QUARTA DIMENSÃO: ATÉ TATU BRUTUS!

(fotografia, turista, barcelona, 2007)
É assim que está escrito. Você acende um cigarro e em 7 segundos, isso mesmo, 7 segundos já está sentindo prazer. A fumaça adentra o pulmão, logo cai na corrente sanguínea e zaz... estranho pensar a coisa assim. Num mundo envolto por tanto estresse, cobrança, desprazeres, desejos hedonismo, etc e tal, o cigarro-produto é um bem que lhe garante certa dose de alívio e acesso a isso.
O fumo sempre existiu. Em forma de cachimbo nos rituais sagrados, em formato palha pro matuto contemplar, em formato charuto pro Freud pensar melhor, pra todo mundo ver em qualquer lugar que passe. Está sempre ali. Contudo o que muda frente ao acesso, é a atitude de quem procura. Evitar lugares e situações que remetem ao vício é um canal possível. E vou te dizer, escrever nesse computador aqui de casa está sendo meio pário duro. Porque era ligar a net e já acendia um cigarro. Ou seja, compulsão em dobro. Daí ficar 3 horas com a máquina internada na internet, e fumando que nem a caipora, quando desligava e via o cinzeiro: quase metade do maço tava ali transformado em bituca!
Enfim, trouxe pra mesa um litro de água. O que me valeu ter de sair algumas vezes para ir ao banheiro. E nessas idas pensava: O QUE TEM QUE MUDAR EM MIM É A IDEOLOGIA- E ISSO SÓ SE MUDA COM ATITUDE. Daí divago em vários sentidos, mas o do cigarro é que essa atividade: FUMAR me mostra que minha vida está numa falta de prazeres. Digo melhor, talvez seja verdade que os prazeres poucos que tenho não sejam reconhecidos por mim nos momentos que esteja vivendo-os. Ou seja, em parte estou alienado das outras coisas que me trazem prazer e eu não as encaro.
Que loucura isso aqui. Do que a falta dele está me fazendo ver. Isso de saber que em parte dependo do cigarro, sendo ele um símbolo dos outros processos de dependência na vida, das formas que acesso para esse enfrentamento constante frente aos instantes de necessidade de prazer ( afinal 7 segundos é uma rapidinha bem rapidinha!!!!!hehehehe) e um certo facínio quanto a disponibilidade.
Tudo isso que agora escrevi, veio da reflexão de um trecho do texto: A DEPENDÊNCIA: UM FENÔMENO PSÍQUICO ATIVO, de CLAUDE OLIEVENSTEN.
Assim está escrito na página 15, da 1a. edição , de 1989 (quase 20 anos atrás e ainda atual!), pela ED. Artes Médicas, do livro A CLÍNICA DO TOXICÔMANO a falta da falta:
" Envolvendo então toda a práxis e pensamento do homem, a falta é verdade, alienando qualquer outra verdade: é a ligação entre um enfrentamento perpétuo e a instantaneidade da necessidade e do fascínio. Ela torna um ser ativo a ilusão, mesmo se aparentemente seja um fenômeno objetivo. A falta é simultaneamente individual, incomunicável e verdade do mundo. E deliciosamente dolorosa, mas ainda não melancólica, porque participa do produto e não do trabalho de luto, embora ponha a nu a incompleteza, a solidão e a inelutabilidade da morte" CLAUDE OLIEVENSTEIN.
É, e você aí? Sente falta de que?

Comentários

Postagens mais visitadas