"VIDOURO"

(fotografia, barcelona, andre nunes,2007)

Eu passo a querer, um passo por vez. Eu, que te conferia idéias soltas e alavancadas por palavras construídas pela língua materna portuguesa, que antes de ser qualificada com chamamento materna teve num país ou lugar ou cultura sua raiz. E de onde a terra já era finita por experiência num tempo do antes... Eu te digo assim, ao livremente pensar: isso, dessa forma que hoje te escrevo e você lê, veio, a princípio, de Portugal.
Lugar de onde caravelas saíram em busca da expansão de todo um povo miscigenado. Povo esse reunido ali na ponta do porto do lado de lá do além mar. Agenciadores de uma humanidade que ousou estar para além do lugar de entre guerras e migrações, entre conflitos e arrumações, entre crises e resoluções, entre fugas e ocupações... de todo um povo instalado nesse movimento de saída. Moverem-se saídos da miscigenia existente entre eles. Viventes num tempo onde foi necessário um entrar para a aventura de um tipo outro de ocupar-se da vida, de um tipo outro de experimentação e expansão.
Ali , naquele espaço/tempo, se reunia toda uma humanidade formada por etnias variadas em européias, em judaicas, em orientais, em barbáricas, e tantas e de tantas culturas possíveis, sob um fomento quase único e só, quase um uníssono, que era o de saber não mais caber-se naquele território. E assim, necessariamente, ao saber não mais ali somente se reconhecer, ousou ganhar algo de novidade e outramento ao cruzar um abismo de fronteira, entre o chão e o mar.
Reunindo saberes e conhecimentos variados de astronomias-astrologias-matemáticas-cartografias marítimas-geografias-políticas-economias etc e tal., e todo um aparato-constructo humano dado pelo engenhar uma sensibilidade possível de chegar ao ir além , esse povo partiu de um lugar onde a terra (enfim finita) encontrava-se derradeiramente com o grande salto abismal do mar. Aquilo tudo reunia seres humanos e suas coisas. Unia numa relação fundamental, numa relação que conferia aos homens e as coisas resultantes de seus trabalhos e fazeres no mundo uma vontade de ver-se além. Uma vontade atenta em ocupar um novo, uma vontade efetivada na humana ação criativa enquanto um reflexo deles e de seus produtos e coisas na terra, e era preciso expandir tudo isso. Ao sairem de lá, era como mais uma vez mostrarem que esse ser, enquanto habitante da terra-seu lar, realiza novas ações através de variados feitos.
Tudo isso que se deu era muito inédito e grandioso. E daqui, pouco mais de 500 anos atrás. Isso dos de lá se encontraram com os daqui e os daqui deixarem que esses entrassem e aos poucos fossem disseminando uma cultura outra, diferente daquela construída-vivida e justificada, gerou esse encontro em novidades.
E diz uma lenda perceptiva que quando os daqui viram caravelas se aproximando, viram foi é nada pois nunca antes haviam visto naves como aquelas, e não tendo em seus ideários da razão aquilo enquanto uma coisa existente, não viram nada além do que o mar e algo caoticamente diferente instalado nesse acontecer...
Os daqui -daquela época- em parte aceitaram a presença desses corpos estranhos, corpos esses que foram se infiltrando e extinguindo. Miscigenando e ambiguamente construindo e destruindo, não só enquanto número mas também enquanto modos de existir e de poder. Formatando esse outro funcionar em diversificadas humanidade.
Esse "vidouro" todo de encontro que aconteceu, conferiu mais uma vez que aquilo que ali tornava-se forma era meio de experimentar uma nova representação. Uma uma parte de "porta" de entrada ao universo das sensações de abertura constante ao mundo. Eu volto a frisar que o "vidouro" era meio, e não fim. Como isso aqui de viajar na maionese também é, meio de se fazer ligaduras e ligamentos nos encontros dos limites dos entornos de todos nós, vide Eu e você.

Comentários

Anônimo disse…
Olha... este texto eu nao entendi nada. Talvez seja muito cedo, mas eu nao entendi nada mesmo. Os paragrafos tao gigantes... mas vai ver nao era pra entender mesmo, sei la.
"Vidouro" pra mim e' nome de escola de samba: "Unidos do Vidouro".

O site ta muito bacana mesmo . Parabens. beijao, Sancler
andre miolo disse…
Grande san, valeu pela dica, vou reformatar os parágrafos gigantescos daqui em diante.
Vidouro, sendo escola-samba, tá bem próximo da idéia carnaval.
E salve o A-LA-LA-Ô!
Valeu mesmo
grande abraço
andré

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