ENCONTRO

(fotografia, andre nunes, barcelona, 2007)
...assim começa esse texto. Prefácio de um repente seguramente desconhecido. impossível por fora ou dentro que o constitua. Estou perto daquele estrindente zumbido resultado de poluição. Encontro-me agora gerenciando as palavras de um antigo texto com o qual me vi familiar. Esse constituído de um discurso pensado secreto. Na tentativa de tratar a sombra com uma ternura de grito.
Grito. TALVEZ...
Talvez... abrem-se portas em inúmeras casas e existências variadas se articulam e na passagem, numa passagem, reduzem pensamentos apavorantes de uma parte de um movimento e momento do qual antes tinha expectativas. QUERO OBJETIVIDADE!
Quero aquilo que me convêm. E reparo que somente na experimentação o "convém" de cada um se faz presente. A palavra que caberia aqui é sentido. Canalizando bem o que sentido tem haver para cada um de nós, vejo-me preso a impressões sem sentido aparente.
Contudo acredito que o sentido vai sendo aos poucos reforçado pela afirmação que os outros , e até nós, vão nos trazendo. Mas isso , essa sensação de não ser uma pessoa estruturada, esse receio, eu andei percebendo que esse sentir-se disperso por entre a multidão não é particular. Vai me dizer que você também não sente essas coisas? Das vezes sentir-se pluralista, mais uma coletividade do que um indivíduo empedrado em certezas ilusórias... solitário e coletivizado.
Os dias, os amores que temos na vida, vão nos pondo em eixos questionadores. O amor reflete a cada um de nós aquilo que as vezes pretendemos deixar nas escuridões dos sentimentos. Isso é piegas, mas está valendo! E engraçado porque sentindo somos diferentes de fantasiando, sentido somos diferentes de apenas raciocinando, e mesmo assim podemos estabelecer uma forma de comunicação construtiva ocupando esse território do não saber-sentimento.
Há dias em que a morte de duas baratas te atrapalham de uma forma que é difícil descrever. E descrente assisto aquilo que a TV me instrue e vejo humanos mortos e nem incomodado fico mais. A vida humana acabou adquirindo um valor absurdamente reles a tudo que pensamos construir.
E vejo mundo de hoje, a cada momeno difícil de ser engolido, cada vez mais unido a uma forma de anestesiamento, jornalismo-narcose. Que uma risada bizarra e irônica me desafoga num sentimento de desentendimento.
E fico projetando planos clínicos, coisa esquisita essa relação clínica<>mundo. As vezes, vejo isso tanto nas pessoas que trabalham nas instituições e carreiras de saúde, isso da clínica acabar por engolir o mundo, tudo passa a girar em função dela, as pessoas, os profissionais ficam aprisionados em constantes visões de trabalho, pensam somente nisso, falam somente sobre isso, vivem isso e apenas isso... "terapeutizam" o mundo... e o mundo, no mundo,passa a ser somente isso, mas existe a possibilidade de se criar uma "nova clínica"? Onde questões outras estejam se constituindo. Que até me dá um bode falar essa palavra clínica... Cada instante e somente a visão periférica de alguém que hoje não está mais preocupado com isso, alguém que se proponha a tarefa do terapeuta de possibilitar que o sucumbir da clínica exista num território não fantasiado apenas, num território não mais fantasmático, algo como o fim da clínica... nessa visão única, esse ser periférico talvez ainda não saiba que na realidade esse sucumbir é isso que se constitui num caos cotidiano... estas são recordações que fotografei há tanto tempo , e tanto tempo habita meus brios e memórias que não me espantaria se não encontrasse esse registro aqui. São casas por onde sempre volto em imaginação. E o que fiz, e as vezes faço, é deslocá-las pouco mais de cem quilômetros, para que a luz da máquina possa observar, que espaço haveriamos de ocupar quando isso que chamamos "clínica" em algum momento acabar, enquanto pensamos no espaço que nos cerca, enquanto pensamos no espaço que nos resta, enquanto pensamos no espaço a ocupar, pensamos no espaço transcorrendo em tempos.

Comentários

Rose666 disse…
Naun sei mais se quero desconstruir espaços...as pessoas são aguaradas aos espaços ocupados e desocupados as atemorriza.
Eu não estou mais desocupando espaços..estou abandonando espaços ocupados...tô de saco cheio dos meus espaços ocupados..quero ocupar novos espaços...quero o vazio...e talvez lá ficar sem nada construir. Devaneio meu não! isso não possível.. talvez queira ocupar com "coisas" que possam ser sempre reciclaveis!
Assim é a espontaneidade do sentir...um sentir expresso...desocupa a alma...aguarrarmos a conceitos e valores que se tornam únicas verdades ,é ocupar a alma..e a cronificação de verdades são entulhos, acumulamos "lixos".
Talvez seja isto que ocorra com o clinicar atual ! E isto para mim acontece em todas esferas de meu existir! e acredito que não seja só do meu!
Grata por este texto. ele entrou aqui em mim nesta via internética e aflorou um novo retalho ! encontro-me repleta do fazia e amava e chama de clínica ou anti-clínica ou a procura por novos saberes e espaços. e derepente a vida me chama para compor um novo espaço e abrir não do antigo! Entendo, agora, a minha relutância em ocupar os espaços de gestora. Pego o novo com medo de deixar o antigo. Entendo a angustia destes últimos tempos e entendo agora a angustia daqueles que relutam em deixar os quartos entulhados daquilo que não serve mais.
Temeroza e angustia tô separando o que serve e me desvencilhiando do que amo. Reliquias são belas, mais elas só cabem em museus. E eu não quero transformar minha casa/alma em um museu. Sabe porque as pessoas não residem em museus, elas só o visitam.
Já basta isto não é um comentário! Já estrapolei e desculpa este jeito de entrar e comentar no seu espaço maquinomovel, um tanto invasivo! Por hora não consigo ser diferente...ser apenas educada e polida ...fazer um comentário-sócial.
Beijos
E Namastê
a tua coragem e espontaneidade
Rose
andre miolo disse…
gosto quando você também se põe a ocupar essa fronteira blogueira, tanto aqui no maquino, quanto lá no mahavydias...
namastê roseli,
e gostei da palavra anti-clinica... mas tava aqui pensando em uma ideia, proxima ao estado de arte sem arte, será possivel um estadode clínica sem clínica? ourto dia escrevo sobre isso...
bjão
andré
Rose666 disse…
Não conseguia encontrar uma nomeação então usei anti-clínica, mais o penso-sentir tá mais mesmo para esse estado de clínica sem clínica. É isso ai rapaz!!
beijos
Rose

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