HIPNOS...

(fotografia, andre nunes, barcelona, 2007)

Hipnos,
foi descuido que tive assim, quem me alertou foi Mania, que cuida das ordens da loucura .Renunciei descansar a alma e o corpo em virtude das falas das vozes do fora que comigo conversavam incessantemente. Um mundo esquizo pretere-se assim. O fluxo move-se e há um corte. Parece que antes mesmo de acontecer, de saber o próximo destinatário da carta após você, antevejo a quem deverei me remeter. E o fato de ter de encará-las me dá certo receio, porque com elas há um final para tudo isso. E novamente encaro o destino.Mas queria mesmo era saber, se isso que pressinto é realmente aquilo que acontecerá. Ou melhor, se o que já sinto hoje, num ar de intuição é real enquanto ação posterior?
Mania me disse que eu cuidasse de meu cuidado, e resolvi então incomodar-te,Hipnos, em sua gruta, onde nem galo canta, nem cachorro ladra. Porque, para restabelecer as forças que esgotaram-se, necessito um tanto de descanso no sonar dos sonos. Por certo haverão sonhos, assim espero. E que esses venham me mostrar se é para lá que deverei escrever a carta final. Já sinto os olhos pesarem, e os conteúdos que tinha sumiram numa nuvem de esquecimento. Adentro por vez o outro reino da memória, que leva o nome de lembrança.
Abraço
andré.

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