FAZER

(IN TRANSITION, fotografia, andré nunes, barcelona, 2007)




A Arte Contemporânea tem como uma de suas propostas a de religar arte e vida, operando um deslocamento das obras para a produção de acontecimentos. A integração de várias mídias, assim como o "reforço" de ARTE como experimentação e construção acabam por levar a produção a um certo efeito de deslocamento, espécie de DESAFIO DE DEBRUÇAR-SE/ INCLINAR-SE SOBRE UM FAZER QUE ESTEJA PREPARADO PARA SER TAMBÉM AFETADO. Um desinstalar-se em transição, entre desconstruir e deslocar. QUAL É ESSE ESPAÇO? QUAL É ESSE TEMPO? QUAL É ESSA OCUPAÇÃO? Esse FAZER da ARTE é um trajeto TRANSICIONAL, algo entre o expressivo e o relacional, espaço(s) sociais onde o TRANSITAR pode ocorrer. Onde o Novo pode ser feito.

Esse DESAFIO DE DEBRUÇAR-SE/INCLINAR-SE SOBRE UM FAZER QUE ESTEJA PREPARADO PARA TAMBÉM SER AFETADO, também é contemporâneo da CLÍNICA (SAÚDE). No movimento de desinstitucionalização ( não só aqui no Brasil, mas também vi esse mesmo movimento lá em Barcelona nessa mostra IN TRANSITION, e ainda nos EUA com o MOVIMENTO DOS OUTSIDERS ARTISTS) os trabalhos produzidos nos espaços institucionais terapêuticos invadem o campo sócio-cultural, fomentando produções culturais com um certo "cunho" de "INSERÇÃO SOCIAL".

É certo que todo esse movimento vem acontecendo há um tempo, como se operasse num constante desdobrar-se. São exemplos de trabalhos e experiências de Fronteira ARTE-SAÚDE, os desenvolvidos por Nise da Silveira, Osório César, Lygia Clark, Arthur Bispo do Rosário, Leonilson, e mais recentemente até "ESTAMIRA" vem sendo apontado. Digo de ESTAMIRA com um certo porém de aspas, porque penso que sua trajetória e obra é muito maior do que as capturadas pelos campos da ARTE e da SAÚDE, mas sei que parte de sua poética existencial chegou até muitas pessoas somente através da formatividade artística do cinema...

Pois então, gostaria de poder acionar alguns pensamentos e também várias questões importantes nesse momento de "urgência de pensar e urgência de fazer" , para que parte dessa complexidade presente na maquinoativação e demais marcadores dos textos presentes no maquinomovel, possam ao mesmo tempo ser "convocados" para um outro cenário, assim como também promover uma DESINSTALAÇÃO de parte das engrenagens que convocam a compor os feitios da máquina.

Isso tudo que aqui está escrito pode parecer um tanto quanto estranho, estranho no sentido de exigir de você, visitante, uma certa cumplicidade nesse fazer. Mas o que tenho a te dizer é que essa mesma estranheza de cumplicidade está presente tanto no fazer artístico quanto no fazer clínico. Ambos são atitudes de enfrentamento e invenção criativa. Seriam elas complementares ou distintas?

Há tempos me questionava: O QUE É ARTE? O QUE É SAUDE? O QUE É CLÍNICA? O QUE FAZEM JUNTAS?

Mas alguma coisa aconteceu desde que me pus a escrever nesse blog. A partir do momento que acionei a ANÁLISE DE ATIVIDADES enquanto peça central da maquinoativação, a questão deixou de girar em torno dessa definição linha pura. Comecei então a me questionar sobre o FAZER. E ao ir fazendo cada vez mais o território do FAZER ia ganhando vontade de potência criadora. Era como se ao instalar o FAZER no centro da maquinoativação, ACONTECIMENTO ENQUANTO PHENÔMENO DO FAZER, tudo fosse indo/sendo aos poucos potencializado pela forma "como isso passaria a ser inventado nesse suporte blog"; pela poesis "como do que isso expressaria na passagem comunicacional de letras-imagens e sons blogados"; pelo pathos de "como é existente um certo sofrimento , um certo sentir pois aqui se tem uma questão ética mesmo, não é possível auxiliar um ser humano sem saber o que ele sente-o que lhe afeta"; pela práxis de "como se dão as ações que "estruturam" e desencadeiam processos de feitio". Isso somente consegui ao dividir contigo, visitante. Somente consegui fazer ao ir fazendo aqui.

Volto então as questões que levantam-se agora: O QUE É UM FAZER ARTÍSTICO? O QUE É UM FAZER CLÍNICO? O QUE É UM FAZER DEVIR MISCÍVEL ENTRE FAZER ARTÍSTICO E CLÍNICO?

São INVENÇÕES. Esses fazeres enquanto se FAZEM INVENTAM UM POR FAZER... Criações de novas realidades, CRIAÇÕES DE MULTIPLICIDADES HETEROGÊNEAS DE SENTIDOS...

Saímos, melhor dizer, TRANSitamos e adentramos um paradigma ESTÉTICO. Cabe voltar?

Te disse, visitante, desde o início dessa aventura blogueira: O QUE VOU DEIXAR PARA ESSA RAÇA DE HUMANOS? OCUPADO, PODE ENTRAR!

Saudações!


Os escritos aqui presentes neste post, em específico, foram frutos de inquietações trazidas por diversas pessoas com quem pude transitar no espaço/tempo contemporâneo fosse conversando, assistindo aulas, palestras ou seminários.

Em especial: Bel, Beth Araújo Lima,Câmbio Chris, Dani Canguçu, Eli Dias de Castro, Leo Lima, Luis Cancello, Mari Quarentei, Marcus Vinícius, Noemi e Zé Beto.








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