O TEMPO TEM O TEMPO QUE O TEMPO TEM

Vou estabelecer aqui, relações cortadas entre alguns pensamentos e obras de arte. Esses tem, a meu ver, proximidades através dos conceitos de (Movimento-Leveza) E (Fotografar e Desenhar). É apenas um início, um esboço. Mas assim vou me permitir transitar nesse tempo do texto, em um possível traçar de aproximações. Essas são referentes a diálogos emergentes através de conceitos implícitos nas obras e nos pensamentos apresentados aqui. Diversas naturezas temporais nomeadas desse um processo. A isso tudo dou o nome de OCUPAÇÃO CRIATIVA, e isso pode ser bacana no pensar a interface T.O - ARTE
Iniciemos com deslocamento efetuado por Le Gray em seu ato fotográfico. Você já viu essa imagem:


É a primeira fotografia de um instante do movimento de uma onda. Gustave Le Gray, figura chave na história da fotografia no século XIX quem a tirou no ano de 1857. Saudava ele as futuras gerações sobre essa arte de foto-grafar com os seguintes dizeres:
"Faço votos de que a fotografia em lugar de cair no domínio da indústria e do comércio, entre no domínio da arte. É esse seu único e verdadeiro lugar, procurarei sempre trabalhar para o desenvolvimento da fotografia. Todos os que se dedicam a ela deveriam se compenetrar dessa idéia.".
Na foto, ele opera sua ação sobre o mundo através da captura de um pedaço-fragmento de uma onda em um também pedaço de espaço material-suporte-foto-sensível.
Nesse ato, inserido radicalmente no tempo, o artista demonstra que o fotografar lidava não só com questões técnicas do aparelhamento relativas ao aumento da velocidade de abertura do obturador da câmera, mas implícito havia uma poética do possível registro de um instante de movimento de um corpo líquido a se deslocar no espaço. Algo referente a possibilidade de grafar as variabilidades do tempo e do espaço através da inserção da luz, e ainda, do vislumbre de um campo ampliado de captura do objeto pelas “lentes” maquínicas.
Dito aqui, “Lentes maquínicas”, é possível traçar (como quem desenha com várias linhas) um combinado à idéia apresentada por JONH SZARKOWSKI, para quem a foto é uma janela para o mundo visível, registro emoldurado pelo visor que descortina os olhos do fotógrafo e ainda também se apresenta como espelho refletindo o espírito de quem fotografou. Dizia ele sobre a diferença entre fotografar e desenhar:
"Citar fora do contexto é a essência do ofício do fotografo. Seu problema principal é bastante simples: O que deve incluir, e do que deve descartar-se? O limite dessa linha de decisão assinala as margens da fotografia. Enquanto o desenhista começa a trabalhar pelo centro da folha, o fotógrafo principia pela moldura."
por hoje é isso... abraços!

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