MAPEAMENTO

(mapa traçado em 8/10/2001, andré nunes)

Não, não... tudo isso começa assim mesmo, solavanco e de repente.
Fui preparar um “centro” para organizar as escrituras dessas literaturas baratas e deparei-me com um processo vivo de criação contínua, espécie de “work in progress”. Papeladas, arquivos suspensos de memórias várias, pastas de informações e comunicações, tudo isso reunido nessa ocupação paralela. Terapia? Pois não é, a mais OCUPACIONAL possível, porque reforça uma linha de fuga para futuros MAPEAMENTOS na vida, na arte , na saúde e na cultura TRANS. Gosto dos comentários deixados pelos visitantes (e queria aqui agradecer a MAHAVIDYAS, pela constante força e apoio, e concordo que esse trabalho é transdisciplinar), porque de certa forma afilam um canal comunicante para essa composição.
Sinto que o processo de criação vem se configurando nos dias atuais. E ele acontece mais ou menos assim comigo, passo a prestar uma atenção redobrada aos diferentes estímulos que o circular pela vida cotidiana vai trazendo em seu desenrolar no ciclo espaço/tempo que compartilho com meus contemporâneos. E todas essas visões de mundo vão potencializando uma vontade em mim de transformar isso tudo em algo mais próximo aquilo que consigo perceber. Ao mesmo tempo em que escrevo em papéis soltos várias idéias que ocorrem, lugares, “mapotecas”, ocupações no acontecimento (espaço/tempo) eu também vou fazendo alguns traçados e desenhos de rumos que posso tomar ou de rumos que já passei um dia. E o que foi passado , esses mapas do acontecido, as vezes me ajudam na localização de territórios existenciais possíveis.
Esse mesmo que ilustra essa postagem foi feito na época dos anos 2001-2002 em que me questionava a cerca da identidade híbrida ( o tal terapeuta plástico/artista ocupacional: que foi uma maneira criada para conseguir encarar a interface arte-saúde). Na época as experiências vividas produziam um acolhimento em rede de relações existentes em várias “ocupações” e trabalhos na/da interface arte-saúde.
Hoje, quase 6 anos depois, consigo perceber o quanto percorri e o quão foi importante poder ter demarcado esse trajeto, não como uma espécie de trilha, mas sim como um princípio articulador para fomentação de idéias futuras, como esse devir maquínico constante...
Quando se está recém saído da faculdade de Terapia Ocupacional, e fico aqui pensando também nas várias pessoas que estão entrando nesse ano, enfim, ter de explicar- quase sempre- o que é e o que faz um terapeuta ocupacional, gera uma estranha forma de angústia. É como se esse poder falar sobre a T.O fosse ao mesmo tempo um grande ponto de interação e um exercício de reconhecimento frente ao ignorado (no sentido de desconhecido). Mas com o passar do tempo, vai se percebendo e conhecendo que talvez uma das formas e uma das forças presentes nela seja essa, a de se “estruturar” a profissão a partir dessa constante explanação definitória. Onde há que se (re)pensar constantemente, e te digo, não é diferente de nenhuma outra área, pode ter certeza e fique tranquilo. Até a não instituição de um único objeto de estudo, ou melhor, da complexidade que são seus objetos de estudo faz com que a mesma possa dialogar com várias formas e campos do conhecimento humano.
E essa possibilidade de interagir com ambientes e saberes diferentes geram intensões variadas e variáveis, numa constante relação de inquietude. E isso é muito da VIDA.
Ambientes onde há conhecimento, a ARTE, a FILOSOFIA, a LITERATURA, a CIÊNCIA... são todos campos de possibilidades de criação de novos mundos , que abrem um pouco mais a visão a partir da interação das diferenças. E o mais potente nisso tudo é que tem algo nessa convivência que vai sendo gerado, que vai rompendo alicerces, que vai “ocupando” o estar presente, que vai se unindo através da linguagem, que vai para fora, para o devir, e que certamente vai ter a cara do mundo.
Se isso aqui também é Terapia Ocupacional? Pois não é? Cá estou a assistir com cuidado ocupações possíveis na produção de vida!
Saudações visitantes!!!!!

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