NA MESA DO BAR ou do ofício de acompanhar pessoas

(fotografia, andré nunes, barcelona, 2007)
Seramos lo sio, yo que tengo gana de ti y mirote en todos los logares, en la calle, em mi sueños en todo lo que estoy e soy. Yo no sei se soy o sei. Eu sou aquilo que sempre sei? Mas sei. O que soy? E miro teus luzeiros que remetem-me a imensidão azul. Tu que és minha própria poesia, tú que és reverso de minha escrita. Tu que és imagem que me interroga do espelho. O espelho, será senão verdade? Do que espelho percepção do existente ao redor. Circunda os olhos de alegrias ou tristezas? Olhos são células fortes entornando o corpo-carne que adentram o que sou. E o que sou a teus olhos? Onde estas que não desvendas minhas verdades? Quais são suas mãos que me tocam enquanto os luzeiros mudam de lugar? Os luzeiros são imagens de uma ternura que nunca houve. Resplandescências que abrigam insólitos de meu ser? O que há hoje? E daqui 10,20 anos? Tudo o que és haverá por milênios. E tu aqui estarás. e tua forma te será transcendente. Então como te reencontrarei em tua nova forma? Qual figura assumirás para que eu te distinga? Qual o teu verbo que me atingirá? De onde virão os teus olhos para que me descortines? Os olhos são como o vento, para quem não descortina a descoberta. O que descobre nessa ação não é, mas está na não substantivação. está na descoberta e não na desconsideração do ser enquanto homem. Homem: macaco nu, e o que é ser homem? Não é sentir o mundo em plenitude? Não é vislumbrar todas as coisas que lhe são vistas e vindas? Quais são as coisas que fazem um homem? São os fragmentos de uns dias? São os hiatos das horas esparsas? Quais são tuas matérias e máquinas? Quais são as mãos que moldaram teu obscuro? Umbigos são cicatrizes. Onde há cicatrizes? É teu sexo uma marca feroz? É que de animal nos há?Vejo teu sexo como uma planície donde vislumbro teu nascimento. E onde estás na hora do sexo? Estás na morte? Estás na vida? Creio que tu és transcendência. Creio que em teu sexo é luz fugia. Treva e fuga em teu sexo enigma? Há quantas ele, o sexo, é enigma numa sociedade que julga poder maior tabu que isso? E não é esse poder que nos une, não é esse poder que nos traz à existência? É desse poder que todos somos feitos.

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