O 13o. : ZAGALO, NELES!

(guache sobre papel, andre nunes, 2002)

Mais uma semana de labuta vencida, e o que é melhor: sem cigarros fumados. Te dou esse conselho: Pare que é gostosa a sensação de ficar sem fumar, o cigarro tem mesmo um gosto que anula todos os outros, fazendo com que parte das degustações percam um espaço/tempo em seu sentir. O gosto da comida muda, o cheiro das coisas mudam, e o melhor, perde-se aquele cheiro que fica nas mãos. Nos dedos indicador e anelar... vale a pena essas pequenas coisas.
Te digo, não há conforto em minha alienação, sendo ela também reflexo de minha ocupação no espaço e no tempo.
A ocupação de espaços e tempos pelos humanos se dá através da construção de ações ou práxis exercidas em forças do seu agir-fazer, em vetores de movimento/movimentação que permitem aos demais (humanos) estabelecer graus de intensidade de aproximação, nulidade ou repulsa frente ao "deslocamento" executado por essas combinações. Tal hipótese pode ser ilustrada através de uma forma própria de poder jogar-brincar-trabalhar com modelos de pensar as atividades e entendimentos da produção humana, de um modo mais generalizado.
Na escala evolutiva vemos que territórios e/ou temporalidades podem vir a ser demarcados-e demarcadores- através de fases-frases, eventos, objetos, coisas adquiridas, contruídas, status percorridos, avanços e retrocessos. Todos esses movimentos são efeitos das atividades humanas quando em estabelecimento da aparência das forças já citadas: aproximação, nulidade ou repulsa.
Numa escala outra, mais contemporânea e próxima ao aparelhamento atual do maquinomovel, e que chamarei a princípio de cosmo-caótica ( como já apresentada numa textura bem anterior a essa), tais efeitos e parâmetros de medida são desvirtuados . E o que se passa a ser usado enquanto aparelhamento possível são os campos fenômenicos do fazer, elevados as vontades e potenciações, divididos em redes relacionais . Vou tentar explicar melhor, exemplificando.
Quando uma pessoa, através do contínuo processo de investimento afetivo ( e no caso da T.O terapêutico) vai aos poucos construindo um seguimento de sua história através de objetos-coisas ou momentos vividos juntamente as pessoas ( e aqui vale tanto terapeuta quanto grupo, no caso da T.O), é possível entender que várias coisas já citadas, possam servir como marcas e marcos significantes de um avanço ou descoberta de territórios/temporalidades e possibilidades outras de subjetivação e ou oucpações na vida, entre outros vários possíveis.
E vai como que traçando um caminho percorrido, uma jornada com pensamentos e atitudes que demarcam origens, chegadas e avanços. Produzindo o que se poderia chamar de retomada ou enraizamento de sua história enquanto sujeito produtor, e o que é mais interessante, um certo enraizamento a toda uma configuração da humanidade.
De outra forma é possível analisar a mesma trajetória de atividades não enquanto percorrimento trilhado. Mas sim algo mais amplo, onde gostaria de reiterar que uma não exclue a outra, mas que quando unidas ambas tem uma possibilidade de abranger outras formas , e ainda, centralizar menos em pontos estanques, mas sim, poder colocá-la no coletivo. Poder dividir os acontecimentos na coletividade dando aos agentes que compõe- e a esmagadora maioria das pessoas em modo de surdina por ter ignorada sua prórpia força de composição- suas criações de outros tempos e espaços, sejam eles: distorcidos-fragmentados-em movências. Tudo isso, só acontece porque o homem faz, age.
Vou te contar; O Zagalo é que estava certo, agiu dizendo e mostrando claramente sua forma "eles vão ter que me engolir!", já dizia o cara. Sem saber que nisso aí há uma verdade : o verdadeiro valor capital, e do capial, está mesmo na cabeça das pessoas. Força inventiva que está em cada um e em todos ao mesmo tempo. Talvez por isso, por haver valorizações singulares, e talvez por isso o dito do zagalo tenha lá marcado tanto sua atitude. Quando ele assim nos diz, não é possivel somente perfazer um trilhamento ao pontuar e localizar tal objeto-coisa-dita na faixa temporal e situacional, mas também é possível mostrar que sua força inventiva com grande potência vital foi capaz de construir á coletividade esse modo de dizer, abriu campos para que outros pudessem se posicionar frente a vivo. Isso é operar em devir.

Comentários

Anônimo disse…
Andre, passei aqui pra te dar um alo.
li os seus textos desta semana. Tava joia.
vou te confessar que eu nao leio as partes que voce linca de outros sites e outros autores. Gosto do que voce escreve. E' melhor de ler.
Voce pensa muito... ate demais. gente, nao da' dor de cabeca?
beijo pra voce.

Teresa Baptista da Igreja Adventista

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