OS OBJETOS

( fotografia: ANDRÉ NUNES, BARCELONA, 2007)


De certo modo, quando se entra em contato com todo esse material produzido e acessível à construção de pensamentos/afetos/ perceptos, etc e tal, aos poucos vai se constituindo uma operação de consideração (no sentido de siderar com...), de confecção (no sentido de fazer com, executar-compor-organizar com...), de confirmação ( firmar com...) de uma hipótese (acontecimento incerto no sentido filosófico dado pelo mestre Aurélio Buarque em seu dicionário do século XXI como sendo : “suposição que orienta uma investigação por antecipar características prováveis do objeto investigado e que vale, quer pela confirmação dessas características, quer pelo encontro de NOVOS caminhos de investigação”) que ao mesmo momento em que assegura um sentido a ser percorrido, produz também um erro que pode ser elo exercitado. Como nos diz Foucault:
“Se o sujeito humano é apanhado nas relações de produção e nas relações de sentido, ele é igualmente apanhado nas relações de poder de uma grande complexidade. Ora, parece-me que nós dispomos, graças á história e à teoria econômica, de instrumentos adequados para estudar as relações de produção; igualmente, a linguística e a semiótica fornecem instrumentos para o estudo das relações de sentido. Mas para aquilo que é as relações de poder, não há nenhum instrumento definido...” .
Algo que demonstra que isso que penso pode estar errado. E que problema há em pontuar o erro na medida daquilo que pensamos estar correto? Se assim também podemos é porque o FAZER (e nele o ocupar) em si comporta uma espécie de “ CELEBRAÇÃO DO ERRO”, como uma “capacidad de generar cambios em los processos creativos mediante la incorporación del error como material de trabajo. Aceptación del defecto como personalizador de la pieza. Aprobación de la casualidad o el imprevisto”. (BARCELONA, 2003). Digo/cito/situo isso porque fiquei a refletir se a maquinoativação poderia ser uma máquina que predeterminava DEVIR-AÇÕES da vida, e frente a esses pensamentos acima e logo mais abaixo citados percebo que o erro ocupa um lugar necessário no campo phenomênico do fazer (O PH-ACONTECIMENTO DA MÁQUINA).
Ainda sobre o erro, é possível, através das palavras de Deleuze, investir. Visto que para ele “ O erro é apenas o reverso de uma ortodoxia racional,e ainda testemunha em favor daquilo de que ele se desvia, em favor de uma retidão, de uma boa natureza e de uma boa vontade daquele que é dito enganar-se”. ( DELEUZE, Diferença e repetição, Rio de Janeiro: Graal, pg. 244, 1998. )
A hipótese é:
AS ATIVIDADES HUMANAS SÃO ACONTECIMENTOS ( ou vice-versa?) INSCRITOS NO PHENOMÊNICO CAMPO CULTURAL E ESTÃO IMPLICADAS COM MODOS DE FAZERES QUE PODEM SER POTENCIALIZADOS ATRAVÉS DE 4 EXPOENTES SÍNTESES(PRESENTES NA MAQUINOATIVAÇÃO) QUE EM COMBINADOS DÃO SUPORTE AO QUE EM T.O DENOMINAMOS ANÁLISE DE ATIVIDADES. OS EXPONTES DISPÕEM QUESTÕES QUE REFLETEM A MATERIALIDADE, AS POÉTICAS, OS PATHOS E AS PRÁXIS DESENVOLVIDAS NO FAZER E QUANDO ACIONADOS PRODUZEM “OBJETOS” QUE TANTO PODEM SER UM PRODUTO (OUTPUTS) QUE DEMARCA UM CORTE NO CONTINUUM – FLUXO-CORTE-FLUXO PRESENTE NA PRODUÇÃO DE VIDA, QUANTO TAMBÉM PODEM, NUMA ESPÉCIE DE DUPLICAÇÃO, ELABORAR ENTRADAS (INPUT) NO ACONTECIMENTO, TAMBÉM PRODUZINDO SUPORTES DE VIDA.(ainda volto a hipótese nessa mesma postagem, visitante)...
Sobre a produção de vida, um amplo território possível de ser ocupado pela terapia ocupacional, cabe-nos aqui um pensamento que inquieta, mais do que resolve, essa questão: “ o papel da vida é o de introduzir o máximo de indeterminação numa matéria em que prevalece a tendência a geometrização, pois a vida desde sempre só teve um problema: tornar efetivas as ações livres... Para quebrar o esquema da dedução, para romper o jogo dos encadeamentos mecânicos, para desatar o laço que retém o novo, é preciso que se acentue a defasagem entre as ações reais e as ações virtuais”. ( PARADIS,B Indetermination et mouvements de bifurcation chez Bergson. Philosophie no. 32, 1991. )
(fotografia: ANDRÉ NUNES, BARCELONA, 2007)

