O TEMPO TEM O TEMPO QUE O TEMPO TEM

(fotografia, andré nunes, 2008)



Essa ação cotidiana, de escolher um objeto e recortá-lo num clique maquínico, com real intuito de abrí-lo para forma expandida da imagem, ganhou força com um processo instalado por George Eastman.
O mesmo aventurou-se em popularizar a possibilidade das pessoas fotografarem coisas a partir de sua invenção: a máquina portátil Kodak.
Com isso foi possível , não só abrir essa experiência ao grande público enquanto ato de escolha-ação, mas ainda levar muito da intensidade proporcionada pelo fotografar ás ruas e cotidianeidades humanas.
Em parte o slogan veiculado pela empresa: “ você aperta o botão, nós fazemos o resto" conversava com as potências relacionais das escolhas do objeto e das vontades do visível. Como se ao romper o instante num clicar espaço-tempo-aqui-agora, um lacre do entornar a sua volta transformasse o restante em pertencimento da obra-foto-grafia-imagem.
Essa aproximação estabelecida entre o slogan Kodak e a outra parte do feitio da imagem deixada em segredo, também contribuiu para um pensamento de obra realizada e construída em processos de revelações para além do gesto do sujeito disparador-fotografo.
Quem ali no instante dispara, tem os olhos em atenção focada no agir, ao mesmo tempo torna-se devir espectador de sua própria força de conjugar o verbo olhar-saber-fazer. Como se justamente no ato de deslocar-se no interior da relação disparador-espectador-obra-imagem, o processo de emersão de pontos de vistas variáveis se tornassem estabelecidos em diversos modos de criação e conhecimentos de mundos existentes entre o agente e seu fazer. Essa tomada de consciência e reflexão realizadas através do fazer a obra/ fazer-se obra no instante foto-grafável, aponta para o pensamento de Cartier-Bresson (outra referência em fotografia).
Para ele, ali no ato, a fotografia é intitulada enquanto momento do jogo decisivo de captura do único, em que todas as variáveis possíveis em questão conspiram para a "grande fotografia". É esse um instante onde tudo que a cena informa está contido nela, deixando em parte de ser apenas um documento a ser analisável. Algo do pensar-sentir-ocupar-criativo que dispara-se através do fazer. OCUPAR A AÇÃO DO INSTANTE DO CLIQUE, com um certo rigor plástico-gestual, com noções de composição e clímax da ação em curso, como se diante dos olhos o querer de quem dispara o botão quase que instintivamente acionasse a máquina, em nada despotencializariam o agente. Será que cuidar da ação, que tratar a imagem, não é também uma espécie de saúde no fazer?
Ou seja, os fazeres realizados contemplam uma certa noção de atitude, contemplam estados e processos de criação DE OCUPAÇÕES relativas aos elementos processados nas ações estabelecidas: sejam as ações ocupantes do mover (deslocar o corpo sensível no tempo e espaço da obraao se fazer) sejam elas fixadas na leveza do clique-perceber momentos ímpares (deslocar a obra sensível no tempo espaço do corpo através de um disparo).
abraços!!!!

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