Professora de Horizontologia...

Uma História sobre uma professora de "Horizontologia"... qualquer semalhença com a Terapia Ocupacional é mera coincidência ... rsrsrsrsrsrsrsrrsrsss

Narrador - Já tinha parado a chuva e Clara Luz estava louca que a Gota voltasse. Felizmente a Fada-Mãe veio com uma novidade:
Fada-Mãe - Minha filha, hoje vem uma professora nova. Você vai ter a sua primeira aula de horizontologia.
Clara-Luz - O que é isso?
Fada-Mãe - É saber tudo sobre o horizonte. As crianças lá da Terra aprendem geografia. As fadas aprendem horizontologia.
Clara-Luz - Acho que vou gostar dessa aula.
Narrador - O sininho da porta bateu: era a professora que vinha chegando. Clara Luz correu ao encontro dela.
Clara-Luz - Bom dia! Estou louca para aprender tudo sobre horizontes!
Professora - Que bom! Gosto de alunos assim entusiasmados.
Narrador - A professora era uma fada muito mocinha, que tinha acabado de se formar em professora de fadinhas. Sabia horizontolologia na ponta da língua. A Fada-Mãe ofereceu um cafezinho de pó-de-meia-noite e depois deixou Clara Luz e a Professora sozinhas.
Professora - Muito bem. Primeiro quero ver o que você já sabe. Sabe alguma coisa sobre o horizonte?
Clara-Luz - Saber, mesmo, não sei, não. Mas tenho muitas opiniões.
Professora - Opiniões?
Clara-Luz - É, sim. Quer que diga?
Professora - Quero.
Clara-Luz - A minha primeira opinião é que não existe um horizonte só. Existem muitos.
Professora - Está enganada. Horizonte é só um!
Clara-Luz - Eu sei que todos acham que é só um. Mas justamente vou escrever um livro, chamado Horizontes Novos.
Professora - Você vai escrever um livro?
Clara-Luz - Vou. Eu acho que criança também pode escrever livros, se quiser, a senhora não acha?
Professora - Acho, sim.
Clara-Luz - Pois nesse livro eu vou dizer todas as minhas idéias sobre o horizonte.
Professora - São muitas?
Clara-Luz - Um monte. Por exemplo: eu acho que nós duas não devíamos estar aqui.
Professora - Ué! Devíamos estar onde, então?
Clara-Luz - No horizonte, mesmo. Assim, em vez da senhora ficar falando, bastava me mostrar as coisas e eu entendia logo. Sou muito boa para entender.
Professora - Já percebi.
Clara-Luz - Tenho muita pena das professoras, coitadas falam tanto!
Professora - É verdade.
Clara-Luz - Então, se está de acordo, por que não vamos para o horizonte já?
Professora - Não pode ser!
Clara-Luz - Por quê?
Professora - Não sei se é permitido... Não foi assim que eu aprendi horizontologia no colégio...
Clara-Luz - Por isso é que a senhora é tão magrinha.
Professora - Hein?
Clara-Luz - Coitada, levou anos aprendendo horizontologia sentada!
Narrador - A professora levantou-se de repente:
Professora - Sabe de uma coisa? Vamos!
Narrador - Clara Luz ficou radiante!
Clara-Luz - Eu sabia que ia gostar dessa aula.
Narrador - E foram.
Clara-Luz - Viu como é fácil ir?
Professora - É mesmo. Nunca pensei que fosse tão fácil!
Narrador - Ela passava o dia dando lições para sustentar a mãe, uma fada velhinha, que já não podia trabalhar nem fazer mágicas. Ganhava vinte estrelinhas por aula e não tinha tempo para passeios. Agora, com o ar puro lhe batendo no rosto, estava até mais coradinha.
Clara-Luz - A senhora é bem bonita, sabe?
Professora - Acha?
Narrador - Nisso, chegaram. A professora foi a primeira a pular sobre o horizonte. Estava tão alegre que se esqueceu que era professora e saiu aos pulos, com os cabelos voando:
Professora - Viva! Estou no horizonte!
Narrador - Clara Luz foi atrás, também muito contente. Um navio ia justamente aparecendo no horizonte.
Clara-Luz - Aproveite!
Narrador - A professora aproveitou. Segurou o navio na mão, como se ele fosse um brinquedo. O navio ia cheio de gente, que estava voltando da Europa, mas ninguém percebeu o que estava acontecendo. Só ficaram todos alegres. E o comandante resolveu dar um baile. A professora, em criança, nunca tivera brinquedos, porque era muito pobre. Ficou encantada!
