ENCICLOPÉDIA EMPÍRICA DA PAUSA

(ilustração, andre nunes, dezembro 2008)

Cruzados estavam seus caminhos, reais e aparentes, eram de origem híbrida. Daí o conflito e o atrapalhamento das entranhas, dessa mistura permitida entre vir a tona em imersão. Metade a metade, da terra vieram e para lá voltariam. Não havia muito o que questionar. Sentia-se perdido e confuso como se tudo que povoasse as ilusões imaginativas fossem fantasias e assombrações de memórias sendo reeditadas em um sistema orgânico ocupadamente vivo. Nada dessa espécie de achar-se morto-vivendo em corpo fechado. Que motivos haveria em complementar a experimentação iniciada a não ser o preenchimento da memória de destino? O destino era mesmo a fronteira do vazio?
Sozinho ele seguia seu trabalho. Esse aqui de engenhar e construir o maquínico quaternum protético de pro-posições do território humano ocupado do vazio em . Era essa jogada. Era esse seu modo de operar as descobertas. Para que guardar-se em segredos quando o desvelamento pode ser mostrado? Quando o mais bonito de experimentar é o inacabado, o imperfeito, o meio sujo do processo!
E justamente esse princípio, que tornava concreto seu pensamento-vontade, também lhe prendia numa espécie de estacamento maquinal. Era difícil o seguir do prumo caótico, de sempre estar em desordenamentos e trocas inadequadas. A Caosmose não era fácil de suportar. Essa trazia em suas aproximações com o inconsciente suas deformações de características e caráteres vigentes. Tudo feito com desenhos e ilustrações de uma ingenuidade beirando infantilismo, ou de um completo non-sense idiotizante. O por vir cada vez aumentava a medida que o tempo experimental passava, o número de visitantes crescia e sua incapacidade ficava mais evidente. Sozinho ele sabia isso, e não sabia se podia ou não se responsabilizar pelas consequências vindas do encontro com as limitações de outras pessoas. Seu mal não era a avareza, pois despendia suas criações . Eram a inveja e a preguiça em ter que manter-se vivo durante os ativismos que fazia. Viver custoso. Produzir imagens de vida a serviço de uma funcionalidade narrativa era algo que ele ia aos poucos se apropriando, no fundo achava isso de uma crueldade triste para com as imagens.
O maquinomóvel era pois, um pequeno estúdio, um pequeno estudo de formato e sistema para estabelecer comunicações. Fosse através de novos métodos, novas técnicas apreendidas, novas linguagens de outras disciplinas para além da arte e da terapia ocupacional.
Aqui está o troco de um valor que você depositou!

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