JOGO!

(fotografia, andré nunes, barcelona, 2007)





Faz um tempo já. E hoje chegando em casa fui em busca de um livro e lá estava ele: Um caderno sem linhas do ano de 2001. Fiquei feliz de encontrá-lo ali, no fundo da estante. Nem lembrava mais de sua existência. Ao abrir as páginas já meio amareladas, click! A máquina salta-me aos olhos. Mas não é que essa história desses escritos que percorrem os dias atuais estavam ali, de certa maneira germe, de certa maneira já entrecortados?


Pois posto hoje, mais uma página guardada que estava aqui em casa, e penso que possivelmente serviria de alimento pra população barata desse recanto no qual teclo agora essas letras, e agora-já não mais servirá pois aqui foram transpostas do jeito que estavam em meu caderno, quer dizer na mesma ordenação da escrita gráfica.


A idéia é fenomenal, pra não contrariar a ordenança basal da maquinoativação. Atividade posta-porta no centro do campo PHenomênico do fazer! Ativa-se assim mais uma possibilidade da análise de atividades, dentro desse território da esquizo-ocupação.


As palavras que seguem foram produto da fala veiculada por Marcus Vinícius Almeida, um terapeuta ocupacional carioca, que naquela época ainda não tinha impresso seus escritos e idéias no seu livro CORPO E ARTE EM TERAPIA OCUPACIONAL, ED. ENELIVROS. Aqui vai então, o que consegui anotar daquela comunicação estabelecida no Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional, em Porto Alegre-RS no ano de 2001.


(fotografia, andré nunes, Barcelona, 2007)


" Modelos da Terapia ocupacional ou jogo dos acontecimentos.

Métodos servem para organização da ação.

Métodos científicos conferem implicações e previsões, podem formar Modelos.

Modelo.

A escolha do método é uma escolha existencial.

Potencializa ou desqualifica alguns métodos.

Problematizar a idéia de ESTRUTURA DE VERDADE.

Vontade de verdade?

Modelos e métodos contribuem re-pensar a T.O.

É necessário se criar meios de POTENCIALIZAR A OCUPAÇÃO.

Instrumento básico: ATIVIDADE

Pensar em um modelo que traga a atividade para o centro da problematização.

Valores diversos {morais, estéticos,éticos,etc}, diferentes forças em campo.

Ciência: campo heteróclito ( 1. que se desvia dos princípios da analogia gramatical ou das normas da arte; 2. singular, excêntrico, extravagante). Alibi em função de poder.

Método não é apenas uma maneira, são escolhas implícitas de diferentes valores morais que legitimam ou não a profissão.

HISTÓRIA:



  • reducionismo


  • materialismo histórico


  • etc.

ÁREAS VIZINHAS:




  • psicologia


  • medicina


  • etc.

As ciências tentam trabalhar com um modelo de verdade.


Quando vamos para outros modelos acabamos cometendo um esquívoco, o esquecimento da ATIVIDADE.


Valorização através do olhar para os MÉTODOS DO FAZER.


ARTE: Trabalha com modelo de criação e não com a verdade. Não há legitimização.


Na T.O trabalha-se com o modelo da ciência estruturando o discurso nesse.


Tudo que é vontade de verdade o indivíduo legitima. Recalca a criação.


Singularidade está próximo ao recalcado.


FAZER FOI RECALCADO PELA T.O.


esquizo-ocupação


Produção da diluição das estruturas da ocupação.


Criação o tempo todo.


Arte e jogo se diferenciam


Importante mostrar o nosso fazer


A partir do "meu fazer" é que se começa a pensar T.O.


Grande primeiro método - POSITIVISMO




  • extrair da atividade suas funções verdadeiras


  • ser T.O era ser um cientista da atividade humana

ZONA DE TENSÃO/TESÃO: ANÁLISE DA ATIVIDADE


Não se apaga uma memória que foi promessa de cientificidade.


Mito da T.O : análise de atividades


Primeiro Grande método: análise de atividades


Trazem a ANÁLISE DA ATIVIDADE _ base para ser ciência.


Psicodinâmica da atividade: equívoco?


Olhar da profissão UNIDIRECIONAL.


Segundo Momento:




  • símbolos da atividade.


  • signos


  • relação terapeuta x paciente


  • atividade: campo do inconsciente


  • aprisionamos o indivíduo em um acontecimento.