Professora - Olhe só, que gracinha! Estão dançando, lá dentro!
Narrador - Ela se sentia como as crianças, quando vão ao teatrinho de bonecos. Ficaram as duas se divertindo, muito tempo, com aquele teatrinho. Depois, a professora colocou o navio no mar, com tanto cuidado que não levantou a menor ondinha. E o navio, assim que saiu do horizonte, virou navio grande de novo, cheio de gente grande. A professora, agora, estava coradíssima e como os olhos brilhando. Ter um brinquedo tinha feito um bem enorme a ela.
Clara-Luz - Vamos brincar de escorregar no arco-íris?
Narrador - Dessa vez a professora nem se lembrou de pensar se seria permitido, ou não. Foi logo subindo por um lado do arco-íris e escorregando pelo outro, com os braços para o ar!
Professora - Lá vou eu!
Narrador - No princípio, como não tinha prática, escorregava muito desajeitada e ClaraLuz morria de rir. Mas logo se habituou e mostrou que tinha um jeitinho louco para escorregar no arco-íris. Escorregava de costas, de frente, em pé e até dançando. Clara Luz fazia tudo para imitá-la, mas a verdade é que não conseguia tão bem. Tinha acontecido uma mágica com o cabelo da Professora: agora estava dividido em duas tranças, igualzinho ao que ela usava quando tinha dez anos. Clara Luz estava notando isso, mas não disse nada. A professora ainda não tinha percebido o que lhe acontecera.
Clara-Luz - Agora a senhora não quer dar uma espiada nos outros horizontes?
Professora - Que outros, querida? Só existe um.
Clara-Luz - Então olhe para lá!
Narrador - A professora, que só estava olhando para cá, concordou em olhar para lá, já que Clara Luz fazia questão. E viu mais de dez horizontes, um depois do outro.
Professora - Não é possível, Clara Luz! Estou vendo dez!
Clara-Luz - É? Então a senhora é formidável em horizontologia, mesmo. Eu só estou vendo sete.
Professora - Mas não é possível, Clara Luz! Será que não estamos sonhando?
Clara-Luz - Claro que não. Está sonhando é quem só vê um.
Narrador - Lá longe, na Via Láctea, a Fada-Mãe tocou o sininho, para avisar que já tinha acabado a lição.Clara Luz e a Professora voltaram voando, rindo da cara das fadas que abriam as janelas e comentavam uma com as outras:"Que Professora, essa! Onde já se viu dar lição, assim? Brincando no meio da aula!"
Narrador - A Fada-Mãe estava na porta, esperando por elas.
Fada-Mãe - Onde estiveram?
Clara-Luz - No horizonte, mamãe. Essa Professora não ensina falando, não. Ela ensina indo.
Narrador - A Professora encabulou: só agora reparara que estava de trancinhas. Que iria pensar a Fada-Mãe? Mas a Fada-Mãe não era boba: foi lá dentro e, em vez de vinte estrelinhas, trouxe trinta, para o pagamento.
Fada-Mãe - Muito obrigada. Nunca vi minha filha gostar tanto de uma lição.
Narrador - A professora não quis receber.
Professora - Não vou cobrar nada por essa aula. Eu é que aprendi muito com a sua filha.
Clara-Luz - Não acredite, mamãe! Ela é a Professora melhor que eu já tive.
Narrador - A Fada-Mãe já tinha percebido isso. Insistiu em pagar as trinta estrelinhas e pediu à professora que não deixasse de voltar, duas vezes por semana.

(ALMEIDA, Fernanda Lopes de. A fada que tinha idéias. 16. ed. São Paulo:Ática, 1989. )

Comentários

Anônimo disse…
adorei karol.... vc mandando bem....vamos ver se o andré resite a nós... mulherzinhas no maquinomóvel!!hehhehe
bjo
Lu.Pattinson disse…
Oi,
Obrigada por passar no meu blog ;D. Adorei ver que você indicou meu blog aqui no seu, além do mais com a foto da Luluzinha. Esse tipo de comentario faz a gente ter mais vontade ainda de escrever. Sabe que eu já li esse livro, A fada que tinha ideias? Várias vezes!Sempre quis ser a Clara-Luz :D.
Até a Proxima,
Lulu do Blog da Lulu.
Unknown disse…
Ameiiiiiiii demais 😊

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