ESTÁ ACONTECENDO? CARTOGRAFIAS OCUPACIONAIS: coordenadas da maquinoativação-4

(fotografia, andré nunes, 2007)
De certo modo, isso continua a ranger na máquina M@, deveras devira de uma idéia derivada de dispositivo, implícita na maquinária, justaposta de Guattari e Deleuze, tomemos pois esses apontamentos necessários para um prosseguir do/no dispositivo e TRANSfiramos certas bordas que conjuguem a noção do FAZER, para assim no produzir operarmos um considerar de linhas.
Pois bem, sucintamente aqui citando-pontuando, tal qual um tracejado de linha entrecortada (_ _ _ _ _) Deleuze conceitua dispositivo como:
"EM PRIMEIRO LUGAR, É UMA ESPÉCIE DE NOVELO OU MEADA, UM CONJUNTO MULTILINEAR. É COMPOSTO POR LINHAS DE NATUREZA DIFERENTE E ESSAS LINHAS DO DISPOSITIVO NÃO ABARCAM NEM DELIMITAM SISTEMAS HOMOGÊNEOS POR SUA PRÓPRIA CONTA (O OBJETO, O SUJEITO, A LINGUAGEM), MAS SEGUEM DIREÇÕES DIFERENTES, FORMAM PROCESSOS SEMPRE EM DESEQUILÍBRIO, E ESSAS LINHAS TANTO SE APROXIMAM COMO SE AFASTAM UMA DAS OUTRAS. CADA ESTÁ QUEBRADA E SUBMETIDA A VARIAÇÕES DE DIREÇÃO (BIFURCADA, ENFORQUILHADA), SUBMETIDA A DERIVAÇÕES. OS OBJETOS VISÍVEIS, AS ENUNCIAÇÕES FORMULÁVEIS, AS FORÇAS EM EXERCÍCIO, OS SUJEITOS NUMA DETERMINADA POSIÇÃO, SÃO COMO VETORES OU TENSORES" ( Deleuze, 1990)
E ainda aponta esse conceito proximamente ao FAZER quando assim nos escreve:
" AS PRIMEIRAS DUAS DIMENSÕES DE UM DISPOSITIVO, OU AQUELAS QUE FOUCAULT DESTACA EM PRIMEIRO LUGAR, SÃO AS CURVAS DE VISIBILIDADE E AS CURVAS DE ENUNCIAÇÃO. O CERTO É QUE OS DISPOSITIVOS SÃO COMO AS MÁQUINAS DE RAYMOND RUSSEL, MÁQUINAS DE FAZER VER E DE FAZER FALAR, TAL COMO SÃO ANALISADAS EM FOUCAULT." (Deleuze, 1990).
Por sua vez, instalados ou proximamente estando nós a esse ideário do FAZER, buscamos em nossos registros algo que venha intensificar nossa força esquizo-ocupacional, ao elencarmos para próximo de nós a ideía presente de ACONTECIMENTO em uma terapia ocupacional, trazida por Marcus Vinícius, em seu livro máquina : ARTE E CORPO EM TERAPIA OCUPACIONAL (Rio de Janeiro, ED. ENELIVROS,2004). O autor assim se refere:
" visualizamos que muitos elementos estão em jogo num momento terapêutico ocupacional, sao muitas as forças e as formas... É um fenômeno, um acontecimento que é da ordem do incomensurável. Neste jogo há a prioris, há o cultural, o inusitado, o acaso, vitórias, fracassos, novas tentativas; é um jogo!..." (p.149)
mais adiante sobre as atividades diz: " É uma luta pelo território do fazer, para nos diferenciarmos de outras clínicas, ou nos planetarizaremos em um mundo totalmente hegemônico. O fazer pode ser um devir na clínica, nas forças políticas, a constituir outros territórios, outras subjetividades clínicas. os 'métodos' de terapia ocupacional correm o risco de serem métodos ligados a campos já conhecidos de outras profissões, não produzindo a diferença, mas reproduções de outras clínicas; apenas reformas, sem revoluções. Não pregamos aqui uma missão messiânica para a terapia ocupacional, colocando-a acima das outras, mas apenas anunciando sua diferença, e por ser marginal a diferença ainda é intensa, já que é distante das práticas mais hegemônicas. Nuna busca de legitimação, muitos terapeutas ocupacionais se prendem a modelos em quie o fazer, o Bicho, o jogo se calam. Sei de nossa dificuldade de sobrevivência, mas vale a pena prolongar essa luta, para no final termos um campo coberto pela diferença, onde muitas clínicas, com muitos 'métodos', possam estar jogando com a tensão e intensidade da diferença. A homogeneização só produz morte!"(pgs.152-153)
