VIAJANTES... ESTAMOS!




Um trovão estronda
E os trovõezinhos ecoam
Na selva em redor.
a herança de Nempuku




Devemos concentrar todos os nossos pensamentos no trabalho que temos entre mãos. Os raios do sol não queimam se não forem focados.
Alexander Graham Bell


Tanta coisa, e eu sabia que você, visitante, não iria me deixar sozinho nessa empreitada que é o maquinomovel nos tempos atuais... te digo assim de solavanco porque é tanta idéia ocupando a cabeça, que somente uma escrita mais liberta pode pretender dar a ilusão de que se faz necessário registrar aquilo que atravessa nossos corpos e afetos.
Deixei num tempo atrás uma enquete com pergunta referente aos textos aqui blogados em posts, e esperei seu voto na confiança de que caberia aos viajantes daí desse outro lado, algum cabimento para o que estava aqui sendo composto. Fiz isso por 3 motivos que te digo agora. O primeiro era referente a real necessidade, a de uma dúvida, sobre a acessibilidade nas ordenanças das palavras em idéias um tanto quanto caóticas que sei configurarem os escritos daqui, a segunda era uma espécie de prova frente ao estabelecimento disso aqui enquanto uma rede relacional com a qual opero disparos maquínicos e o quanto essa rede é comportável aos devaneios daqueles que aqui buscam algum grau de liberdade frente ao pensamento, a terceira era uma provocação na qual me vi instalado quando soube que alguém da academia havia dito que isso que componho era meio perigoso, era meio errado, era sei lá o que das fantasias fantasmáticas dela frente a produção de conhecimento e que aquilo que aqui se faz escrita era por demais raso sem a necessária profundidade científica.
Pois bem, tomei para mim esses 3 motivos, e vou começar a divagar primeiramente sobre o terceiro deles, perguntado: ALGUMA VEZ DISSE QUE ISSO AQUI ERA CIÊNCIA? LITERATURA BARATA, É COMO DEFINO MEUS ESCRITOS. IRREVERÊNCIA? É.
Produzi uma semana de engessamento desse corpo maquínico, alusão a um passado que sei estar presente nos afetos de alguns que puderam assistir (ou ficaram sabendo) uma performance realizada dentro de uma Universidade. Se hoje não tenho nenhum registro fotográfico em mãos para te mostrar, é prova de que a Universidade também não distribui os registros de algumas ações desenvolvidas em seus intermeios, em seus campos de produção de conhecimento. O que eu vou fazer com um certificado quando aquilo que fiz enquanto performance foi fotografado e filmado e nenhum desses registros fotográficos “acadêmicos”, e que mais tem importância ao artista ocupacional/ terapeuta plástico, chegou ás minhas mãos depois de ser pedido algumas vezes?
Essa é tarefa do artista? Implorar pelos registros das perfomances que faz? Ficar pedindo por favor aos “poderosos”? Será realmente possível contar com uma rede de pessoas e coisas que o auxiliam, não apenas no registro-documentação, mas numa atitude que possa efetuar a distribuição de um poder para todos e não só para aqueles que se julgam estarem produzindo preceitos científicos normativos e formativos de novos profissionais? Se o objeto foi engessado, engessado continua, mesmo o gesso sendo material fácil de romper, mas é necessário um impacto para que quebre. Disso me lembrei da dinamite e da parede de rochas, sabe o que provoca a ruptura quando se implode uma pedreira, um prédio? O SOM proferido, a propagação do ruído produzido pelo estalo da explosão do minério da pólvora acumulada num recipiente quando em contato com uma faísca...
Entrei em cheque duplicando dúvidas, não sei bem ao certo aonde o ponto final desse texto me levará, mas tenho que dizer a você visitante, que ele não será editado, não será revisto, não será cortado, porque tomei em mãos um direito, ao quebrar o gesso vi que ele aprisionava O DIREITO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO. E quando digo liberdade, estou me referindo também as diversas responsabilidades existentes nesse direito.
Tenho o direito de escrever sobre o que faço, sendo esse escrever um outro fazer frente a realidade. Mas tenho também responsabilidade frente ao que digo, no intuito de não prover sofrimento e disseminar preconceitos. Se há falhas, como não haver? A humanidade não é nem está 100% verdadeiramente correta nunca. Basta para tanto olhar ao seu redor, sua casa, seu planeta, suas relações entre iguais e diferentes estão ocupadas de inúmeras irregularidades, e friso que isso talvez tenha lá um pé numa utópica igualdade de condições. O país de onde escrevo é um dos que ocupam um dos lugares no mundo dos países onde a desigualdade social, de renda, de educação, de cultura, de saúde, de lazer, de relações raciais, de poder enfim... vivemos num país e num sistema onde HÁ DESIGUALDADES, que muitas vezes, sobre a força de quem detém o poder de submeter os demais a lógica de uma verdade plena, acabam por engessar as novidades proferidas pelas pessoas em discursos “COMPLEXOS”. Digo melhor, são discursos firmados em complexos: COMPLEXOS DE PAPAGAIO!!!!!
E quer saber visitante, já gastei energia vital demais com quem num depois puxou tapete, ou quis apenas se aproximar porque tem preceitos vampíricos no jeito de lidar com as pessoas, eles que sejam felizes a seus modos, não sendo o meu nem pedindo para configurar ações conjuntamente, já está de bom tamanho...
Vou mais é fazer minha parte, e respeitar seus votos de confiança nos novos rumos que o maquinomovel toma a partir de então.
O segundo motivo, uma espécie de estabelecimento disso aqui enquanto uma rede relacional com a qual opero disparos maquínicos e o quanto essa rede é comportável aos devaneios daqueles que aqui buscam algum grau de liberdade frente ao pensamento, vi que houveram quase 100 visitas computadas na semana e 15 votos dos visitantes. Agradeço de antemão, sua cooperação frente aos novos rumos que isso aqui virá a tomar. Agradeço pela luz emitida do lado daí, que num click registrou a passagem por essas página num universo de milhões de escritas. Muito agradecido mesmo por você ter ocupado seu tempo, seu espaço e sua disposição para votar.
E para terminar esse post, queria aqui dizer sobre os enredos disparados pelas opiniões que vieram dos votos. Disse na enquete que toda prática necessita de uma linguagem para poder se configurar, e que eu sei de algumas de minha limitações frente á escrita. Mas mesmo me permiti formular 4 enunciações sobre os textos. E sempre penso assim, quando alguém enuncia uma pergunta deve estar consciente de que pode receber alguma resposta, nem sempre fácil de lidar... mas, enfim perguntei e pensei nessas aqui que tem no pesar um juízo de valor: a) claro e acessível (como formalmente nos é ensinado que um texto bom é); b) confuso e embolado ( como formalmente é intitulado um texto caótico); c) interessante mas difícil ( como formalmente temos um texto hermético e demanda muito conhecimento para decifrá-lo).; d) uma viagem na maionese ( como formalmente se diz de um texto que diz-diz-diz, aparenta ser acessível, enrolado e interessante, mas que parece não sair do lugar... viajandão!)
Eu tinha cá com meu modo de ver isso tudo, que os textos eram grande viagens na maionese, não no sentido formal dito acima, mas que eles despertam alguma coisa diferente, uma mistureba que eu gosto demais... e porque não? Ganhamos então nessa de ser intitulados como viajantes na maionese um território possível de investigação e composição. Um mundo fantástico, primado de luz... meio-superfície, que adiante será mostrado. Por enquanto ficamos por aqui, estamos conversados?
grande salve aos visitantes, viajantes na maionese.
andré

