A.R. XILOACONTECIMENTO-6. CARTOGRAFIAS OCUPACIONAIS- coordenadas da maquinoativação-12



(Rumos, arte digital, andré nunes, 2008)



Toda força vital despertada pelos encontros entre os humanos, quando irrompe pelas vias vitalizadoras do convívio, ganha nesse processo desdobramentos que potencializam as trocas e a ampliação das relações entre as pessoas. O fato, visitante, foi que após essa primeira exposição realizada nas dependências onde acontecem os Salões de Arte Contemporânea de Santo André, deu aos integrantes do Coletivo Maquínico Estelar um “gás”. Digo gás porque depois que abriu-se a nós essa possibilidade simples de PODER VER que aquilo que realizamos num espaço cotidiano da interface arte-saúde, tinha uma valoração, tinha uma validação, tinha uma outra esfera de PODER "FALAR": “Olha, existimos assim, compomos esse trabalho!”, foi impressionante a disponibilidade das pessoas em se inteirar em seus trabalhos e composições.
Dali, da primeira mostra realizadas de um conjunto de estrelas, gravadas meio ao acaso, os integrantes explodiram em gravuras de outras qualidades e intensidades frente as vias que a VIDA tem.
Dela, da VIDA, falávamos. Flores, pavões, lagartixas, helicópteros, carros, cruzes, esferas mandálicas, chaves, cadeados, bolas, chuteiras, seres inanimados, seres animados, um turbilhão de outras formas vieram a tona. Algo belo de se ver, algo da ordem da “engenhosidade” criacional, da “engenhosidade” criativa. Das experimentações singulares, foram surgindo interligações entre os integrantes. As pessoas se dispuseram a enfrentar um estado meio comum de se ver nos processos de enfrentamento do sofrimento psíquico- um certo isolamento- a estarem mais próximas, interagindo através do fazer-xilográfico.
Se um riscava, outro desbastava a madeira, outro entintava, outro imprimia, e o trabalho era de cada um e de todos ao mesmo tempo. E questões de outras esferas tais como: qual é a verdadeira obra sendo feita? É o papel? É a matriz? É o café preparado? É a conversa de um que disparava os afetos de outro? É o poder ver várias gravuras gravitando juntas? É o estar dentro? É o estar fora? É o expor? É o recolher? É o dialogar? É o limpar o ateliê ao final? É o deslumbrar-se frente a P.A (prova do artista)? É o inspirar-se em outros mestres que compõem imagens outras? É o estar junto? É o viver conjunto? É o poder falar de si e de suas obras? É o comportar várias verdades singulares? É o suportar as vidas coletivizadas?
Esse gás, durou por uns meses, até que surge frente ao panorama duas possibilidades outras de exposição de novos trabalhos. Surge em Diadema-SP, uma 1a. mostra de trabalhos realizados por serviços substitutivos do Grande ABC. Somos comunicados dessa por Débora Rico, uma trans-disciplinar-técnica que também integrava o coletivo, já desde a época da primeira exposição.
Foi belo viver com os integrantes animados, a possibilidade de mais uma vez poder expor suas obras. Fomos até o Centro Cultural de Diadema, estudar o espaço disponível. Noutro dia Reginaldo-Fubá e Carlos- Tijolo levaram as obras até o local. Numa quinta-feira o Coletivo se reúne em Diadema para montar a exposição. Kamila Padula, recepcionista do Naps, também nos ajudou na montagem da exposição.
Débora leva para o almoço, em várias vasilhas, Arroz com Alcachofras, coisa que nenhum de nós havíamos experimentado antes. Sabor de saber em novidades. O Novo emergindo mais uma vez, devir outramentos dos integrantes. Era necessário marcar ali um território outro-um -sabor-diferente nessa experiência que a VIDA trouxe até nós.
Apesar de um certo destrato por uma funcionária que organizava a exposição, coisas da esfera de quem possui nos brios dos sentimentos apenas capacidade de saber-sabor- poder autoritário, opressor, enfim...
A exposição do Coletivo Maquínico Estelar, nessa mostra, é batizada com o nome de A.R. (A.p.ª.r.e.l.h.º.ª.m.p.l.i.m.º.r.f.i.f.r.º.n.t.e.i.r.i.c.e.v.º.l.u.c.i.º.n.ª.d.º.R ) ou A.R.
E o coletivo segue novos rumos, mostrando a quem ali fosse visualizar suas obras um ajuntamento capturado por esse aparelho amplificador de formas fronteiriças evolutivas....


A.p.ª.r.e.l.h.º.ª.m.p.l.i.m.º.r.f.i.f.r.º.n.t.e.i.r.i.c.e.v.º.l.u.c.i.º.n.ª.d.º.R ou A.R.


Coletivo Maquínico Estelar


Nós, integrantes do Coletivo Maquínico Estelar, viemos através dessa exposição apresentar um segundo sobrevôo de algumas das imagens produzidas durante nossos encontros, realizados ás 5a.s feiras pela manhã, nas dependências do Núcleo de Atenção Psicossocial - 2 (NAPS-2) localizado à Praça Chile, Parque das Nações, município de Santo André - São Paulo- Brasil.
Nesses encontros desenvolvemos o ofício de gravadores de imagens utilizando a linguagem-produção da xilografia/xilogravura enquanto elemento viabilizador de nossas poéticas próprias.
Nosso nome decorre do fato das primeiras produções, em grande parte, terem se dado através da imagem de uma estrela enquanto produto inaugural do registro de cada integrante. Vale ressaltar que não houve, naquele momento, nenhuma comunicação verbal ou gráfica entre nós, mas à medida que começamos esse oficio uma das primeiras imagens gravadas era estelar.
Para esse evento selecionamos, um conjunto de composições realizadas sobre o prisma dos desdobramentos emergentes disparados através dos encontros entre inéditas formas e dos constantes estados evolutivos do ser de cada um de nós.
Algo que se instala em nossas vidas através de uma aérea explosão luminosa que aparenta manter-se na mesma posição, contudo ao ser observada pela vista desarmada apresenta uma certa cintilação.
A todos que aqui se encontrarem maquinamos desejar duas potências vitais: SAÚDE E FORÇA.
Afinal, assim como vocês, somos também constituídos do mesmo elemento fundamental da formação do Universo, aglomerados nessa associação corrente coletiva da qual o vivo urge e a vida constela. Saudações Maquínicas á todos.
Respire fundo. Respire junto... e Boas Visões!

Comentários

Rose666 disse…
Oi André! tá lindo de ver a nossa história e posso dizer que os outros integrantes do Maquinico Estelar a amariam ver também . embora muitos deles ainda não tenham acesso a esse universo internético , então eu vou contar!
Tenho certeza que eles vão se sentir orgulhosos e gratos por ver a sua história tão bem escrita . E com tua permissão , imprimir e levar até o maquinico estelar.
Estou pensando e agindo , começei a pesquisar formas de poder levar este mundo "internético" até eles.
Sonhos e devaneios meus ....mais enfim é necessário sonhar e desejar para acionar as engrenagens da maquina!!!
beijos
Amigo
Rose

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