REAL E VIRTUAL... ANOS 80





Lembro que a gente acordava cedo, as vezes tinha aula aos sábados. Quando não ajudava o pai a lavar o carro, ajudava a mãe carregando o carrinho da feira. Escolhia a melhor roupa pra poder ir de noite ao bailinho no quintal ou na casa de alguém, podia até ser gente desconhecida. Uma ordenação sempre era tida: os meninos levavam o refri e as meninas um prato de salgado ou doce. Tinham duas fases as festas, divididas por ritmos das músicas: as lentas e as mais agitadas.


Hoje lembrei dessa música do A-Ha, os discos de vinil (long-plays) eram peças chave nos bailes, carregavam sucessos que ouvíamos nas rádios durante a semana. Take on me foi um desses sucessos de 1985. E o movimento das Diretas-já dava passos largos. O Tancredo Neves , eleito presidente ao vencer o candidato Paulo maluf, morria em janeiro de 85. Nessa época eu morava em Brasília, e lembro direitinho da cena dos aviões, um que carregava o corpo do Presidente e outros dois escoltavam, passarem em cima das casas, voavam no céu da capital e minha mãe com um pano de pratos abraçada a vizinha chorando pelo acontecido ...


Essa era a cara do Michael Jackson na época:


Fui reassistir ao vídeo clip, coisa que só aparecia no Fantástico de domingo. E para minha surpresa, vi coisas extremamentes atuais na narrativa visual do mesmo. A computação gráfica já tomava pé maior na estruturação dos projetos, a cena da mão aparecendo do gibi, ou do personagem brincando com um espelhamento dentro do desenho, tudo parecia meio de apontamento para a grande CILADA que o planeta viveria num jeito ROGER RABIT DE SER. ( Dali a 4 anos, em 1988 o coelho viria a cena, acredito que já estavam trabalhando nisso quando o A-ha fez esse clip)


Mas bacana é ver os desenhos feitos a carvão ganhando vida ao retratarem humanos. A inserção do Gibi enquanto suporte de estruturação da narrativa, espécie de story-board em acontecimento pleno. O jogo entre realidade e ficção presentes em todo o contexto da cena não chega nem perto da mensagem presente na letra da música.


cuja tradução é:


Aceite-me


Estamos conversando à toa


Eu não sei o que dizer


Direi de qualquer maneira


Hoje é outro dia para encontrar você


Fugindo da timidez


Estarei vindo pelo seu amor, ok?


Aceite-me, vem na minha


Partirei


Em um ou dois dias


Tão desnecessário dizer


Sou insignificante


Mas estarei tropeçando


Aos poucos aprendendo que a vida é legal


Repita comigo


Não é melhor estar seguro do que arrependido?


Aceite-me, vá na minha


Partirei


Em um ou dois dias


Oh, as coisas que você diz


é a vida ou


apenas para espantar minhas preocupações?


Você é tudo que tenho que lembrar


Você está se afastando

Estarei vindo pra você de qualquer maneira

Aceite-me, vem na minha

Partirei

Em um dia
****

Pois é, quando se cantava sem saber a tradução o que se sentia era bem diferente disso. Pra que serve a tradução nesse caso? Aceite-me, vai na minha! nem sempre é bom saber de tudo. Há vezes em que o virtual é o melhor que nos pode acontecer...

abraço

andré

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