O TEMPO TEM O TEMPO QUE O TEMPO TEM

(fotografia, Marcela Vieira, França, 2009)


E assim cedeu as vistas, aquele corpo liquefeito era de adensamento de estados da matéria, por intermédio da forma leve, fora percebido.
Esvaindo-se ele rumava em direção crescente. Isso se dava a percepção através de certa interação com o peso concreto dos prédios e com a transparência do reflexo da sombra contra luz do espaço- tempo- meio aéreo. A marca proveniente dessa sobreposição era como uma espécie de grafia. que para além de abordar questões estéticas importantes para o momento em que se estava vivo no agir, gerava em quem visse um encantamento do tipo: olhe, aquele corpo que agora nos vê.
É num certo vislumbre de leveza, associado a liberdade e ausência de peso, que nessa foto há mostras de um poder. Um poder de dizer que a imagem, a imagem ganha por parte da revelação pictográfica uma junção/desdobramento _ enquanto elemento "funcional" de sua natureza: algo próximo a instabilidade e relatividade presentes na associação luz X tempo de esvaimento do corpo da nuvem. Isso quem nos traz as apreensões dos sentidos da visão é a COR.
Estruturalmente delicada, essa relação pouco densa e variável entre foto e cor produz uma impressão sensível difusa em formas instáveis. Essa é uma tentativa de “reconstruir a sensação luminosa de uma situação passageira”. Remeter isso a um tempo possível em outras linguagens: desenhos, pinturas... Tempo esse que se toca além da questão do instante, algo da ordem do EVENTO- BREVIDADE enquanto operação subtrativa da vida... tempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempoucotempouco...
Belo é saber que nuvens são "ilhas" de água!

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