BALA-5

A PANTERA

Rainer Maria Rilke

(Trad. Geir Campos)

(No Jardin des Plantes, Paris)

Varando a grade, a nada mais se agarra

o olhar tomado de um torpor profundo:

para ela é como se houvesse mil barras

e, atrás dessas mil barras, nenhum mundo.


Seu firme andar de passos gráceis, dentro

dum círculo talvez muito apertado,

é uma dança de força em cujo centro

ergue-se um grande anseio atordoado.


De raro em raro, só, o véu das pupilas

abre-se sem ruído — e deixa entrar

a imagem, que sobe, pelas tranqüilas

patas, ao coração, para aí ficar.
(ilustração, andré nunes, 2009)

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