XILOACONTECIMENTO-4.CARTOGRAFIAS OCUPACIONAIS-coordenadas da maquinoativação-10.

(MAPA-TRAJETO-BANDEIRA-RIZOMA, andré nunes, 2007)
click na imagem para melhor visualização



O que hoje escrevo reveste-se de parte do passado e de parte do que compomos no agora, misturança de atual e virtual, não censure, visitante, caso os verbos conjugados estiverem em discordâncias temporais. E se acaso esse escrito mostrar-te um tom menor de trajeto, da estória do trajeto do grupo, é porque ele configura-se enquanto uma bandeira que flameja a partir das práticas e acontecimentos já vividos. Assim hoje agimos, haja visto que neles, nos acontecimentos, há um certo proceder demonstrativo do MAPA-TRAJETO-BANDEIRA-RIZOMA de parte de um território percorrido pelos integrantes do grupo-oficina de xilogravuras – mais adiante um coletivo que um dia te contarei sobre essa transformação.
Continuamos nosso trabalho, gravando e imprimindo novas imagens. Vendo ali as singularidades de cada gravador em suas produções, as temáticas emergentes, os objetos de interesses que um a um vinham sendo trazidos em nossos encontros nas manhãs de 5a. Feira no Naps.
Abro um parenteses para situá-lo visitante a cerca de um dos modos de funcionamento desses serviços substitutivos a instituição manicomial.
" Os NAPS ofertam diversos segmentos terapêuticos tradicionais e, tem na grupalização o principal eixo integrador de suas ações públicas. Sua gestão é participativa, sedimentada no trabalho em equipe interdisciplinar e, sua forma de funcionamento cotidiano é constelada de várias modalidades de grupos abertos. Essas ações não só complementam a oferta de modalidades de tratamento aos usuários como constituem-se no principal diferencial destes serviços, em relação aos tradicionais da área (ambulatórios de saúde mental, equipes de saúde mental em unidades básicas de saúde, enfermarias e hospitais psiquiátricos).
O principal mérito destas ações é dar contexto social e de participação popular a seus usuários, fomentando a construção constante da busca dos direitos de cidadania dos indivíduos em grave sofrimento psíquico". PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTO ANDRÉ. Seminário Reforma Psiquiátrica, fev,2004,(mimeo). Dentre os espaços coletivos disponibilizados dentro dos NAPS, temos grupos abertos e oficinas que se caracterizam em parte, por não ter freqüência obrigatória e constituem-se de várias formas, bastando para isto um organizador e um tema de interesse comum. São grupos de passeios, de atividades diversas (pintura, expressão corporal, ginásticas, leitura, e nossa oficina de xilogravuras,etc) e uma de suas finalidades consiste em provocar interesses a partir da disponibilização dos recursos materiais e subjetivos.
Mas voltemos aos integrantes do grupo-oficina de xilogravuras e seus fazeres e ocupações. Cada qual a seu jeito compunha um repertório próprio. Escavavam com esmero singular. Dialogavam entre si, se interessavam nas imagens dos demais. Aguardavam a revelação da P. A (Prova do Artista – primeira imagem impressa na matriz). Cuidavam de suas matrizes. O trabalho foi ganhando força, foi ganhando corpo, como diríamos na linguagem dos gravadores: foi ganhando luz e poética própria. O princípio dessa ocupação dava-se numa oficina que pudesse posicionar os agentes em um processo de produção de um fazer xilográfico cercado de proposições livres e desenho-desígnios vindouros, idéias de linhas, campos gráficos, exploração dos meios, manchas, ranhuras e riscos, redes de traçados, GRAVURAS-resistência...
Tudo potencializado por uma esfera de cuidado, nas “sub-versões” clínicas , artísticas e uma “terceiras” conceituais sobre a xilogravura em si, enquanto linguagem-pensamento, enquanto posicionar-se frente a produção de suportes expressivos e suportes de vidas. A xilogravura, como exploração dos materiais, usos possíveis de ferramentas a partir de desenhos realizados nas idéias. No caso os integrantes-agentes escolhiam as imagens para serem gravadas em um dos lados do suporte madeira. Cavavam e posteriormente operavam a impressão dessas gravuras.
Tudo isso costurado com algumas conversas que delimitavam as técnicas de xilogravura, apresentação de viéses poéticos potencializares do pensar a partir das materialidades e análise de um certo continuum atividade (como apregoa Quarentei).
Junções de materialidades afins, exposição e recolhimento de imagens, cores suportes, gravuras feitas, gravuras devir. Pensares vários sobre as éticas artísticas, as estéticas “clínicas”, sobre a gravura de se produzir e ocupar a vida, a experimentação e suporte da “locura” como método/ processo de trabalho ás futuras gerações – criações e ocupações de territórios vários.
Uma espécie de nova geografia: humana e afetiva, disso estávamos e estamos falando. Hoje vemos que é possível compor várias ações que podem ser gravadas em esferas de atenções muitas. É possível traçar rumos para fora do espaço terapêutico do Naps, cabendo assim a sustentação desses fazeres numa rede de atenção efetiva, aqui cabendo formas além de um projeto terapêutico aplicável e visível. Formas que conversem com áreas afins: Lazer, educação, Cultura, cidadania, etc...
São linhas de ações que compomos, linhas de envolvimento afetivo, linhas de cuidados, linhas de circulação territorial que permitem, e permitam a nós, fazer com que possamos voltar a circular por espaços extra-Naps. Frente ao enfrentamento da situação, e nela estando envolta os paradigmas existentes nessa nova forma de se pensar apresentadas pela uma ocupação-geográfica afetiva, um paradigma ético-estético centrado nas relações dos humanos e suas gravuras gravitantes em gravidades intensas, uma gerência de recursos humanos e subjetivos que viabilizam a configuração de uma saúde um pouco melhor e “mais grande”, uma grande SAÚDEINVENÇÃO, é muito possível. E também pertinente apontar que sendo o humano fruto da relação com outros humanos, e que esses estando dispostos a juntos fazerem algo em prol de si mesmos, finalizo a postagem de hoje sobre parte dessas ações e reflexões, com as palavras de um pensador:
“ Fazer o que seja é inútil. Não fazer nada é inútil. Mas entre fazer e não fazer mais vale o inútil do fazer.” João Cabral de Mello Neto.

Comentários

Postagens mais visitadas