QUINTA CATEGORIA.

(fotografia, andré nunes, barcelona, 2007)
A merda está feita! Quer dizer, digo que a merda está feita mas talvez seja mesmo reparo pra merda anterior mal feita. Peguei 1/5 do meu salário e comprei uma caixa dos remédios para parar de fumar. Fui na farmácia e sei lá porque o sistema estava fora do ar, o cartão de débito não passava. Num pensamento pueril pensava comigo: Vai ver é um sinal pra não fazer cagada na vida!
Mas pensei bem, e achei que esse pensar era mais uma vez eu me sabotando. A gente é assim mesmo, vive se auto-enganando, tentando dar um jeito pra driblar situações onde ficarão evidentes nossas impotências e insuficiências frente a ilusão de controle na vida. Eu por exemplo, adianto 15 minutos o relógio despertador, daí me engano em achar que tenho um tempo a mais pra poder dormir e não ter que acordar as 5 da matina. Na real acordo as 4:45, mas acho que são 5... e me permito dormir uns 15 minutos a mais. Quando então durmo a mais, acordo as 6:00 achando que estou 1 hora atrasado.
Mas o fato de poder estar escrevendo isso, tem me feito pensar para além dessa circunstância do tabaco. Comecei a ver um pouco disso nas pessoas. Dessa questão da dependência psicológica que se cria na vida, nos amores, nas relações em família, nas relações de trabalho, e cá entre nós, essas questões conversam em grande estilo.
Quando comecei a me dar conta do cigarro. Olhava aquele bastonete de fumo e pensava, como pode isso aqui ocupar um lugar de tamanha intensidade me minha vida? Como é que pode isso? Como pode tem lá haver com vários fatores, os orgânicos e canais neurais por onde a substância trafega e se deixa impregnar, tem haver com contextos-relacionais, tem haver com acesso, tem haver com momentos históricos da vida de qualquer um, e claro com uma certa disponibilidade genética para tornar-se dependente da droga.
Olhando isso tudo pela ótica das subjetividades, muito se aplica também a sentimentos vividos em relações humanas com outros humanos. A coisa fica parecida com um namoro, no começo é um prazer extremo, sensações de vertigem, vontade de ter mais, não pensar em outra coisa a não ser no "amor"... e o tempo vai passando, um certo tempo de experiência na relação, daí começam os outros estágios, ou se quer mais e melhor, ou se satura e quer largar.
Entenda bem que aqui não estou coisificando pessoas, o que comecei a perceber é que em parte as relações acabam ocupando certas fronteiras próximas, nesse sentido paixão vicia mesmo. As sensações vividas são bem próximas, e para brecar somente um agente externo ou vontade maior.... Ainda bem que existe a sogra!!!! e se vier acompanhada do cheiro de bituca melhor ainda!!!!

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