Percebeste a sutileza do instalado na citação, visitante? O autor VISUALIZA (Dispositivo FAZER ver) depois ANUNCIA (Dispositivo FAZER falar) e nesse jogo pontua da incomensurabilidade presente no fenômeno FAZER-ACONTECIMENTO.
Para tantos e para muitos, incluindo esse aqui que exerce nesse instante a função de escriba, ditaticamente é possivel apontar para outras : esferaplanocampos, onde essa manifestação do ACONTECIMENTO registra proximidade ao FAZER. Vejamos pois pontuações da ordem:
1 DA LINGUAGEM:
A expressão ‘jogo de linguagem’ deve salientar aqui que falar uma língua é parte de uma atividade ou de uma forma de vida. Tenha presente a variedade de jogos de linguagem nos seguintes exemplos, e em outros: Ordenar, e agir segundo as ordens- Descrever um objeto pela aparência ou pelas suas medidas- produzir um objeto de acordo com uma descrição (desenho)- Relatar um acontecimento- fazer suposições sobre o acontecimento- Levantar uma hipótese para examina-la- Apresentar os resultados de um experimento por meio de tabelas e diagramas- Inventar uma história; e ler- Representar teatro- Cantar cantiga de roda- Adivinhar enigmas- Resolver uma tarefa de cálculo aplicado- Traduzir de uma língua para outra- Pedir, agradecer, praguejar, cumprimentar, rezar. (Wittgenstein, 1994: § 23).
2. DA FILOSOFIA DA DIFERENÇA (esquizoanálise)
Trata-se de uma filosofia do acontecimento, uma filosofia da multiplicidade, cujas bases rompem com a filosofia do sujeito, da consciência. Propõe lidar com a criação de conceitos e com a produção de acontecimentos que os atualizem no perpétuo jogo entre virtuais e atuais. Deleuze torce a concepção de desejo entrelaçado com as idéias de Nietzsche, de vontade de potência, inventando outros jeitos de ser, pensar e viver, intensamente atravessados por acontecimentos, intensidades nesses acontecimentos como experimentações. Trabalha esse acontecimento como uma processualidade da formação. A filosofia a que se propõe, que defende e buscou praticar é então constituída por três instâncias correlacionais: o plano de imanência que ela precisa traçar, os personagens filosóficos que ela precisa inventar e os conceitos que deve criar. Portanto, uma filosofia é examinada, em sua concepção, o que nos invoca dimensões de praticidade, de experimentação, um alento pelo que ela produz e pelos efeitos que causa. Os conceitos filosóficos são válidos na medida em que sejam verdadeiros, mas uma verdade regulada por interesses e importância. Mais, pelo que os mesmos provocam na prática e pela prática. Como nos deixamos atravessar, afetar e atravessamos a produção desses conceitos, dessas idéias-experimentação. Nesse ponto Deleuze nos instiga ao dizer, “não acredito naqueles que dizem ‘faça isso’; acredito naqueles que dizem ‘faça comigo’, enfim”. http://www.ricesu.com.br/colabora/n8/homenagem/index.htm
3. DA HISTÓRIA.