Atualmente:




  • Análise da Atividade posta em questão


  • Esquecimento em nossa prática


  • análise social, política, institucional, inconsciente, histórica, etc

A QUE ESPAÇO FICA REDUZIDA A ANÁLISE DA ATIVIDADE?



Buscar um método de análise que problematize a análise da atividade, mas que o FAZER esteja colocado em um lugar de destaque.


ARTE: Lugar para isso?


dança: exemplo NIJINSKY ( bailarino russo)




  • 3 constituições de danças diferentes em apenas dois anos de criação.


  • Lógica interna nas coreografias



  1. distantes do ballet


  2. distantes entre si


  3. acusaram ele de caótico


  4. métodos SINGULARES

Criação da T.O. , cada método a cada relação? PARADIGMA ESTÉTICO.


Método é explorado e instaurado antes da dança.


TERAPIA OCUPACIONAL: MAIS IMPROVISO DO QUE MÉTODO ESTABELECIDO.


Lígia Clark.




  • " BICHOS". Obra para ser manipulada: " brincar"


  • Dota os bichos de vida própria, onde bicho e indivíduo estão paralelos


  • os bichos são organismos, eles sabem que movimentos sabem fazer.

AS MATERIALIDADES:




  • As ATIVIDADES tem vida própria, são orgânicas.


  • ESTOU SENTINDO ATRAVÉS DA CARNE E NÃO DO PENSAMENTO


  • A Análise não se sustenta na Análise Cartesiana.


  • Só na relação vivemos


  • T.O MATERIALIDADE DA ATIVIDADE NA CARNE

Importância dos modelos.




  • materialidade na atividade não anula os modelos


  • PROPOSTA: ANÁLISE DA MATERIALIDADE DA ATIVIDADE


  • materialidade: todos os elementos da força/forma.


  • valorização do mundo inorgânico

Todo organismo apresenta uma organização.


Força que produz formas .


A forma é constituída historicamente.


MATERIAL- FISICALIDADE...


MATERIAL - AGENTE ATIVO...


MATERIAL - TERAPEUTA...


Esses elementos de forma alguma dão conta da atividade.


SÃO UMA ANÁLISE PARCIAL . CORTE SECANTE ( DELEUZE).


Buscar novas formas de análise.


Conhecer as materialidades.


BUSCAMOS PROCESSOS DE EXISTENCIALIZAÇÃO:




  • ORDEM DO INCOMENSURÁVEL


  • É UM JOGO


  • NÃO É MODELO CIENTÍFICO

Naquela época o que mais me chamou atenção foram essas palavras a seguir:


TERAPEUTA OCUPACIONAL É UM TÉCNICO ESPORTIVO:




  • PRECISA IR NO JOGO


  • NÃO TEM GARANTIA DA VITÓRIA


  • TÉCNICO QUE CONSTRUA UM PLANO DE AÇÃO, PENSA SUBPLANOS TENTANDO INCLUIR VARIABILIDADES E PREVISIBILIDADES


  • MAS NOS DIFERENCIAMOS EM QUÊ?


  • SOMOS TÉCNICOS DE PELADA. O QUE VALEU FOI O JOGO. BRINCAR É O QUE MAIS NOS INTERESSA. OS ASPECTOS MICRO...PRODUZINDO NO MICRO.


  • ATIVIDADE É O CENTRO AVANTE NA LUTA PELO TERRITÓRIO DO FAZER

F A Z E R P O D E S E R U M D E V I R N A C L Í N I C A. "




Comentários

Rose666 disse…
Rapaz , escuta as sementes do criamos realmente foram plantadas a muito. Gostei da ideia do jogo. a tempos venho querendo amarrar o que fazemos, este jogo no bom sentido de brincar com a loucura. digo isso porque é no ludico que interagimos e aprendemos.
Agora fico a pensar se me identifiquei com o escrito em termos de ações e identidade na ação e isto é um do T.O. . Ká estou a perguntar o que é que sou?
Sabe isto não cabe só dentro do Campo da T.O. é tbem uma visão de mundo e neste interagir estão todoas a identidades profissionais. Que hoje acredito que não existem, andei pensando no futuro estas formas estanques de conhecimento e formação profissional cairam por terra. Hoje já sou mais psicologa, analista bioenergética e etc....sou uma mutução de tudo isso e do que aprendo com outro. E como num jogo de futebool posso jogar em outras posições !!!
beijos
gostei muito e grata pela contribuição !!
namastê

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