O TEMPO TEM O TEMPO QUE O TEMPO TEM

(fotografia, andré nunes, 2007)

Recortemos hoje um pedaço na idéia de SZARKOWISK, na qual a foto é uma janela para o mundo visível. Seria atrevimento nosso se dissesse-mos que toda fotografia é, ao mesmo e só tempo, janela e espelho?
Gustave Le Gray, referência histórica, posto que foi frente, vanguarda de muitos artistas, fez usos de diversas materialidades presentes na época para produzir o FAZER DE UM “objeto recortado pelo click”. Esse um “objeto” caracterizava-se como parte da exposição da luz a registrar num suporte a quebra de uma onda, ou melhor, o momento onde um fluxo líquido de intensidade corrente deslocava-se transportando de um ponto a outro de seu movimento curvas exibidas numa temporalidade breve. A “janela” e o “espelho”, apresentado e refletido por Le Gray, apontam para algo de novidade, um MOVIMENTO-LEVEZA, estabelecido através da ampliação do campo de captura processual do fazer humano instalado no INSTANTE FOTOGRÁFICO.
Nessa obra de Le Gray, faz-se possível ver partes dos tempos do processo histórico-cultural humano, como livrar a mão do fazer e concentrar a atenção no olhar. Uma outra dessas partes foi objetivada pela busca de uma certa dominação da velocidade do acontecimento e também da subtração de um todo por intermédio de uma parte crucial focada. Outra parte ainda, foi a do transcurso humano realizado para busca de qualidades e sensibilidades materiais de novos suportes gráficos nos quais a luz pudesse operar sua intervenção ocupando/gravando, não somente os deslocamentos dos objetos nas instantaneidades temporais, mas ainda um certo trajeto sócio-cultural do desenvolvimento de tecnologias e de novos suportes.

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