Esta noção, tal como Veyne entende lê-la em Foucault, pode ser definida como aquilo que imanta todo um conjunto de acontecimentos, aquilo que permite, no plano discursivo, costurar a dobra narrativo-teórica, isto é, entre a diferença temporal de um acontecimento e uma operação conceitual que lhe seja afeita. “Prática” é aquilo que os homens efetivamente fazem, não aquilo que eles pensam a respeito do que fazem. Mais ainda: prática é o fazer que se reitera em toda uma série de acontecimentos, disto derivando sua maneira de ser oculta, disto derivando sua raridade (VEYNE, p. 354, 358, 361, 384).
4 DA GEOGRAFIA:
Este texto resulta de uma longa prática e envolve uma histórica e permanente reflexão acerca do modo como se revelam novos conteúdos a cada nova ação que se realiza, como a intrusão num lugar onde um acontecimento comum, quase insólito, que parecia inexplicável, uma fábrica de casacos de pele de coelhos em uma propriedade rural, que desenvolve, entre outras, as culturas de trigo e soja, no interior do município de Sarandi, no centro-norte gaúcho, e que deu significado à abordagem das relações entre o rural e o urbano.Esse é o ancoramento das idéias que se introduzem sobre o trabalho de campo ou, como venho me referindo, a prática andante de fazer Geografia.
5-DA PSICOLOGIA:
E como a resistência e o acontecimento introduzem-se no espaço terapêutico? Fico pensando que no encontro terapêutico não basta conhecer aparatos conceituais e técnicos eficientes, ou mesmo ter boa vontade para ajudar. É necessário ir à razão que nos fez terapeuta. Razão que escapa à formação adquirida, às teorias utilizadas, ao lugar do estabelecido e que corresponde, de fato, ao desconhecido, ao contato com a diferença vibrando em instantes de desamparo, desespero, diversão, tesão. Atividade de livrar-se do sujeito psicológico que somos e nos entregar ao acaso, em um agenciamento que nos leva a lugares inimagináveis e imprevistos, a outros territórios existenciais. Como Marcel Proust que defende uma ultrapassagem da estrutura psicológica para se fazer arte, é necessário essa mesma ultrapassagem para se fazer clínica. Coragem. Ou seja, ter ousadia para livrar-se da inteligência, que persegue verdades lógicas e chafurdar-se no caos, sem temer as forças estranhas que esse modo de viver e de clinicar provocam (DELEUZE, 1987).
6-DA ARTE:
A arte contemporânea vive da recriação dos seus suportes. O aspecto positivo de não se ter mais certezas a priori sobre o que denominamos arte hoje, nem dos lugares nos quais ela se manifesta, é que a arte pode assumir várias configurações ao mesmo tempo. A materialidade da arte hoje se multiplica constantemente. Instalações, desenhos, fotografias, vídeos, etc, relacionadas à "revolução algoritmica", dão ao acontecimento artístico uma ubicuidade particular. Podemos dizer que a arte contemporânea está onde um trabalho congrega precisão e risco, sentido e surpresa.

E ao cruzar esses meios, ou diria melhor fins ( e não há fins sem meios e muito menos meios sem fins). Diria que todos operam ao sabor da heterogênese, voltando-nos para as CAOSMOSE folhas, ao inscrever aqqim do vem vem a ser essa operação COLETIVA:

"... COLETIVO DEVE SER ENTENDIDO AQUI NO SENTIDO DE UMA MULTIPLICIDADE QUE SE DESENVOLVE PARA ALÉM DO INDIVÍDUO, JUNTO AO SOCIUS, ASSIM COMO QUE AQUÉM DA PESSOA, JUNTO A INTENSIDADES PRÉ-VERBAIS, DERIVANDO DE UMA LÓGICA DOS AFETOS MAIS DO QUE DE UMA LÓGICA DE CONJUNTOS BEM INSCRITOS." ( CAOSMOSE- um novo paradigma estético, ed.34,p. 20., São Paulo, 1998)

Aqui por hoje ficamos, visto que o que nos aguarda transpassa do mapa e põe no mapeamento uma estratégia de delineação OCUPACIONAL.

Saudações, visitante.

andré miolo


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