Comentários

Rose666 disse…
Ok! André gostei de ver, digo ler, ou melhor saborear!!
Gosto não só do sabor da maionesse,gosto de sua textura e de sua composição cremosa que a tudo se adequa,envolve, mistura e compõe...com pratos requintados a meu sanduiche "comando da madrugada" conjugando com o pão amanhecido e ao que tiver na geladeira.Matandando a minha fome física e de alma .
Assim concebo o saber "de sabedoria" que se expressa nas ações criativas do cotidiano clínico. Este saber que não é aprendido dentro das universidades, discutido nos rool's acadêmicos e que voce bem sabe faz a diferença na vida de quem cuidamos.
Reich já dizia lá em 1920 e bolinha em suas criticas a construção e produção de "ciência" da psicanalise daqueles tempos.
Não existe uma construção de ciência, de uma teoria , de técnicas que não estejam presentes no cotidiano da clínica , que lá não sejam comprovadas.
Sinto que esta questão de produzir "ciência" de forma a respaldar o "poder acadêmico" disvunculado do cotidiano, da realidade das pessoas é e foi a grande ferida de todas ciências, basta rever o curso da história .
Sou ciente do que falo agora expressa muito do pensamento de grandes teoricos e pensandores e uma forma de dizer que entendi e refleti sobre o li e estudei e vivêncie não é apenas ficar me referindo a eles e as citações e sim usar o "eu" em meus posicionamentos e arriscar a me expor e a errar e reformular. É assim que veja a produção de "ciência", é assim que concebo o "saber ".
Para encerrar esclareço que é assim que entendo a proposta do maquinomovel, que de certa forma é o desejo que aconteça quando escrevo no Dasa Mahavidya, que as pessoas me devolvam o que pensam, sentem com que escrevo. Isto é troca, é relação , é construção.
No mais amigo, parabéns!!!
Namastê
Rose
andre miolo disse…
são nesses respaldos cotidianos que a gente aprende cada vez mais a ter respeito a quem nos realmente dá suporte no fazer.
grande abraço, minha amiga.
valeu pelo comentário,e concordo com o que tu disse,isso aqui é uma construção, e quanto mais coletiva for, mais sabores tem...
NAMASTÊ
andre

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