HISTÓRIA DO OLHO

História do olho
Georges Bataille
Ed Cosacnaify

Olha. De fortes imagens narrativas e de um erotismo surreal, assim é esse livro escrito por Georges Bataille. Surpreendemente, do início ao fim, a história é toda perpassada pela presença do olho enquanto objeto transfigurável em tantas outras formas que lhe possam avizinhar e referir.
A escrita se passa através de um narrador, por vezes observador e por vezes personagem, que confunde (e esse é o intuito maior da obra) o leitor a todo tempo. Conta as aventuras, não só sexuais, vividas pelo "desvirginamento" do mesmo, de sua colega de nome Simone e uma outra garota chamada Marcela. Jovens que no auge da descoberta do corpo e dos inúmeros prazeres existentes em experiências limite, vão a todo custo transpondo normas e situações que jogam a todos no centro de um horror possível e existente na condição humana.
Um livro forte, que com certeza mudará a forma como se encara as pessoas do dia-a-dia, visto que apresenta um olhar para recônditos escondidos em fantasias, perversões e perversidades vivíveis.
O jovem e sua amiga Simone descobrem-se em brincadeiras que revelam inúmeros tabus existentes com relação a sexualidade. Imagens surreais afloram do livro, escrito de uma forma direta, sem muitas adjetivações, mas repleto de imagéticas e palavras que adensam o conteúdo visual.
Ao envolverem-se acabam seduzindo Marcela, uma garota mais nova que ambos, que não aguentando as brincadeiras propostas pela dupla acaba por enlouquecer, sendo internada na tentativa de suportar tamanha desestruturação vivida. A mesma vai a óbito ao tirar a própria vida. Nesse ponto o livro joga com as relações existentes entre erotismo e morte, que cada vez vão se tornando mais e mais intensamente limites.
A história central narrada não acaba por aí, sendo esse o estopim para perversões maiores. Contudo, assim que todas as associações existentes entre o olho parecem se feixar ( não vou contar o melhor, só para te instigar!!!) e fechar, o leitor é supreendido por uma suposta autobiografia do narrador. Nesse instante a confusão entre personagem, observador e autor deveras toma um formato transgressor, obsceno a ponto de fazer com que tentemos olhar para toda a história "inventada" sobre a ótica de uma história -tragicamente-"real".
Sem dúvida alguma de que esse é um livro que marca a fundo o modo de olhar para as transgressões possíveis nas relações humanas, onde o limite é por fim, sempre dado pelo corpo.
Abç
andré

Comentários

milkamarts disse…
alberto!
e a desestruturação vivida?

me conta um conto que aumento um ponto.

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