BALA - 4

(ilustração, andre nunes, 2009)
" Se o que chamamos "identidade" não estivesse enraizado num relacionamento constante com o meio, perder-se-ia no caos das impressões em espiral, que nunca se repetem.
O que impressiona a retina, sejamos nós galinhas ou seres humanos, é uma confusão de pontos de luz dançantes, que estimulam os bastões e cones sensitivos que deflagram suas mensagens ao cérebro; o que vemos é um mundo estável. São precisos esforços de imaginação e uma APARELHAGEM bastante complexa para compreender o tremendo abismo que existe entre os dois. Considere-se um objeto qualquer, como um livro ou um pedaço de papel. Quando nós o examinamos com os olhos, ele projeta sobre as nossas retinas um motivo luminoso movediço e fugaz de variados comprimentos de onda e diferentes intensidades. Este motivo dificilmente se repetirá exatamente - o ângulo da nossa visão, a luz, o tamanho das nossas pupilas, tudo isso terá mudado. A luz branca que um pedaço de papel reflete quando voltado para uma janela é um múltiplo do que ele reflete quando voltado para a direção oposta. Não é que não percebamos alguma diferença. Na verdade, temos que percebê-la se quisermos ter uma estimativa da iluminação. Mas nunca estamos conscientes do grau objetivo de todas essas alterações... um lenço branco na sombra pode ser ... mais escuro que um carvão á luz do sol."
GOMBRICH, arte e ilusão.

(ilustração, andre nunes, 2009)

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