CORPO METÁLICO & IMPORTÂNCIA

(fotografia, andré nunes, barcelona, 2007)
Achei graça nessa coisa de ter contado a você sobre meus escritos FRACTAIS. E tomei coragem de ir até a estante e buscá-los. Reler algumas coisas, e ver como se muda absurdamente quando se está em convivência com as pessoas. O primeiro texto data de dezembro de 1998, e lá se vão 9 anos e quatro meses. Mas folheando as páginas prenchidas a caneta, encontrei duas composições que dão um pouco a tônica do que ali foi feito palavra. A primeira é um poema: CORPO METÁLICO, e a segunda uma escrita feita numa época em que ficava me perguntando e tentando perceber sobre que importância teria para as pessoas virem até um atendimento clínico se tratar. Vou deixar aqui registradas essas palavras já te avisando que nos próximos dias estarei fora do ar. Certo? Então, aqui estão os escritos.






(fotografia, andre nunes, santos, 2007)


CORPO METÁLICO


genérico, como nomes que salvam,


e dias mal contados


de um calendário antigo.


genérico, como sentido de geral


coletivo em coletividades.


genérico, tal qual terceiro gênero


em grávida barriga


que não passou por ultra som.


Os dias são noites cobertas de claridade,


e o oposto em genérico também é válido.






IMPORTÂNCIA
(Astronauta, xilogravura, andre nunes, 2007)
Deve ser importante as pessoas virem aqui. Eu acredito, acredito que somente quando conseguimos compartilhar do tempo e espaço (elementos componentes das velocidades vertiginosas sentidas no estar vivo), é que podemos viver. E acontece as vezes, de uma doença se instalar na gente. Ou quem sabe a gente também se instala nessa doença. Dá-se um tempo/espaço para que a mesma configure uma outra realidade. Diferente daquela em que havíamos nos acostumado. Toda doença produz é mesmo uma ruptura, e solicita que nós paremos um pouco para remodelar nossa visão de muitas coisas. Saúde, desafios, felicidades, o que é ser humano, cotidiano, etc. São palavras apenas?
Um dia, li uma fala de um cara chamado Herbert Daniel, que sei lá porque anotei num outro caderno. Não sei a origem do texto, mas gosto da forma como ele apresenta seu modo de enfrentar sua condição. Ele dizia assim: " a doença cria, porém, uma carapaça que não me dá certeza de que, se ela não existisse, eu estaria fazendo uma coisa que seria mais laboriosa, em matéria de vida. Sei que estou fazendo uma coisa árdua, talvez mais trabalhosa do que viver a própria doença enquanto tal, e só isto mesmo. Cheguei a conclusão que meu primeiro e derradeiro tratamento é sentir-me da minha época". Achei esse escrito dele, fenomenal!



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