispositivo para a transformação de energia. No XX, a máquina de Turing — na base de cada computador — começa a interpretar a informação na forma de seqüências de 0 e 1. Para Deleuze e Guattari, ao contrário, a máquina desejante produz, corta, compõe fluxos e sem interrupções produz o real. Hoje, entendemos por máquina a forma elementar do general intellect, cada nó do network da inteligência cognitiva, cada dispositivo material ou imaterial que encadeia organicamente os fluxos da economia e dos nossos desejos. Em um nível superior, a própria rede pode ser considerada uma mega-máquina de assemblage de outras máquinas, e até mesmo a multidão se torna mecânica, como escrevem Hardt e Negri em Império:

"A multidão não só usa as máquinas para produzir, mas ela mesma se torna, contemporaneamente, cada vez mais maquinal. Da mesma forma, os meios de produção são sempre mais integrados nas mentes e nos corpos da multidão. Nesse contexto, a reapropriação significa o livre acesso e controle do conhecimento, da informação, da comunicação e dos afetos, enquanto meios primários da produção biopolítica. O simples fato de que essas máquinas produtivas tenham sido integradas nas multidões não significa que essas últimas sejam capazes de controlá-las; ao contrário, tudo isso torna a alienação bem mais odiosa e corrupta. O direito à reapropriação é o direito da multidão ao autocontrole e a uma autônoma auto-produção".


o artigo na íntegra você, visitante, encontra em:

http://www.rizoma.net/interna.php?id=183&secao=mutacao



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