DOS OBJETOS


Que fique claro, visitante, que aqui os objetos em questão não têm, a princípio, haver com uma pergunta presente na terapia ocupacional que se questiona “qual é o objeto da T.O?”. Não sei também te dizer se em alguma parte do maquinomovel essa questão será postada visto que essa é obra aberta e não tenho como te dizer o que há devir... enfim, refiro-me a OBJETO enquanto apreensão de uma perspectiva de elementos aparentes nessa interface presente entre o acontecimento elevado a um expoente do dispositivo maquinoativação (m@) e o “ponto de convergência duma atividade; mira, desígnio.” HOLANDA, A.B, Novo dicionário século XXI, pg. 1427, Rio de janeiro, ed Nova Fronteira, 1999).
Para o expoente PH elevado a p1, ou seja, acontecimento elevado a potência da phorma, o objeto em questão relativo a atividade é o que denomino OBJETO-COISA, (essa idéia do objeto-coisa apareceu quando li há 10 anos atrás uma obra de Milton Santos de nome A NATUREZA DO ESPAÇO, hoje não a tenho mais em mãos). O objeto-coisa dá conta das materialidades empregadas e que concretizam a coisa em si. Um pintura, um cinzeiro, um desenho, uma roupa, um bolo, uma conversa, uma caminhada, uma leitura, seria como se fosse o substantivo da atividade. A matéria necessária para a confecção (fazer com) da construção de um produto-processo.
Para o expoente PH elevado a p2, ou seja, acontecimento elevado a potência da poética, o objeto revelado em questão relativo a atividade é o que denomino OBJETO-QUASE, (essa idéia do objeto-quase apareceu quando li há 5 anos atrás um livro de José Saramago que tem como título, OBJETO-QUASE). O objeto-quase dá conta da poética presente no que acontece, no acontecimento. É como ousar responder uma inquietante questão “do que você quer dizer com isso quando trás isso para a relação?”, os sentidos, as textualidades, as literaturas (por vezes baratas como essa), as linguagens necessárias para a expressão de uma “LITERATURA PRÓPRIA DO AGENTE”, uma LITERATURA QUE TEM PONTOS E LINHAS SINGULARES, vazantes de vista no singular das palavras e textualidades necessárias para que o agente consiga expressar algum sentido para a produção de vida à si.
Para o expoente PH elevado a p3, ou seja , acontecimento elevado a potência do pathos,o objeto em questão é o que denomino SUBJÉTIL (essa idéia do subjétil apareceu quando li alguns trechos de um livro de Derrida sobre Artaud , há 8 anos atrás, de nome: ENLOUQUECER O SUBJÉTIL, Ed. Unesp, 1998). O subjétil desliza sobre a intrínseca relação entre sujeito/objeto e e dispõe sobre quais linhas de força ambos, nessa inter-relação, provocam enquanto afetos na produção de subjetividades.
Para o expoente PH elevado a p4, ou seja, acontecimento elevado a potência da práxis, o objeto em questão relativo à atividade é o que denomino OBJETO-AÇÃO (essa idéia do objeto-ação apareceu quando li há 10 anos atrás uma obra de Milton Santos de nome A NATUREZA DO ESPAÇO, que como já disse antes,hoje não a tenho mais em mãos). O objeto-ação dá conta das verbalidades necessárias para a produção do acontecimento em si, os verbos-(não aqui a estrutura gráfica mas sim a ação conjugada), as ações e conjugações nos tempos e pessoas envolvidas, não no discurso da palavra verbal, mas sim na “discursividade” presente no fazer, na ação.
O que temos na M@ é, por fim, a junção de todos esses acontecimentos elevados a expoentes através dessa chave-dispositivo que, numa “mesma base” combina os expoentes visto que o disparo da operação é múltipla, é multiplicAÇÃO. Assim a análise de atividade se dá a partir do corte no continuum do acontecimento que seria elevado, para o exercício da análise, as potências da phorma(p1), da poesis(p2), dos pathos (p3) e das práxis (p4) concomitantemente. E os objetos fluiriam através das denominações a eles possíveis sendo assim: objetos-coisa-quase-subjétil-ação.
E retomando a tal hipótese:
TUDO ISSO FAZ-SE NECESSÁRIO DIVIDIR NA REDE RELACIONAL. ESSA OPERAÇÃO É MENOR OU , NO MÁXIMO, IGUAL AO VAZIO, QUE É DEVIR, UM VIRTUA FRENTE AOS POSSÍVEIS.
PARA FINALIZAR TEMOS QUE:
A MAQUINOATIVAÇÃO É APROXIMADAMENTE A DIVISÃO EXISTENTE DOS ACONTECIMENTOS ELEVADOS AS POTÊNCIAS EXPOENTES (PRODUZINDO OBJETOS RELACIONADOS AS ATIVIDADES) DIVIDIDOS ATRAVÉS DAS REDES RELACIONAIS ONDE O RESULTADO É MENOR OU IGUAL AO DEVIR.
Saudações visitantes, sejam muito bem vindos!!!!!!


conexão de texto da net em 13/01/2008 as 16:28:


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