Instruções: 2- Não é possível ativar o ser bonzinho pela escrita.

Isso mesmo, a não ser que se queira criara uma subversão do ser bonzinho. Na Póvoa de Varzim, além mar, no décimo quarto dia dos de fevereiro desse ano, reuniram-se a mesa redonda um seleto grupo de gajos que sob a chamada de : Literatura e perversão – ligação possível ou impossível? Desafiaram-se num debate do Correntes d’Escritas, que teve como tema “Escrever é um Gesto Perverso”.
Espanto e estranheza marcaram o evento, sendo necessária algumas pesquisas por parte dos participantes da mesa.
Garcia Ortega, a princípio disse ser impossível unir literatura (para ele algo transparente)e perversão (algo obscuro). Ao analisar etimologicamente concluiu que por definição, perverso significa algo de mau e que também diz respeito a algo alterado negativamente. " Ora, se escrever é viciante e ler implica a alteração da conduta, então Escrever é um Gesto Perverso."
Eugenia Almeida investigou a palavra perverso, tanto no dicionário quanto na psicanálise "onde tudo é perverso e “e as palavras nunca significam o mesmo que para o resto dos mortais”. Etimologicamente, com a ajuda de um amigo, descobriu que a definição de perverso girava em torno de tomar algo e dar a volta, fato que acontece na literatura. “Um mundo de possibilidades, onde posso corrigir, inventar palavras, voltar atrás.”
Concordando com ela, José Norton, que trabalha com biografias as quais necessita investigar para poder escrever sobre, vê neste trabalho, perversidade, ao dar a volta “a ideias feitas que tenho encontrado em biografias que eu, através da minha investigação, concluo que não foi bem assim. Passo a ideia real, dou a volta às coisas”.
André Sant’Anna também participou. Sua obra tem a sexualidade como tema marcante, o que alguns v~eem como perverso. “Mais do que a literatura é a arte que perverte a cultura” disse, “e a cultura tenta impor um formato”.
Po fim, Mário Pinheiro também se rendeu a estranhamento do tema. Um bom sinal, referiu ele. Pois “estranhar é começar a compreender as coisas... não há perversidade no simples acto de escrever, poderá é haver subversão”.
A perversidade, ainda indicou Pinheiro, não se identifica na literatura em si própria, mas na comercialização da mesma: “a perversidade consiste no encher dos bolsos à custa da ingenuidade dos outros".
Noticia reescrita a partir de:

Comentários

Postagens mais visitadas