A VÓ DO CU É A MAIONESE

(fotografia, andre nunes, sampa, 2007)







MAIONESE DE LIQUIDIFICADOR





INGREDIENTES:


1 ovo

1 colher (chá) de mostarda


1/2 colher (chá) de sal


1 colher (sopa) de vinagre ou suco de limão


1 xícara de óleo vegetal


PREPARO:No copo do liqüidificador, misture o ovo, a mostarda, o sal, o vinagre ou suco de limão e 2 colheres (sopa) de óleo. Bata por 30 segundos. Com o motor em movimento, pingue lentamente o óleo restante até utilizá-lo todo e o creme engrossar. Prove e ajuste os temperos.


Rendimento: 1 xícara.


Bolefa: Chomsky explica "a vó do cu é a maionese"?


Godoh: Sem dúvida, e também Austin. Sabe, o maior poeta dos nossos tempos, Stewart Home, diz que "a poesia não pode ser reformada, ela só pode ser abolida". Pois bem, eu acredito que neste período histórico em que vivemos, que chamo de pós-contemporeneidade, não é concebível uma poesia que não seja inaceitável. De qualquer forma, sob o ponto de vista da fisicalidade da matéria artística, Chomsky afirma que as gramáticas geram somente sentenças gramaticais que são "aceitáveis" pelos falantes nativos, pois são construídas de uma maneira eficaz e iluminadora: "Colorless green ideas sleep furiously", por anti-exemplo. Por outro lado, a principal contribuição de Austin para a minha poesia foi a idéia de que a linguagem deve ser tratada fundamentalmente como uma forma de ação sobre a realidade, e não como sua óbvia representação. Portanto, ao proferir pronunciados tais como "a vó do cu é a maionese", minha intenção não é a de fazer afirmações falsas sobre esta realidade nojenta, na qual todos nós somos meros companheiros de desgraça, plena e absoluta. Estes pronunciados, veja bem, não são usados para informar, mas para realizar vários tipos de ação, entre elas a anti-poesia. Aqui eu me refiro, claro, ao trabalho de Peter Burger, assim como ao envolvimento dos dadaístas de Berlim e da Internacional Situacionista com a esquerda comunista. Assim, a estratégia cultural progressista neste período pós-contemporâneo deve ser tornar autônomo o negativo dentro da prática artística. Neste ponto, Chomsky, involuntariamente, acabou dando a dica. Na verdade, "a vó do cu é a maionese" é um verso de um extenso poema que escrevi, e que integra um livro chamado "Chimia Geral", que pretendo lançar em breve. Trata-se de uma espécie de "Galáxias", de Haroldo de Campos, seguindo também na linha de "Catatau", do Leminski. Logo que comecei a escrever este livro, resolvi divulgar alguns de seus versos pelos muros da cidade, numa tentativa ingênua de instaurar o terrorismo poético. Entre outros lugares, escrevi "a vó do cu é a maionese" num muro da rua Jacinto Gomes, e nunca imaginei que isso acarretasse tanta repercussão. Quando vi aquela comunidade no Orkut, chorei de rir. Mas poesia é isso mesmo, estimular a imaginação das pessoas, e pelo que percebi lendo as interpretações do pessoal, acho que consegui atingir meu objetivo.
MAS LÁ VC TAMBÉM ENCONTRA ESSA PERGUNTA:
Bolefa: A universidade, assim como sua rádio, é um lugar difícil para divulgar arte? Como tu sente esse clima, em relação à direção, professores, alunos, enfim: o clima em si?
Fabio Godoh: Olha, considero um verdadeiro horror que uma rádio universitária, assim como todas as outras estruturas acadêmicas, sejam as mais conservadoras do cenário. Os produtos universitários deveriam, pelo contrário, ser os mais experimentais, os mais radicias, porque fazem parte de um laboratório existencial e cultural. Mas infelizmente as nossas universidades não estimulam a capacidade de criação dos estudantes. Na verdade, querem perpetuar uma espécie de comportamento robótico-burocrático-mercadológico, de comodismo ético politicamente correto e de castração intelecto-conceitual. Por isso eu sempre digo: nossos professores, em boa medida, são incompetentes, mas os alunos são os principais culpados, pois são coniventes com esse processo de lobotomia geral. Na ossada geral brasileira, alguém tem de exercer as funções de chimia e ovo; e essa é a nossa função como jovens sexualizados.

receita (1) E resposta (2) publicadas em:


livro de avó
E

http://www.navevazia.com/chimiageral/2006/08/index.html

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