GUIMARÃES E A MÁQUINA



“8 h 20’ barulho de trem = é, pelo menos, granduplo = 1) uma
constante de trancos, sobre uma intermitente (ou fluência) ventania
(de vez em quando uma brusca enorme aspereza = como se
lixassem todo o carro, velozmente. No tabique de madeira
envernizada, vejo-me como um espelho. O cabide [desenho do
cabide] balança. A capa. Tapete de fundo vermelho. O trem joga
para trás todos seus rumores. O trem corre a bandeiras
despregadas. Sobre (over) as costas do sofá (leito) um espelho
octógono irregular [desenho do espelho]. A inconsequente
sequência de ritmos. Ta-lá—tu’láco, ta-lá—tu’lác tr’rarão-tu-trra-
rá, tra-a-ra, tra-a-ra” (cadernetas 4 e 5, 1950)

Guimarães Rosa

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