ABRAM-SE TODAS AS PORTAS... FRACTAL

(fotografia, andre nunes, barcelona, 2007)

Olha, viajante, que eu aqui desse ponto comecei desde ontem uma viagem mnêmica. Sabe, andei pelas ruas da cidade, após as portas do maquinomovel se abrirem, tomado pela idéia, mas era mais do que apenas a idéia, era viver o pensamento em meu modo de ser na vida, algo como direcionar o pensar para as solas dos pés, sentindo no restante do corpo o bater e o soar do vento em seu deslocar. Andei pela praia, andei pelas ruas, era quase hora do Brasil, refletindo a cerca desse achado vindo de Robert Brown e nisso me punha a admirar. Como pode o vento, ao deslocar-se pelas ruas em seus sopros, estar ocupando toda uma atmosfera? Virá de onde esse empurar de sua força? E a Terra, uma bola cheia de ar e outros gazes que se diluem, de líquidos a se misturar, de sólidos a se encontrar. Parecia que agora algo que um dia havia pensado novamente sincronizava-se nessas coisas que o Yung um dia falou sobre a tal sincronicidade. Se as portas da percepção te conduziram até aqui, vale a pena eu te contar um pouco de como foi que comecei tudo isso, muito antes de haver maquinomovel, maquinoativação, viagem na maionese, etc e tal.
Eu havia acabado de sair da faculdade de Terapia Ocupacional, e meio perdido encontrava-me. Havia composto alguns textos fragmentados numa disciplina de desempenho profissional, e nessa ouvi de uma grande amiga e mestre um conselho: continue escrevendo, compre um caderno e dedique-se as suas composições. O recado fora dado, ali ela me ensinou algo que valeria e muito nesses quase 10 anos de formado. Que essa experiência, essa experimentação frente a vida, é única, mas que ao escrevê-la poderia, no registrado das palavras e imagens, achar meios de mostrá-la aos demais. E assim, lá eu fui comprar um caderno.
O primeiro de muitos que depois usei nos traçares e tramagens de linhas. Mas esse primeiro eu dei o nome de FRACTAIS, na época, aos 22 anos de idade, eu não sabia muito bem o que isso queria bem dizer. E acho que hoje ainda também não sei muito como te passar essa informação, mas o fato é que quase 10 anos depois, em meio a uma outra viagem instalada na possibilidade de dizer sobre um novo que aparece, surge esse tal de movimento browniano, que me leva as memórias FRACTAIS.
Fui tomado por uma alegria esquisita, era como reconhecer-me aonde achava fazer inédito. Algo como, disso eu sentia que sabia, mas não sabia que já sentia, apenas achava que sabia, não sentia, mas ao perceber pude ver que sentia saber que sabia. E esse sentir, esse sentido não tinha como ser apagado, não tinha como ser destruido, não tinha como ser invalidado, porque a mim fazia sentido esse sentir, podia ser que não fazia sentido algum para outros, mas a mim FAZ e já FAZIA.
Andando pelas ruas, sentindo o vento bater na cara-corpo, como que me confirmando, mais uma vez pude sentir saber. Todo o mundo, e o universo, já está ocupado. Cabe a nós, humanos, saber poder entrar. Onde entrar, como entrar, quando entrar, porque entrar, para quê entrar... são sentidos dados as futuras ocupações. Estou te dizendo isso tudo, numa tentativa de ser verdadeiro, verdadeiro no sentido de poder ocupar minha boca-corda vocal e respiração, com algo que venha da vontade de tornar meu bumbo do peito, minha tripa do samba, meu coração um ordenador daquilo que tenho a te contar.
Ando atualmente pensando sobre esse ser "terapeuta ocupacional", sinceramente falando não consigo mais nisso me achar, penso que quando ocupei a tal idéia "terapeuta plástico/artista ocupacional", estava mesmo era inventando um jeito de suportar ficar na clínica. E agora aqui estando, de outro jeito, não sei mais como fazer. Essa mixagem identitária híbrida, talvez tenha a ver com esse mundo coloidal.
E essas são mais algumas de minhas partículas de FRACTAL.

Comentários

Rose666 disse…
Ah!!! que bonito te ouvir falar ...me leva a pensar e a sentir ...e dizer como bem sabe a muito me sinto não mais encaixando na pele destas ditas identidades estanques profissionais..Já resolvia a minha crise me dizendo transprofissional e não mais só psicologa ou analista bioenergética. E agora o que fazer nesta de diretora de uma unidade de saúde!!!! Instala-se a crise novamente !!! e lá voueu pra galera e dizer naun quero ser chefia ....esta roupa é justa ou larga demais!!! e volto ao meu sentir e quem sabe dali saia novas respostas. Tô aqui falando isso porque fiquei a refletir diante do mar neste final de semana e vi que as identidades sejam de que ordem for (profissionais, sociais etc...etc...)são como roupas de griffe que nos "vende" sabe e cabe a nós dizer quero entrar nesta alienação de moda ou não . Sabe tô aqui meio gestando e bulinando nas entranhas e em breve falarei disso! Eu gosto de ser a "A Garota da Lanterna", acredito nisso ! Agora como mostrar isto a pessoas que tem e cobram uma roupa pronta para a gestora.!!!
Gestora, Gestar ! talvez a luz no fundo do túnel! Vou ser agora A Garota Gravida! ehehehe
Namastê
um Grande beijo
Rose

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