ARTIFICAÇÃO?

(GOSTO DE? Fotografia, christiana moraes, sampa, agosto de 2007)
Transformação da não-arte em arte? Que raios também é isso aqui desse maquinomovel? Essa cumplicidade estranha que se enlaça no fazer devir miscível entre fazer artístico (práxis artística) e fazer clínico (práxis terapêutica)... o maquinomovel rastreou um texto no campo da Antropologia, de autoria de Roberta Shapiro (Socióloga e chefe de pesquisa do Laboratório de Antropologia e História do Instituto de Cultura (LAHIC IA 8177), Centro de Estudos do Emprego (CEE), Paris – França ) que instiga alguns outros pensares sobre esses processos do fazer. Em RESUMO , o texto diz que:
"Hà um aumento constante na produção de arte na sociedade e na pesquisa sobre arte e cultura dentro das ciências sociais. Conseqüentemente, parece apropriado propor a artificação como um campo novo para a Sociologia da Arte e da mudança social e cultural. A artificação é a transformação da não-arte em arte. Isto consiste em um processo social complexo da transfiguração das pessoas, das coisas e das práticas. A artificação não somente tem a ver com mudança simbólica, deslocamento de hierarquias e legitimidade, mas, implica, também modificações muito concretas nos traços físicos e nas maneiras das pessoas, nas formas de cooperação e organização, nos bens e nos artefatos que são usados, etc. Esses processos redefinem os limites entre a arte e a não-arte, e reconstróem mundos sociais novos. Neste artigo, são utilizados como exemplos de artificação o hip-hop, a fonografia, a gravura, a água-forte, o trabalho industrial e a arte primitiva." ( Roberta Shapiro).
Aqui trago até você, visitante, algumas das questões presentes que foram na finalização levantadas pela autora:

"Questões


A reflexão sobre a artificação não decorre de uma curiosidade científica desencarnada. Procuramos compreender o sentido da crescente extensão do campo da cultura e a tendência à transformação infinita de objetos e atividades em patrimônio cultural e/ou arte. Pode-se falar na emergência de uma culture society (Morato, 2003), de uma sociedade em que é crescente a indeterminação das fronteiras da arte. Essas análises ligam-se a mudanças importantes que ocorreram no mundo do trabalho (entre outras: terceirização da economia, mobilização crescente dos saberes abstratos, exigência de inovação e de engajamento vocacional) e ao papel do Estado.
É necessário nos assegurarmos de que o processo é reconhecido e, então, multiplicar as pesquisas empíricas.3 Para tentar compreendê-lo, é igualmente necessário multiplicar os ângulos de ataque. A extensão ou a instituição da cultura pode ser analisada como uma intensificação da produção de signos identitários coletivos e individuais (Fabre, apud Ciarcia 2001), quando fortes mudanças socioeconômicas desestabilizam as identidades tradicionais: na família, no mundo do trabalho, no domínio das crenças, e os laços comunitários se enfraquecem em prol das relações societárias (Dubar 2000). A arte e a cultura surgem, então, como atividades de compensação, permitindo constituir uma comunidade e restaurar a identidade individual. Podemos analisar a artificação também de um ponto de vista socioeconômico, nos colocando algumas perguntas. Em que ações desemboca o discurso em torno da criatividade e do engajamento no trabalho? Em que condições elas aprofundam a exploração ou, ao contrário, oferecem espaços de liberdade às pessoas? (Boltanski & Chiapello 2000).
Pode-se, igualmente, tentar compreender a artificação em sua relação com a política e o enfraquecimento das funções tradicionais de integração e de proteção asseguradas pelo Estado-providência. Na França, a questão da importância da arte e da cultura foi, por vezes, controversa, mas, atualmente, a crença em seu papel socializador é senso comum, em grande parte da instituição estatal. Quando se constata o enfraquecimento "dos domínios clássicos da socialização" que são "a família e a empresa", dispositivos de "disciplinarização das condutas" e, ao mesmo tempo, de construção de solidariedades (Donzelot & Estèbe, 1994), fica-se surpreso com o considerável investimento na arte e na cultura por uma parte dos agentes do poder público, e com o papel que eles desempenham na expansão de ambas. "
VALE A PENA CONFERIR O TEXTO NA ÍNTEGRA . VOCÊ, VISITANTE, O ENCONTRA EM:


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